<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279</id><updated>2012-02-16T22:22:24.688-02:00</updated><category term='contemplar'/><category term='amar'/><category term='entorpecer'/><category term='trair'/><category term='rotina'/><category term='desesperar'/><category term='escolher'/><category term='trepar'/><title type='text'>Gente que existe</title><subtitle type='html'>Pequenas histórias de personagens da vida real.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>44</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-4701096145133577204</id><published>2011-03-25T18:03:00.001-03:00</published><updated>2011-03-25T18:04:37.757-03:00</updated><title type='text'>FOBIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma velhinha muito maquiada entra no prédio e dirige-se ao porteiro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu queria saber se nesse prédio tem ascensorista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;- Olha, minha senhora, não tem não senhora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;- Ai, moço! É que eu preciso ir ao sexto andar agorinha e tenho fobia de pegar elevador sozinha. Não pego de jeito nenhum.! O que é que eu faço, moço? – perguntou apavorada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;- Olha, minha senhora, ascensorista mesmo não tem não senhora. Mas se a senhora se apressar, aquele rapaz de calça jeans ali no hall esperando o elevador trabalha justamente no sexto andar. A senhora pode pegar o elevador junto com ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;-Ah, que bom! – respondeu. E foi logo em direção ao tal rapaz de calça jeans pedir ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;- Moço, o senhor está indo ao sexto andar? É que o porteiro me disse que você trabalha no sexto andar e eu tenho hora marcada na esteticista lá agora, mas tenho pavor de entrar sozinha em elevador. Não pego mesmo! Você me acompanha até lá? Tenho fobia de lugar fechado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rapaz arregalou os olhos e, antes que conseguisse responder qualquer coisa, desmaiou. O tal rapaz, o de calça jeans, era eu. Esse que vos escreve. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu tenho fobia, mas muita fobia mesmo, de velhinhas muito maquiadas que puxam papo no hall do elevador.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Garamond, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-6eo955fzFug/TY0CnRhuuMI/AAAAAAAAA4w/j_zBHEdFCbY/s1600/hebe.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" src="https://lh5.googleusercontent.com/-6eo955fzFug/TY0CnRhuuMI/AAAAAAAAA4w/j_zBHEdFCbY/s320/hebe.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Garamond, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-4701096145133577204?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/4701096145133577204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=4701096145133577204&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/4701096145133577204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/4701096145133577204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2011/03/fobia_25.html' title='FOBIA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-6eo955fzFug/TY0CnRhuuMI/AAAAAAAAA4w/j_zBHEdFCbY/s72-c/hebe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-7240855534575410841</id><published>2010-12-10T09:00:00.002-02:00</published><updated>2010-12-10T09:14:06.805-02:00</updated><title type='text'>O PIOR DOIDO É O QUE VÊ TUDO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é fácil ser boêmio. Verdadeiros antropólogos do prazer, doutorandos da devassidão, os boêmios somos pessoas sem fim. Tão bem definidos pelo ébrio profissional Paulo Terror como viciados no "acúmulo de excessos", escolhemos levar a vida nesse passo mais curvilíneo, menos objetivo, o que nos parece de fato a decisão mais acertada a ser tomada nesse mundo de incertezas. Esse estilo de vida assim vadio é bom, mas a gente sabe que tudo que é bom tem seu preço. É aquela história do "cada escolha uma renúncia", como se existisse na vida uma lei da compensação: a gente sempre ganha umas coisas e perde outras. Pra você ter uma ideia, em decorrência da boemia já ganhei muitos quilos, mas em compensação estou perdendo a memória. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato é que uma coisa leva à outra. Esse incremento alarmante na massa corporal, por exemplo, me levou certa feita a esse estranho templo do narcisismo: a academia de ginástica. Lá estava ela, repleta de espelhos e de pessoas que analisavam nos reflexos a definição dos seus abdomens suados. Fui submetido a alguns penosos exames e estes acusaram impiedosamente que meu índice de massa corporal era considerado indesejável. "Índice de massa corporal indesejável" foi o jeito que os professores de educação física inventaram para poderem chamar a gente de gordo com educação, e ainda por cima com um certo respaldo científico. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de aceitar com surpreendente tolerância o diagnóstico de sedentarismo e obesidade, veio o cidadão longilíneo de aparência irritantemente saudável me explicar que pra alcançar o tão sonhado índice de massa corporal indicado para o meu biótipo o exercício mais recomendado era a corrida. Sendo assim, fui encaminhado à esteira, aquele equipamento em que, contrariando a física que eu aprendi no colégio, realiza-se um trabalho fazendo força sem deslocamento. Parecia detestável e pouco inteligente ficar fazendo esforço sem nem sair do lugar, mas ainda residia em mim uma vaidade que a boemia insistia em querer expulsar. Um mesmo corpo que desejava o convívio sadio entre mundos tão distintos: a noite e o dia, o tira-gosto e as artérias saudáveis, o excesso de vodca e os neurônios imortais. É bem verdade que fica difícil a vida assim, mas suportar uma tortura diária de meia hora na esteira despontou dentre todas como a solução menos inviável (houve, por exemplo, quem sugerisse a tal reeducação alimentar, que na verdade não passa da desculpa que os gordos precisavam pra poder pensar em comida o tempo todo).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resignado, resolvi aceitar a árdua tarefa e comecei logo no primeiro dia. Meia horinha de corrida pra poder tomar minha cerveja com menos culpa de noite. Eu ainda estava no começo do exercício quando ele chegou. Usava uma barba vasta e uma camisa branca meio frouxa de mangas bem compridas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Moço? - ele me chamou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois não - respondi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quanto é que eles lhe pagam pro senhor ficar correndo aqui nessas máquinas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uai - estranhei - não me pagam nada. Pelo contrário: eu é que pago pra eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tá doido, moço? Com esse tanto de rua lá fora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela resposta me atingiu em cheio. Na mesma hora, me senti como aqueles ratinhos idiotas que passam a vida inteira correndo naquelas rodinhas sem nunca alcançar o queijo. Nunca alcançam, mas nunca param de correr. Pensei: estou quase um hamster. Olhei para o lado e vi vários outros hamsters, todos correndo lado a lado, dando tudo de si sem sair do lugar, cada um perseguindo seu parmesão imaginário. Olhei para o outro lado e vi uns enfermeiros recolhendo o rapaz barbudo e me pedindo desculpas: "O Senhor me desculpe, mas deixamos o portão aberto sem querer. Ele escapou da clínica de reabilitação mental hoje de manhã e só agora fomos encontrá-lo aqui nessa academia."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pra quem não sabe, clínica de reabilitação mental é o nome que deram ao hospício depois que o mundo foi infestado pelos chatos do politicamente correto. Em bom português dos anos 80, o barbudo seria descrito como um louco de camisa-de-força que tinha fugido do hospício. Mas o fato é que, de todos, ele foi o que me pareceu enxergar tudo com mais clareza ali. Malucos éramos nós, pagando pra correr em esteiras "com esse tanto de rua lá fora". O alucinado era o único lúcido da história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E de repente eu imaginei essa história dentro de um contexto maior. Uma possibilidade remota, é verdade, mas ainda assim uma possibilidade: imaginei que talvez as pessoas lúcidas como ele sejam minoria. E que talvez os hospícios sejam lugares que nós, a maioria esmagadora de alienados, democraticamente criamos para manter afastados do nosso convívio justamente essa minoria de pessoas muito lúcidas. Lúcidas e por isso capazes de fazer as observações mais brilhantes, que esclareceriam desagradavelmente a cada instante a verdade sobre a absurda falta de sentido do nosso mundo, e revelariam talvez o delírio que torna possível acordarmos toda manhã para mais um dia. E assim transformariam nossa vida numa experiência bem mais difícil do que já é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez também seja por isso que tem tanta gente boêmia, como eu. Tanta gente por aí bebendo, tanta gente fumando, tanta gente cheirando. Tanta gente correndo freneticamente em milhares de esteiras mundo afora. Tanta gente rezando, orando, cantando obsessivamente à procura de um Deus. Cada um escolhendo o seu alívio, sua distração, a sua droga que ajude a escapar de uma lucidez insuportável como a desses poucos que moram nos hospícios e a tudo enxergam, convenientemente afastados de nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Me tirem aqui dessa esteira e me ponham na ambulância! Eu quero ir é com o louco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TQIIPPWa6eI/AAAAAAAAA28/faINSh1IR2E/s1600/ratracewheel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TQIIPPWa6eI/AAAAAAAAA28/faINSh1IR2E/s200/ratracewheel.jpg" width="195" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-7240855534575410841?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/7240855534575410841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=7240855534575410841&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/7240855534575410841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/7240855534575410841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2010/12/o-pior-doido-e-o-eu-ve-tudo.html' title='O PIOR DOIDO É O QUE VÊ TUDO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TQIIPPWa6eI/AAAAAAAAA28/faINSh1IR2E/s72-c/ratracewheel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-3325905465225384472</id><published>2010-12-01T01:29:00.004-02:00</published><updated>2010-12-01T01:59:36.304-02:00</updated><title type='text'>DA IMPORTÂNCIA DAS ESCOVAS DE DENTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A gente já tinha terminado, mas as coisas que ela disse não saíram da minha cabeça. Ela era especialista nisso: tirar o corpo fora na hora que a coisa dava errado. Nunca via a parte dela nos erros. Não via ou convenientemente fingia não ver, que é o que eu acho mais provável, afinal estamos falando de uma mulher e mulher sempre vê tudo. Até o que não aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ela não era direta, não. O discurso dela&amp;nbsp;era cheio de curvas. Dava voltas e mais voltas, passeava no tempo, pra trás e pra frente, relembrava uns fatos, inventava outros, saltitava no absurdo, mas no final deixava só uma mensagem subliminar: “a culpa é toda sua, Fabrício”. Fabrício, claro, sou eu. Este homem pisoteado que vos fala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você nunca quis que eu morasse com você, Fabrício! Nunca! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como não, Amanda? Já te falei mil vezes pra vir pra cá. E quando você disse que tinha nojo do meu sofá e que minha casa era um antro que fazia você ficar imaginando “todas as mulheres” que eu teoricamente trouxe aqui... Veja bem, Amanda: te-o-ri-ca-men-te!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você é mesmo um canalha, Fabrício!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você não me deixa falar, tá vendo? Tô aqui tentando te lembrar que só pra te agradar e fazer você se sentir melhor na minha casa, aliás, na nossa casa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tá vendo? Olha aí o ato falho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que ato falho o quê, Amanda! Eu disse a NOSSA casa, e você ouviu muito bem! Nossa casa sim, que eu pintei todinha de amarelo-quindim só pra você se sentir melhor. E ainda troquei meu sofá de couro de estimação por um novo daquele tecido chechênia que você gostava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Chenille, Fabrício. Chenille.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Agora você reconhece, né? O tanto que eu fiz por você... Olha só como você é!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fez porcaria nenhuma, Fabrício. Tem anos que eu venho aqui e você sequer se deu ao trabalho de comprar pra mim uma escova de dente e colocar lá, no copo, do lado da sua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Escova de dente, Amanda? Quer dizer que você quer ir embora por causa de uma mísera escova de dente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você não entende nada mesmo, Fabrício. Não é a escova de dente, mas o que ela representa. É uma coisa simbólica, meu filho. Tem a ver é com o gesto... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gesto?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só pra você ter uma ideia, outro dia a Bernadete me contou que chegou no apartamento do Duílio e ele tinha deixado pra ela no banheiro, do lado da escova dele, uma escova de dente rosa embrulhada com laço de fita e tudo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meu amor, você vai cair numa dessas? Aí tem coisa! Pelo amor de Deus, aquele ali é um picareta! E olha que eu falo com conhecimento de causa porque o Duílio é meu melhor amigo. Crescemos juntos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E desde quando você cresceu, Fabrício? Que novidade é essa agora, meu filho? Vê se pelo menos aproveita que eu tô indo embora e toma jeito. Cresça e apareça porque pra mim já deu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas meu amor, por causa de uma escova?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A escova é o símbolo, Fabrício. A escova é só o resumo da ópera...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante muito tempo tive ódio. Se eu a encontrasse na rua, talvez tivesse vontade de agredir. Ficava imaginando encontros fictícios em que eu a maltratava. Minha mágoa se transformou em ódio, e o ódio em um dado momento, virou revanchismo. Eu fiz de um tudo por essa mulher. A tinta amarelo-quindim na parede, o sofá de tecido chechênia, tudo pra tentar resolver uma neura que era toda dela, aquela mania de ficar fazendo uma associação doentia do meu apartamento com uma vida de solteiro que na cabeça dela eu tenho certeza que era muito mais promíscua do que realmente foi, mesmo se eu considerar aquela fase mais permissiva com as duas garçonetes do centro e os potes de sorvete de flocos. Eu realmente queria que ela se sentisse mais à vontade na minha casa. Ou melhor, na nossa casa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o fato é que um tempo depois tudo passou e ela também: passou num concurso e foi morar no interior. Essa mudança foi boa. Um afastamento forçado que impediu que eu empreendesse aqueles maltratos públicos imaginários e que acabou resultando no fim de todas as inquietações. Chegou um dia em que acabou tudo: a mágoa, o ódio e até a aflição daquelas paredes amarelo-quindim me encarando todo dia. Quase tudo: ficou só uma pontinha de saudade e uma impressão de que talvez eu não tivesse tentado o tanto que deveria. Uma sensação de que deveria ter insistido mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aconteceu que eu fui ser padrinho de casamento no interior, exatamente na cidade dela. A vontade de revê-la foi mais forte que a razão. Analisando friamente, eu sabia que não era boa ideia. Mas análise fria é uma coisa que eu só faço pra poder descartar. Pra depois que tudo der errado, como eu previ, poder ter aquela sensação vitoriosa de onisciência.&amp;nbsp;Então liguei. Ela me atendeu muito receptiva, carinhosa, com aquele timbre de voz dela que eu passei tempos depois procurando outro igual e nunca encontrei. Eu reconheci ali a Amanda da fase boa, então disse logo que estava na cidade e que queria revê-la. Marcamos no apartamento dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era um corredor escuro, tinha daqueles sensores de presença pra acender a luz que nunca funciona. Quando Amanda abriu a porta me pegou fazendo uma coreografia deplorável, batendo asas numa tentativa ridícula de atingir algum sensor e acender a luz. A coreografia do avestruz serviu para quebrar o gelo. Rimos juntos e ela me chamou pra entrar. Mostrou-me a casa, ainda com poucos móveis: uma cama de casal no quarto, uma de solteiro na sala, servindo de sofá e uma mesinha baixa com uma televisão por cima. Era basicamente isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em questão de segundos, exibíamos no sofá o encaixe perfeito, desses que só são possíveis depois de anos de entrosamento. Você deve estar aí imaginando uma cena de sexo selvagem que inclui suor e posições assustadoramente flexíveis, mas não é nada disso. Ela estava sentada e eu acabei deitando a cabeça em seu colo, devagar, receoso de uma possível restrição da parte dela, que não houve. Aquela posição me proporcionava um conforto esquecido, quase uterino. Que ardam nos quintos dos infernos as malditas paredes amarelo-quindim carregadas de frustração: minha verdadeira casa era aquele colo. E nele passei horas, conversando sobre tudo. Assunto nunca nos faltou, ainda mais depois de tanto tempo sem conversa. É que há nos casais inspirados esse misterioso estado de graça que faz parecerem interessantíssimos até os assuntos mais desinteressantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas era muita informação, muitas sensações estranhas, velhas e novas,&amp;nbsp;ao mesmo tempo.&amp;nbsp;Com muito pesar tive que momentaneamente abrir mão daquele colo bom. Precisava raciocinar um pouco e por um instante me tranquei sozinho no banheiro. Várias perguntas passeavam na minha cabeça. Será que a gente ainda tem uma chance? Será que daria certo se eu largasse tudo e me mudasse pra casa dela? Será que uma mulher perfeita como ela está solteira depois de tanto tempo morando aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi lavar o rosto, voltei-me para a pia e tive a resposta impiedosa, imediata como um soco na barriga. Bem ao lado da torneira, sobre a bancada da pia, havia um copo. Nele, duas escovas de dente. Duas escovas de dente. Duas escovas de dente...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se fosse um filme, na certa nessa hora um diretor menos inventivo usaria do manjado artifício da câmera em primeira pessoa girando em parafuso dentro do banheiro para evidenciar a angústia desesperada do protagonista. Só que isso não é um filme. Isso é a minha vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TPXA-4J3eUI/AAAAAAAAA2w/6YDZmhXr_sE/s1600/toothbrush.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TPXA-4J3eUI/AAAAAAAAA2w/6YDZmhXr_sE/s200/toothbrush.bmp" width="197" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-3325905465225384472?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/3325905465225384472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=3325905465225384472&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/3325905465225384472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/3325905465225384472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2010/12/da-importancia-das-escovas-de-dente.html' title='DA IMPORTÂNCIA DAS ESCOVAS DE DENTE'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TPXA-4J3eUI/AAAAAAAAA2w/6YDZmhXr_sE/s72-c/toothbrush.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-1213080903662374099</id><published>2010-11-18T13:46:00.005-02:00</published><updated>2010-11-18T14:07:25.815-02:00</updated><title type='text'>SEM SABER O CAMINHO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Alô? Pai?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Oi, meu filho. Já chegaram?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Chegamos. Acabamos de chegar. Mas&amp;nbsp;a gente tá&amp;nbsp;meio perdido aqui, sem saber o caminho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Me explica onde vocês&amp;nbsp;estão e pra onde querem ir que eu&amp;nbsp;ajudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Uai, você sabe, Pai.&amp;nbsp;A gente tá&amp;nbsp;aqui no Beco da Paixão e quer ir logo pra Praça do Amor. É perto?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Não, meu filho. É bem longe. Demora pra cacete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Caraca... E como é que a gente faz pra chegar lá?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Você tá&amp;nbsp;vendo as duas ruas que saem do Beco da Paixão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Tô. Tô de frente pra elas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Então... Se você entrar à esquerda vai dar de cara com uma rua que vai até um parque bonito, florido, uma beleza!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Mas é uma rua de lama, Pai!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Isso mesmo. De lama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-É por ela então que eu vou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-De jeito nenhum! A rua de lama é só pra quem vai pro Parque das Tentações. Vocês querem ir pro outro lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Entendi. Então é só pegar a outra, né?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Isso. Uma rua toda esburacada, chama Alameda da Privação. Segue nela sempre reto, sem fazer curva nenhuma, nenhum desvio. Aí é só&amp;nbsp;pegar o Túnel da Resignação e seguir toda vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Toda vida, Pai?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Toda vida, filho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TOVKHvYzjnI/AAAAAAAAA2k/2w2Y47lK4zY/s1600/n%25C3%25A3o-sei-o-caminho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="116" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TOVKHvYzjnI/AAAAAAAAA2k/2w2Y47lK4zY/s400/n%25C3%25A3o-sei-o-caminho.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-1213080903662374099?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/1213080903662374099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=1213080903662374099&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/1213080903662374099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/1213080903662374099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2010/11/nao-sei-o-caminho.html' title='SEM SABER O CAMINHO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TOVKHvYzjnI/AAAAAAAAA2k/2w2Y47lK4zY/s72-c/n%25C3%25A3o-sei-o-caminho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-3974763364605283811</id><published>2010-09-29T18:34:00.000-03:00</published><updated>2010-09-29T18:34:48.200-03:00</updated><title type='text'>O TEMPO AO LONGO DO TEMPO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve um tempo em que todo mundo tinha o mesmo relógio. Era o sol. O aborígene acordava na Austrália, saía da sua caverna e olhava pra cima: “é de manhã”. O esquimó saía do seu iglu, se é que naquela época já existiam esquimós e iglus, dava uma espiada no céu e sentia a fome do jantar. Era assim: toda a humanidade e um só relógio. Funcionava. Tanto funcionava que estamos aqui, eu e você, pra provar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passou um tempo e inventaram de colocar um relógio em cada cidade. Ficava bem na Igreja, e vinha com um sino. O badalo tocava um mesmo som pra todo mundo ao mesmo tempo, e avisava pra vila inteira que era hora de rezar, pra quem era do sagrado, ou de pecar, pros que eram do profano. Cada um com seu costume, seu caminho, mas todos os conterrâneos seguindo o mesmíssimo relógio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas acontece que, de tanto seguir badalo de sino, as pessoas começaram a ficar apegadas demais a essa história de horário. Horário pra isso, hora pra aquilo, de maneira que não se contentavam mais em ficar sabendo a hora só de hora em hora, não! Ainda por cima dependendo da vontade do padre: inventaram o relógio de parede. Assim podiam acompanhar de perto a passagem do tempo, cada minuto, até os segundos. Veja você: a mania era tanta que tiveram que inventar até um ponteiro de informar os segundos. E um relógio em cada casa. O horário podia até variar um pouquinho de uma casa pra outra, de um relógio pro outro, mas pelo menos era compartilhado pelos membros da família. O problema era quando alguém saía. Dava um desespero danado de não poder acompanhar mais os minutos, os segundos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pra resolver isso, bolaram um novo conceito: o relógio individual. Cada um tem o seu. Começou sendo de bolso, depois virou de pulso, e agora pode ser visto embutido em telefones celulares e demais engenhocas tecnológicas. Com essa maravilhosa invenção, cada ser humano no planeta pode acompanhar em tempo real a sua vida passando. Ufa! Enfim podemos esquecer do sol e do sino, podemos até matar o cuco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O relógio, que já foi um pra todo mundo, agora é um pra cada um. Cada um por si. O tempo também já não é de todo mundo: cada um tem o seu. E acho que isso explica muita coisa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TKOw1b0alcI/AAAAAAAAA1w/LpIrqWKrKjk/s1600/tempo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" px="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TKOw1b0alcI/AAAAAAAAA1w/LpIrqWKrKjk/s1600/tempo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-3974763364605283811?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/3974763364605283811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=3974763364605283811&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/3974763364605283811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/3974763364605283811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2010/09/o-tempo-ao-longo-do-tempo.html' title='O TEMPO AO LONGO DO TEMPO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TKOw1b0alcI/AAAAAAAAA1w/LpIrqWKrKjk/s72-c/tempo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-5612341841811727759</id><published>2010-09-24T15:03:00.002-03:00</published><updated>2010-09-24T15:05:37.204-03:00</updated><title type='text'>SOBRE AS COISAS ÚTEIS</title><content type='html'>‎-Isso serve pra quê? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pra nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pra nada mesmo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É. Pra nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então eu quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TJzn2T1GXpI/AAAAAAAAA1o/HOlYEjvzkRc/s1600/canivete-suico.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" px="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TJzn2T1GXpI/AAAAAAAAA1o/HOlYEjvzkRc/s1600/canivete-suico.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-5612341841811727759?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/5612341841811727759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=5612341841811727759&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/5612341841811727759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/5612341841811727759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2010/09/sobre-as-coisas-uteis.html' title='SOBRE AS COISAS ÚTEIS'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TJzn2T1GXpI/AAAAAAAAA1o/HOlYEjvzkRc/s72-c/canivete-suico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-7844082478113567119</id><published>2010-06-01T22:03:00.003-03:00</published><updated>2010-06-01T22:37:38.849-03:00</updated><title type='text'>COMO TODA QUINTA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como toda quinta, saiu direto do escritório para o supermercado onde fazia as compras da semana. Era sempre assim. Quinta era o dia em que seu marido viajava a trabalho, e Consolação aproveitava o pretexto das compras pra preencher a noite solitária. Era a noite que passava invariavelmente sozinha, mas não achava aquilo de todo ruim. Na verdade, encarava até com bons olhos aquela ausência semanal: era momento único, bastante propício para espairecer, divagar, tentar pensar na vida com mais calma, sem a inevitável interferência determinada pela volumosa presença do consorte. “Botar as idéias em ordem”, era o que ela gostava de dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No carrinho do supermercado, entre gôndolas de laticínios e pescados, entre amaciantes e embutidos, começou a fazer sua própria terapia. Inquieta, como toda quinta, pensou na vida que estava levando. Mais do que isso: pensou em todas as vidas que não estava levando. De um lado o que havia de concreto: seu trabalho no escritório, seu marido, a possibilidade de uma filha. Do outro lado o devaneio, tudo que uma outra vida poderia oferecer que não fosse o seu trabalho no escritório, seu marido e a possibilidade de uma filha. Não que estivesse desanimada com a realidade. Morria de medo de se tornar uma dessas mulheres que responsabilizam o marido pelos seus próprios fracassos, que usam o casamento como desculpa para o abandono de sonhos importantes. Esse tipo de covardia não era com ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Justamente pra evitar isso é que gostava de pensar sempre a respeito do caminho que estava traçando pra sua vida. Traçando, sim, porque fazia questão de sentir-se no comando da situação. Encontrava sossego na ilusão do controle. Parecia-lhe abominável e assustadora a idéia de uma vida ao sabor do acaso, na qual os eventos se sucedessem sem que tivessem sido, por ela, programados. E por isso lhe eram tão importantes essas meditações nas noites de quinta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou em casa aflita, carregando sozinha todas as sacolas e pensamentos. Aos poucos, foi tentando organizar tudo. Foi ajeitando vagarosamente no lugar devido compras e reflexões. Nem tudo coube.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois, como toda quinta, começou a chorar. Deitou-se na cama, cobriu o rosto com o edredon e deu início à epopéia semanal do pranto. Era sempre a mesma agonia com hora marcada, o mesmo choro alto, igual ao de criança quando machuca. Gemeu, rolou na cama, soluçou, tanta lágrima que chegou a arder-lhe a pele. Ficou assim até dormir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" style="text-align: justify;"&gt;Na manhã seguinte acordou refeita. Eufórica. Como toda sexta.&lt;/div&gt;&lt;div align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TAWtDsjmN_I/AAAAAAAAAyI/MPppzNdXdCQ/s1600/angustia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TAWtDsjmN_I/AAAAAAAAAyI/MPppzNdXdCQ/s320/angustia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-7844082478113567119?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/7844082478113567119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=7844082478113567119&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/7844082478113567119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/7844082478113567119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2010/06/como-toda-quinta.html' title='COMO TODA QUINTA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/TAWtDsjmN_I/AAAAAAAAAyI/MPppzNdXdCQ/s72-c/angustia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-1402527117932074598</id><published>2010-05-26T09:21:00.012-03:00</published><updated>2010-06-01T22:27:40.478-03:00</updated><title type='text'>VENENO REMÉDIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Saiu do consultório com uma prescrição médica no bolso e uma esperança na cabeça. Precisava comprar urgentemente aquele remédio que, de acordo com o Doutor, seria finalmente responsável pelo seu alívio. Àquela altura, a dor já ultrapassava em muito o limite suportável. Havia alguns dias já vinha pensando que, se continuasse daquele jeito, não valeria a pena dar continuidade à sua vida. Tinha ouvido falar de dores paralisantes, o que definitivamente não era seu caso: a sua fazia-o dançar. Não conseguia ficar parado. Era como o personagem de Nelson Rodrigues, que parecia dançar mambo ao manifestar seu desespero.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde o início das crises que sua biografia se resumia à resignação: ora sentir a dor lancinante, ora esperar por ela. E essa expectativa da dor lhe era tão horrenda e massacrante quanto a própria. Pela primeira vez cogitava se matar. Mas agora, ao que tudo indicava, não seria mais necessária tão drástica medida. O Doutor havia prescrito uma droga nova, que vinha sendo utilizada com grande sucesso em casos como o de Dorval. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tão logo chegou à farmácia, foi lançando mão da receita médica e entregando, quase orgulhoso, ao farmacêutico no balcão. Ele leu, entrou para a sala do estoque e em poucos segundos voltava trazendo consigo a caixinha salvadora, que para Dorval era o passaporte para a vida. Entregou-a, mas não devolveu a receita médica: “É medicação com tarja, meu senhor. Vai só o remédio, a receita fica.” Dorval ficou preocupado. Em toda a sua vida, não se lembrava de episódio parecido, em que o farmacêutico tivesse retido a receita médica. “Deve ser um remédio muito forte mesmo”, pensou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegou em casa ansioso para tomar logo o comprimido, na esperança da interrupção de suas crises, vislumbrando poder voltar a desfrutar novamente da euforia da saúde, coisa que ele agora sabia como poucos valorizar. Tinha a convicção de que saberia extrair do corpo saudável a mesma sensação de prazer e alucinação experimentada e relatada por quem injetava heroína pela primeira vez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de tomar o remédio, entretanto, em virtude da curiosidade aguçada pela retenção da receita médica pelo farmacêutico e pela tarja na caixa do remédio, resolveu ler a bula. “Os efeitos colaterais são ganho de peso, dificuldade de concentração e memória, tremor, sedação, problemas de coordenação, distúrbios gastrointestinais, perda de cabelos, leucocitose benigna, acne e edema. Também foram relatadas alterações eletrocardiográficas e hipotiroidismo. Pode produzir convulsões, coma e por fim a morte”. Ficou paralisado. Mas precisamente naquele momento é que se revelava, nua e crua, a real dimensão do seu problema. Pois aquele veneno, uma substância capaz de causar coma e morte, era algo que seu médico havia receitado para que ele melhorasse. “Se um veneno desses é o que vai me aliviar, então posso ter certeza que a minha situação está mesmo péssima”, concluiu. E tomou o comprimido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/S_0UGrxtGoI/AAAAAAAAAw8/AodwW2s2FQk/s1600/poison_pills.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475554827015363202" src="http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/S_0UGrxtGoI/AAAAAAAAAw8/AodwW2s2FQk/s320/poison_pills.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 282px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-1402527117932074598?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/1402527117932074598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=1402527117932074598&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/1402527117932074598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/1402527117932074598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2010/05/veneno-remedio.html' title='VENENO REMÉDIO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/S_0UGrxtGoI/AAAAAAAAAw8/AodwW2s2FQk/s72-c/poison_pills.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-5114305459940290200</id><published>2007-09-11T22:09:00.003-03:00</published><updated>2009-12-29T02:59:45.212-02:00</updated><title type='text'>NOMES EM SÉRIE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cheguei apressado ao escritório e foi aí que vi, em cima do teclado do computador, o tal recadinho anotado com a letra insegura da Vânia, a secretária-faxineira, num pedaço de papel: “&lt;em&gt;Léo te ligou. Pediu pra você retornar a ligação. URGENTE&lt;/em&gt;!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei imediatamente pro celular da Vânia, a secretária-faxineira, pra saber o complemento simples e indispensável daquele pedaço de informação anotado no papel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Vânia, sou eu!&lt;br /&gt;-Oi, Patrão. Em que posso estar te atendendo?(Vânia, a faxineira-secretária, achava chique falar tudo no gerúndio).&lt;br /&gt;-É que eu vi aqui o recado que você deixou, Vânia, mas eu preciso saber qual foi o Léo que me ligou.&lt;br /&gt;-Como assim qual Léo, senhor?&lt;br /&gt;-Uai, eu conheço milhares de Léos, Vânia! Preciso saber qual deles me ligou pra poder retornar essa tal ligação “urgente”.&lt;br /&gt;-Olha, infelizmente isto eu não vou poder estar te informando, Doutor. Só sei que era Léo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E foi assim, no meio dessa aflição de não saber qual dentre os trinta e sete Léos que eu conheço havia me ligado, que percebi uma verdade nítida e esmagadora: já não se fazem mais nomes como antigamente. Ah, há quanto tempo não se vê mais um Segismundo, um Bartolomeu, uma Aracy! Tivesse me ligado um Bartolomeu e certamente seria ele o único Bartolomeu que eu conheço. Na pior das hipóteses, haveria dois Bartolomeus. E feliz daquele que tem o prazer de possuir em sua roda de amigos duas pessoas com esse nome histórico e teatral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu dou uma rápida olhada em minha agenda e encontro 37 Leonardos, 45 Rodrigos, 22 Julianas e 74 Marianas! Não bastasse usarmos todos as mesmas roupas, assistirmos às mesmas novelas, desejarmos os mesmos tênis e morarmos nas mesmas casas, agora, pasmem, temos todos os mesmos nomes. Somos uma infinidade de Marcelos, Felipes e Letícias. Produzimos em série até as nossas alcunhas. O processo de uniformização está completo: somos todos iguais e, o que é pior, almejamos ser iguais. Estranhamos os nomes raros e fazemos até piada, quando a verdadeira estranheza está justamente no fato de termos todos os mesmos oito ou dez nomes e acharmos isso normal. Engraçado e bizarro é um país só de Dudus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me agora da família do meu avô. Essa sim uma família de nomes únicos, límpidos e adjetivos. Sim, adjetivos, uma vez que qualificavam a pessoa, distinguiam-na na multidão de outros nomes. Vejam bem que beleza: Eldonícius, Polinícius, Semirames, Magdala, Zenaide e Rhéa Sylvia. Todos primos, parte de uma mesma família. Percebam: Magdala só há de ser uma. Rhéa Sylvia também não há duas. E se alguma voz gritasse de longe, bem de longe, “&lt;em&gt;Eldonícius, o almoço está pronto&lt;/em&gt;” certamente o saudoso primo do meu avô saberia que aquela haveria de ser a voz da sua querida mãe. Hoje em dia, tal fato seria impensável. Uma mãe que ouse berrar por aí na busca de um Leonardo para o almoço certamente haverá de ter em sua porta em questão de segundos toda uma horda de Leonardos famintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distinto tio de também distinto nome que rodava pra lá e pra cá em seu fusca amarelo cocô era o Amílcar. Vejam que digno nome, também hoje condenado a um indevido ostracismo. Mas falei no fusca e preciso completar. À medida que foi envelhecendo, nosso querido Tio Amílcar, que já era baixinho, foi encolhendo. No fim da vida, era menor que um gnomo. De tal forma que ao pilotar o seu tradicional fusca amarelo cocô era impossível visualizar o motorista. O “fusca-fantasma” fazia bruscas conversões, balizas milimétricas, arrojadas ultrapassagens e a alegria das crianças do bairro. Não se sabe como...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto à minha agenda. Começo, atenciosamente, a repassar todos os Leonardos na tentativa improdutiva de localizar aquele que me havia ligado e percebo: não há em minha agenda, ou melhor, em todo o território brasileiro, um único elemento que seja conhecido simplesmente como “Léo”. É absolutamente necessário qualificar o nome com algum complemento: Léo Gordo, Léo Cabeça, Léo Bago-de-Boi, Léo Jeba, e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas toca o telefone:&lt;br /&gt;-Alô!&lt;br /&gt;-Alô. Quem fala?&lt;br /&gt;-É o Léo, pô! Deixei recado aí pra você me ligar urgente.&lt;br /&gt;-Qual Léo?&lt;br /&gt;-Como assim qual Léo? Só Léo, uai.&lt;br /&gt;-Só Léo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-É! Só Léo.&lt;br /&gt;-Então deve ser engano, meu filho. Não conheço nenhum Léo. Passar bem...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Szjs_APxMPI/AAAAAAAAAsI/rjWSo2Ttb2c/s1600-h/nomes+em+s%C3%A9rie.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 220px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420342718682444018" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Szjs_APxMPI/AAAAAAAAAsI/rjWSo2Ttb2c/s320/nomes+em+s%C3%A9rie.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-5114305459940290200?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/5114305459940290200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=5114305459940290200&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/5114305459940290200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/5114305459940290200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2007/09/nomes-em-srie.html' title='NOMES EM SÉRIE'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Szjs_APxMPI/AAAAAAAAAsI/rjWSo2Ttb2c/s72-c/nomes+em+s%C3%A9rie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-8412146561292366520</id><published>2007-06-25T19:00:00.001-03:00</published><updated>2009-12-28T15:40:24.028-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contemplar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amar'/><title type='text'>O NOSSO CÉU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estavam os dois deitados na cama de uma pousada linda, cravada numa montanha de Minas, ele no colo dela. Ela fazia cafuné, brincando com os cachos do cabelo dele. Ele, com aquela felicidade calma de quem se sabe no lugar certo, acompanhava com olhos lentos o passarinho que brincava na varanda. Falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Outro dia vi um filme que retratava o céu de uma maneira interessante. Falava que o céu de cada pessoa é diferente do da outra. Que o paraíso é uma coisa particular, como se fosse um somatório das coisas que a gente mais gosta aqui na Terra. Aí eu fiquei pensando como é que seria o meu céu...&lt;br /&gt;- E como ia ser?&lt;br /&gt;- Ah! Pra começar não ia ter carro, nem asfalto, nem engarrafamento. Todo mundo andaria a pé, ou de bicicleta e o chão ia ser de grama, pras pessoas andarem mais descalças.&lt;br /&gt;- É... Isso ia ser bom mesmo. No meu também não ia ter carro não.&lt;br /&gt;- No meu céu também não ia ter revólver.&lt;br /&gt;- No meu também não.&lt;br /&gt;- E no meu céu ia ter uma casa com uma jabuticabeira no quintal. Sem falar que todo mundo ia ter a casa que quisesse. E se alguém não quisesse ter casa, então que não tivesse. E o seu céu?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- No meu céu não ia ter coluna social.&lt;br /&gt;- Nossa! Perfeito. Como é que eu não tive essa idéia?&lt;br /&gt;- E também não ia ter o Faustão.&lt;br /&gt;- Putz! Tô achando que eu vou querer ir pro seu céu. Muito boas as suas idéias... Quem sabe a gente não junta as nossas idéias e faz um céu em dupla?&lt;br /&gt;- Depende... Preciso saber mais sobre o seu céu então.&lt;br /&gt;- Bom, no meu céu ia ter Galo e Cruzeiro todo domingo, e o Galo ia ganhar sempre de goleada, só com gols humilhantes do Reinaldo.&lt;br /&gt;- Uai, e o Éder?&lt;br /&gt;- Tá bom. Do Reinaldo e do Éder.&lt;br /&gt;- Que mais?&lt;br /&gt;- Ah... Ia ter todos aqueles butecos que a gente vai lá em BH. Com a diferença que a gente ia poder tomar todas as cervejas mais geladas com torresmo sem preocupar com barriga nem coração.&lt;br /&gt;- E caipi abacaxi? Não vai ter? Se não tiver, não vou.&lt;br /&gt;- Claro que vai ter! Vê se eu ia esquecer disso!&lt;br /&gt;- Ah bom.&lt;br /&gt;- Também não vai ter banco, bolsa de valores, inflação, risco-Brasil, nada disso. Aliás, nem dinheiro vai ter.&lt;br /&gt;- É. Melhor não mexer com dinheiro não, porque quando tem dinheiro no meio vira um inferno. Só de pensar em banco, fila e boleto pra pagar já me dá enjôo.&lt;br /&gt;- Dois então. Mas pensa mais coisa aí... Me ajuda também, uai! Só eu que dou sugestão...&lt;br /&gt;- Tá. Eu quero que tenha comida japonesa...&lt;br /&gt;- Boa! De preferência combinados de salmão. E muito saquê.&lt;br /&gt;- Saquê é fundamental...&lt;br /&gt;- E depois do japa não pode faltar você peladinha com aquele tesão que você fica quando toma saquê...&lt;br /&gt;- Mas será que no céu pode?&lt;br /&gt;- Claro que pode, uai. O céu é nosso! Aliás, deve! Porque se não puder transar então não é céu: é inferno!&lt;br /&gt;- É, tem toda a razão... Sem transar é inferno mesmo. Tô adorando esse nosso céu!&lt;br /&gt;- Sabe de outra coisa? No nosso céu tem que ter nós dois deitados nessa cama, eu no seu colo, você fazendo cafuné e brincando com o meu cabelo e a gente conversando sobre o céu. Porque pra mim não tem jeito de o céu ser muito melhor que isso aqui não...&lt;br /&gt;- É. Não tem não... Acho que essa cama com você já é um pouquinho de céu mesmo.&lt;br /&gt;- Por mim eu passava o resto da vida aqui com você.&lt;br /&gt;- Quem dera...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E assim dormiram, um enrolado no corpo do outro, como se fosse um bicho só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, três meses depois, já não estão mais juntos. Ele está solteiro, saindo quase toda noite com os amigos, enchendo a cara e ficando cada dia com uma mulher diferente. Tem umas que nem o nome ele lembra. Ela? Ela está namorando um gerente de banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/SzjtVT-cfFI/AAAAAAAAAsQ/PMDEBCkbFEU/s1600-h/nosso+c%C3%A9u.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 264px; DISPLAY: block; HEIGHT: 264px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420343101935615058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/SzjtVT-cfFI/AAAAAAAAAsQ/PMDEBCkbFEU/s320/nosso+c%C3%A9u.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-8412146561292366520?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/8412146561292366520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=8412146561292366520&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/8412146561292366520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/8412146561292366520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2007/06/o-nosso-cu.html' title='O NOSSO CÉU'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/SzjtVT-cfFI/AAAAAAAAAsQ/PMDEBCkbFEU/s72-c/nosso+c%C3%A9u.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-2266214995393959669</id><published>2007-05-30T11:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-26T19:56:10.105-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contemplar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rotina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolher'/><title type='text'>COITADO!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Viu o sinal amarelo e acelerou. Não queria chegar atrasado porque estava correndo feito um louco atrás daquela promoção no seu trabalho, em uma gigante corporação multinacional, precisava paparicar o chefe. Mas não deu. Foi obrigado a frear e esperar o interminável tempo de um sinal vermelho. “&lt;em&gt;Tempo é dinheiro&lt;/em&gt;”, pensou. Apático, viu o malabarista do sinal vermelho se aprontando para mais um número. Sim, para mais um número. Já era rotina: todo dia passava por ali naquele mesmo horário e todo dia via o mesmo número mambembe daquele acrobata que devia ter, como ele, uns 25 anos. Usava uma roupa colorida de circo, mistura de pierrot com bobo da corte, e ateava fogo aos malabares naquele exato momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De dentro do seu carro, os vidros fechados, as portas travadas e o ar condicionado ligado, ao ver bem na sua frente pela centésima vez aquele rapaz da mesma idade que ele fazendo malabarismo no sinal, o jovem funcionário sentiu pena. Sim: teve muita pena. “&lt;em&gt;Que bosta de vida, a desse cara! Como é que pode uma pessoa levar uma vida assim? Acordar todo santo dia na mesma hora, vestir essa mesma roupa de palhaço pra fazer a mesma coisa de sempre!”&lt;/em&gt; Enquanto pensava, ficava atento ao malabarista que, com seus movimentos precisos, criava desenhos de fogo no ar. Parecia ver aquela cena em câmera lenta. “&lt;em&gt;Coitado! Vai passar a vida toda fazendo isso e nunca vai ter o que eu tenho&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número acabou brilhantemente e o malabarista passava de carro em carro com seu chapéu de bobo, na tentativa de recolher um trocado. As janelas dos carros permaneciam fechadas. A grande maioria das pessoas nem olhava, nem reconhecia a existência daquela pessoa. Era como se fosse invisível. Talvez não olhassem para não ter que encarar realmente a sua existência. Alguns até deram algum dinheiro pela greta da janela espelhada, mas sem olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se conheciam de vista, de tanto se encontrarem por ali. O malabarista se aproximou do carro do jovem funcionário: lá estava ele como sempre com seu indefectível terno preto, não obstante o calor de fritar ovo no asfalto, e o impecável cabelo engomado, penteado pra trás, e o suor escorrendo pela testa enquanto tentava afrouxar o opressivo nó da gravata, como sempre. Também como sempre estendeu o chapéu e recebeu do jovem funcionário algumas moedas. O valor de sempre. Cruzaram os olhares e fizeram um para o outro, como sempre, uma ligeira reverência, balançando positivamente a cabeça:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Oi!&lt;br /&gt;-Opa!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sinal abriu e o rapaz arrancou seu veículo. Afinal, ainda tinha que paparicar o chefe. Sentado no meio fio enquanto contava os trocados recebidos, o malabarista pensava naquele jovem funcionário que todo santo dia passava por ali, fosse chuva ou sol, com seu terno preto e seu cabelo engomado. Ficou triste e teve dó do outro. Isso mesmo: também ele sentiu muita pena. “&lt;em&gt;Que bosta de vida, a desse cara! Como é que pode uma pessoa levar uma vida assim? Acordar todo santo dia na mesma hora, vestir essa mesma roupa de palhaço pra fazer a mesma coisa de sempre!”&lt;/em&gt; Enquanto isso, imaginava-o no seu emprego, enclausurado em algum cubículo calorento e recebendo ordens de algum chefe chato, realizando as mesmas tarefas burocráticas de sempre. Parecia ver aquela cena em câmera lenta. “&lt;em&gt;Coitado! Vai passar a vida toda fazendo isso e nunca vai ter o que eu tenho&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso. Todo dia se encontram, e todo dia se despedem desse jeito: um deprimido com a miséria do outro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_QIP4svNzcaw/Rl2KmNYkCcI/AAAAAAAAAAk/JxsfUT7lTo0/s1600-h/coitado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070361144521394626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_QIP4svNzcaw/Rl2KmNYkCcI/AAAAAAAAAAk/JxsfUT7lTo0/s320/coitado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-2266214995393959669?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/2266214995393959669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=2266214995393959669&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/2266214995393959669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/2266214995393959669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2007/05/coitado.html' title='COITADO!'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_QIP4svNzcaw/Rl2KmNYkCcI/AAAAAAAAAAk/JxsfUT7lTo0/s72-c/coitado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-115824572616739332</id><published>2006-09-14T11:35:00.000-03:00</published><updated>2006-09-14T16:36:15.000-03:00</updated><title type='text'>ESTÁ DECIDIDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Está decidido: nunca mais a verei! Nunca mais vou brigar com ela aquelas mesmas brigas. Nunca mais vou olhar na cara dela. Nunca mais vou convidá-la pra sair. Nunca mais ela vai receber um telefonema meu. Nem e-mail, nem mensagem, nem presente, nem carta, nem recado. Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É irreversível. Nunca mais passarei horas no carro em frente à sua casa esperando que ela fique pronta. Não vou mais sair com ela pra beber à toa e jogar conversa fora. Nunca mais vou ficar preocupado com os seus problemas. Não vou mais ligar pra ela do meio da torcida do Galo pra falar o resultado do jogo. Nunca mais vou falar pra ela o quanto ela é linda. Nunca mais vou apertar com força aquela mão, nem morder aquele ombro. Nunca mais vou sentir aquele perfume único, nem elogiar cada roupa mais bonita que a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está decidido: nunca mais ela vai fazer massagem no meu pé. Nunca mais vai ouvir comigo aquela música da Portela. Não tem mais jeito. De hoje em diante, nunca mais quando o telefone tocar eu vou esperar que seja ela. Nunca mais vou escutar o que ela fala, nunca mais vou discordar dela, nem concordar. Não vou mais ficar horas estudando no mapa do Brasil o melhor roteiro pra nossa viagem no Reveillon. Não vou mais ficar escolhendo com ela os nomes que os nossos filhos teriam. Acabaram-se todos os planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está mesmo decidido: nunca mais a verei. Ontem, no velório tão triste, foi a última vez. Ela estava imóvel. E parecia perfeita para se levantar e vir me dar um abraço. Por que não veio? O que faltava àquele corpo que impedia o seu sorriso? Pra que serve tanta lágrima?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertei com toda a força do mundo sua mão tão sem calor e me despedi. Infelizmente não depende de mim. Simplesmente é assim. Está decidido: nunca mais sentirei ciúme. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/dead_juliet.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/dead_juliet.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-115824572616739332?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/115824572616739332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=115824572616739332&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115824572616739332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115824572616739332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/09/est-decidido.html' title='ESTÁ DECIDIDO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-115702815210942634</id><published>2006-08-31T09:20:00.001-03:00</published><updated>2008-11-12T18:54:06.832-02:00</updated><title type='text'>DOIS EM UM</title><content type='html'>De um lado Rubem Braga, do outro Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;De dia Mário Quintana, à noite Rubem Fonseca.&lt;br /&gt;Hoje Carlos Drummond, amanhã Augusto dos Anjos.&lt;br /&gt;Tão diversos um do outro,&lt;br /&gt;seres pensantes, sentintes e solidários&lt;br /&gt;com outros seres iguais e inconscientes.&lt;br /&gt;Sempre reagindo, de maneira singular,&lt;br /&gt;a estímulos e provocações comuns.&lt;br /&gt;Mas sempre reagindo.&lt;br /&gt;Assim somos nós,&lt;br /&gt;eu e mim-mesmo.&lt;br /&gt;Dois em um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/Jekyll-Hyde.1.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/Jekyll-Hyde.1.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-115702815210942634?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/115702815210942634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=115702815210942634&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115702815210942634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115702815210942634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/08/dois-em-um.html' title='DOIS EM UM'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-115584291055914174</id><published>2006-08-17T16:15:00.000-03:00</published><updated>2006-08-24T21:43:50.866-03:00</updated><title type='text'>A ASSASSINA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Quando eu acordo já começo a ficar tenso. Sei que vem pela frente mais um longo dia em que ela vai fazer de tudo pra me matar. Assim tem sido há muito tempo, e sei que hoje não vai ser diferente. O coração já começa a bater forte no café da manhã, porque sei que vou sair de casa. Vou ter que abandonar o único ambiente em que me sinto protegido daquela assassina implacável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de entrar no meu carro, ainda na garagem, faço uma inspeção completa: olho debaixo e dentro do veículo e dou uma conferida no porta-malas pra ver se não tem ninguém. Podem me chamar de paranóico, mas já ouvi vários relatos de latrocínios que aconteceram desse jeito. Não vou deixá-la me vencer assim tão facilmente. Sei que ela mata mesmo e que se eu bobear serei presa fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No engarrafamento, parado no sinal, mantenho sempre fechados os vidros do meu carro. Escondido detrás da película escura, será mais difícil ser alvejado por um de seus homens, desses que pedem no sinal e atacam com cacos de vidro na garganta quando a gente menos espera. Vivo com taquicardia, não relaxo nunca, sempre atento procurando evitar seu próximo ataque. Vários por aí mal sabem que estão jurados de morte e ela, homicida eficiente, vai eliminar a todos, um por um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso me preocupo tanto quando chego ao trabalho. Obsessivo, sempre caminho olhando para trás, tentando me prevenir contra a abordagem repentina de algum suspeito. Qualquer desatenção me custará a vida, pois há anos ela me persegue diariamente, mas há anos venho conseguindo adiar o meu fim. Seus assaltantes e assassinos estão aí, à solta, esperando o menor descuido para concluir o meu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do dia, volto pra casa dirigindo com cuidado, porque sei que ela tem espalhado pelo trânsito alguns de seus matadores mais eficientes. Quando não matam no acidente, matam na briga de trânsito. É tão comum que as pessoas já nem se espantam mais. Mas eu não vou me entregar. Mais um dia está terminando e eu já estou próximo de casa. Minha casa é minha fortaleza. Pago caro pra ter porteiro no prédio, grades pontiagudas, um alarme barulhento e convênio com uma firma de segurança particular exatamente pra evitar que ela consiga me atingir. Nem na polícia eu confio mais. No meu apartamento me sinto protegido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ufa! Até que enfim: lar doce lar! Agora sim posso relaxar. Aqui não sou mais tão vulnerável. Sinto-me vitorioso por escapar mais uma vez ileso daquela criminosa insensível. Descansado, e menos paranóico, posso fazer um saboroso lanche na padaria da esquina. Lá tem um misto quente gostoso a um preço honesto, ideal para finalizar o dia, e fica logo ali: basta atravessar a rua. Sigo conforme manda o figurino. Só atravesso na faixa de pedestres pra evitar qualquer tipo de problema, afinal, nunca se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, sinto um vento forte seguido de um baque: fui pego. Como havia dito, ela é sempre uma matadora muito hábil: venceu-me no meu único instante de desatenção. Um motoboy apressado avançou o sinal vermelho em altíssima velocidade e, sem que eu pudesse reagir, me atropelou. Fui atirado alguns metros e bati a base da cabeça no meio fio. Que raiva! Odeio perder! Meu sangue escorre espesso pelo asfalto enquanto o motoboy acelera cada vez mais. Ele fugiu para poder entregar a tempo sua próxima encomenda. Já não consigo me mexer quando chega um sono incontrolável, seguido de uma confusa sensação de alívio. Sinto-me estranhamente bem, meus problemas acabaram. Morto, estou completo. Algumas pessoas param, mais por curiosidade que por caridade, outras apenas seguem seu caminho, em busca da segurança de suas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu tanto temia aconteceu: ela conseguiu me matar. De nada adiantou tanto zelo, tanta obsessão, toda aquela paranóia diária. De nada adiantaram as grades do prédio, o porteiro e aquele serviço tão caro de segurança particular. Ela usou o velho golpe do motoboy apressado para acabar comigo. Na minha luta pela sobrevivência na cidade, eu perdi. E tome cuidado: a cidade também pode matar você. A cidade é assassina. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/motoboy.6.jpg"&gt;&lt;img style="CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/motoboy.4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-115584291055914174?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/115584291055914174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=115584291055914174&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115584291055914174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115584291055914174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/08/assassina.html' title='A ASSASSINA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-115439667435886581</id><published>2006-07-31T21:28:00.000-03:00</published><updated>2006-08-01T11:42:21.563-03:00</updated><title type='text'>VIDA QUÍMICA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tocou o despertador. Nem parece que eu dormi e já chegou a hora de acordar para trabalhar. Aquela rotina de sempre: banho e depois café da manhã. Um copo de leite desnatado, uma fatia de pão integral com ricota e os primeiros comprimidos do dia. É... Tomo um monte de vitaminas diferentes no café. Uma pra acabar com um tal de radical livre, outra pra evitar a calvície, outra pra tirar pé de galinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não paro por aí não. Vou contar como a coisa funciona: no meu caminho pro trabalho, sempre pego um trânsito muito mala. Fico ali parado naquele calor, no meu carro popular sem vidro elétrico, sem direção hidráulica nem ar condicionado, ouvindo buzinas ensurdecedoras às 7:30 da manhã. Tudo isso pra chegar no meu trabalho que é mais mala ainda. O meu chefe então nem se fala: é insuportável. Não tem nada pior que um burro com autoridade. Ganho pouco pra ser humilhado diariamente. Você precisa ver que delícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me salva, então, é o Prozac. Antes de sair de casa já mando logo um pra dentro, que é pra agüentar esse rojão. Só que com o Prozac eu fico excitado demais e aí, pra contrabalançar, eu tomo dez gotinhas de uns florais de Bach que eu tenho em casa que são uma beleza! Agora sim, posso começar o meu dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo antes do almoço eu tomo uma anfetaminazinha, bem de leve, pra dar aquela diminuída básica no apetite. Saio pra almoçar feliz da vida, com tão pouca fome que umas folhinhas de rúcula com agrião já são suficientes pra me saciar. Depois do almoço, pra finalizar, não pode faltar aquela xícara gigante de café expresso que me deixa elétrico pra agüentar o batente no turno da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que vai chegando o final do dia e o efeito da anfetamina vai passando, começa a bater uma fome negra. Mas comer comida mesmo, de verdade, eu não posso de jeito nenhum, senão eu engordo e todo mundo sabe que no mundo de hoje não tem lugar pra obeso. Gordo hoje em dia só pega mulher se for pagando ou se também for gorda. Todo mundo gosta é daquelas mulheres bem magrelas, que vomitam tudo que comem, com peitão de silicone. Sancho Pança só serve pra ser o engraçado da turma ou o gente boa, e isso eu não quero. Então eu preparo aquele shake Herbalife maravilhoso, que não tem gosto de nada, mas quando bate na barriga vira uma maçaroca que engana a minha fome por mais um tempinho e eu ganho uma sobrevida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto! Saí do trabalho e agora é hora de passar na musculação para dar aquela malhada. Antes, é claro, eu tomo uma injeçãozinha limpeza, que um amigo meu super sangue bom me indicou. É um anabolizante pra cavalo mangalarga que ele me garantiu que não faz mal nenhum, e nele eu confio porque afinal de contas já tem um tempão que ele é faxineiro lá da academia. Na verdade, a minha pele tá ficando meio estragada, minhas costas meio peludas, mas em compensação tô ficando com um bíceps bombante e um abdômen que parece um tanque. Quando acaba a malhação eu devoro uma barrinha de proteína que é a minha última refeição do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satisfeito da vida, saradão, eu tomo um banho e já ligo pra turma da academia pra marcar a balada. Hoje vai tocar aquele mesmo Dj da semana passada e da retrasada que a mulherada adora. O cara acelera com força! O bom é que a música é muito alta, quase ensurdecedora. Isso me salva, porque não dá pra ouvir nada e aí eu nem preciso conversar com o mulherio. Normalmente eu não bebo, porque dá muita barriga. Prefiro tomar um docinho, ou uma bala, o que estiver mais à mão, e aí começo a delirar com aquele bate-estaca. Parece que o cara tá tocando dentro da minha cabeça. A primeira menina que me dá meia olhada já sabe que eu passo o rodo. E passo mesmo, quero nem saber!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí é garantido, com essas meninas de hoje, que vai acabar no motel. E eu, que não sou bobo, já ando com o Viagra na carteira e mando ele pra dentro na hora que eu tô saindo com a gata da boate, que é pra já chegar no motel em ponto de bala. Acelerado por causa do doce e bombando do Viagra, fica fácil. Pego a mulher de um jeito que ela vai chegar em casa destruída, detonada. Eu sou o cara!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O único problema do Viagra é que depois dá uma dor de cabeça que é um espetáculo. Parece que o tampo vai explodir. Mas é pra isso que existe a Neosaldina. É só tomar uma neusa que em meia hora passa a dor. Aí eu deito. Mas não consigo dormir, porque o efeito do doce ainda não passou e eu fico ouvindo meu coração bater como se fosse um terremoto. Abro a gaveta do criado-mudo e pego a cartelinha do Dormonid. Tomo um, dependendo dois, e durmo igual um anjo. No dia seguinte, quando eu acordo, repito tudo outra vez. E não consigo nem imaginar como meus pais e meus avôs, ou até os homens das cavernas faziam pra viver sem essas pílulas milagrosas, esses comprimidos maravilhosos. Viva a indústria farmacêutica! Viva a química!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/pills.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/pills.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-115439667435886581?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/115439667435886581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=115439667435886581&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115439667435886581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/115439667435886581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/07/vida-qumica.html' title='VIDA QUÍMICA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-114986619749531531</id><published>2006-06-09T12:06:00.000-03:00</published><updated>2006-06-12T16:30:06.383-03:00</updated><title type='text'>O JARDINEIRO</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;"Enterrei meu canarinho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;junto à roseira.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Agora, a primeira rosa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;vai amanhecer&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;cantando."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;(Yeda Prates Bernis)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando a gente acorda, e lembra, sente aquela vontade de chorar. Mas chorar por quê? O motivo primordial do lamento é algo que às vezes fica difícil entender. Vejo o rapaz basco de pé diante da Guernica, de Picasso: ele chora. O pai que assiste inquieto ao nascimento da filha também chora. A lavadeira do interior de Minas que viaja uma eternidade para, pela primeira vez na vida, ver o mar. Olhando com os pés molhados a força da rebentação salgada, ela ao mesmo tempo chora e ri. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É isso. O ser humano tem esse dom de sentir. O belo também faz chorar. E quando olho pra trás, tentando recuperar tudo o que posso da vida do meu avô, só o que vejo é beleza: a vibração da família, a elegância no trato com as pessoas, a dedicação incansável ao trabalho e a pureza da caridade. É aquela sensação de que tudo deu certo. Mas na vida real sempre me pareceu impossível um mundo assim, tão perfeito. Talvez tenha havido alguma feiúra, e dela ele nos tenha poupado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Viveu como um jardineiro teimoso, plantando sementes coloridas nesse jardim-mundo preto e branco. E cada uma dessas sementes um dia se tornará árvore. E essas árvores darão os mais diversos frutos, das mais diversas cores e sabores. É assim o milagre da vida. Através do esforço silencioso e constante desse jardineiro que lutou, sem muita ajuda, para transformar em floresta esse nosso deserto. E é por isso que dá vontade de chorar. Chorar sim, de tão bonito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/guernica.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-114986619749531531?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/114986619749531531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=114986619749531531&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/114986619749531531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/114986619749531531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/06/o-jardineiro.html' title='O JARDINEIRO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-114713411465231202</id><published>2006-05-08T21:15:00.002-03:00</published><updated>2008-11-12T19:04:42.306-02:00</updated><title type='text'>AS COISAS DO ATROPELADO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;"Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era exatamente assim, como o personagem de Kafka, que Fabiana se sentia. Lendo “A Metamorfose” ela percebeu de fato uma grande identificação com o protagonista do famoso romance. Mergulhada em suas utopias, há muito já se via como uma aberração: estranhava o mundo em que vivia como se não compartilhasse mais nada com o jeito humano de ser. Não conseguia mais se comunicar direito com as pessoas à sua volta, mesmo as mais próximas, que por sua vez viviam comentando entre si: “&lt;em&gt;Fabiana está cada dia mais louca&lt;/em&gt;!”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A verdade é que Fabiana era de fato, e com orgulho, diferente. Vivia no mundo da contemplação e tinha um compromisso absoluto com a sua própria felicidade. Não fazia concessões e não admitia fazer nada que fosse, para ela, chato ou entediante. Deliciava-se com livros, cinema e obras de arte, e não conseguia de maneira alguma se estabelecer no mundo oficial em que viviam suas amigas. Estas, sempre pragmáticas, moças de famílias tradicionais e respeitadas na cidade, viviam lhe dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Pelo amor de Deus, Fabi! Você vive em outra realidade, minha filha! Parece que faz questão de ser diferente de todo mundo só pra chocar. Não quer saber de namorar ninguém, não acredita em casamento... Vai acabar ficando pra titia se continuar assim. Olha que já está chegando nos trinta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que eu posso fazer, Beatriz? Eu não quero levar uma vida hipócrita. Quero vida de verdade. Vocês todos é que não enxergam o que está debaixo dos seus olhos! Isso aí não é vida pra mim não. Acho pouco. Quando casa é uma beleza, mais depois de um certo tempo eu já vi como que é. Fica aquele relacionamento mecânico, repetitivo, sem paixão, sem taquicardia, sem surpresa nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ora, vamos admitir! Caia logo na real e faça como eu: me casei com o Rodrigo, que eu não amo e nem nunca amei de verdade, mas pelo menos é bem sucedido, me dá uma estabilidade na vida, sabe? Moro num bom apartamento, meus filhos estudam nos melhores colégios, tenho um carro do ano e uma casa de praia em Maresias! O que mais uma mulher pode querer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que mais? Ora, tudo. Tudo o que eu não quero pra mim é essa tal “estabilidade” aí que você tá falando. Estabilidade é rotina! Eu quero uma vida instável, quero altos e baixos, quero rir muito e também chorar, que chorar faz parte da vida. Quero muita paixão e também aceito sofrer. Quero tomar porre e quero curtir a ressaca. Não quero de jeito nenhum um casamento burocrático, com diálogos decorados, jantar fora obrigatório no sábado à noite e beijinho morno de boa noite. Pra ser igual a você, que fecha os olhos pra não ver o marasmo que é a sua vida, que acha que felicidade é um carro zero, que trai e é traída e tá construindo sua vida inteira em cima dessa hipocrisia escrota, prefiro continuar do jeito que eu tô. Eu não sirvo pra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fabiana, tá cada vez mais impossível conversar com você. Só tô querendo te ajudar e você vem me dando essas patadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me ajudar??? Me ajudar??? E desde quando eu tô precisando ser ajudada? Me deixa quieta no meu canto que eu sei muito bem o que eu tô fazendo e assim a gente nem precisa discutir. Adoro você, mas não agüento essa mania de querer ficar me forçando a ser igual a todo mundo. Se isso basta pra você, ótimo! Só que você tem que respeitar a minha opinião e, pra mim, essa vidinha tradicionalzinha não serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem. Mas escuta uma última coisa: aposto que você um dia ainda vai dar o braço a torcer e acabar igualzinha a todas nós. Casadinha, trabalhando que nem uma doida e ainda arranjando tempo pra buscar filho na escola e arrumar a casa pro maridão. Tenho certeza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, Bia, confesso que acho difícil isso acontecer, viu? Principalmente essa parte do “maridão”. Tem tanto cara interessante nesse mundo, tanta gente legal que eu já conheci e tantos que eu sei que ainda vou conhecer... Cada um com um jeito diferente, uma mania, um cheiro... Acho isso bom demais! Quero mesmo é namorar muito, viver ali cada momento de verdade, sentindo o coração bater forte no peito. Esse papo de marido eu não descarto, mas só se fosse mesmo uma pessoa muito especial, tipo uma alma gêmea, mas você sabe que eu não acredito nessas coisas, né Bia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, ai , ai, Fabiana... Você tá cada dia mais distante da realidade...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E era sempre assim. Fabiana falava e ninguém a entendia. Na cabeça das amigas, as suas idéias não faziam o menor sentido. Achavam, realmente, que Fabi estava à beira de ser internada num hospício ou coisa parecida. Da mesma forma, ela não conseguia admitir que alguém pudesse ser capaz de levar uma vida desse jeito premeditado que Beatriz e suas outras amigas levavam. Mas é verdade que Fabiana andava realmente meio perdida. Ela sabia claramente o que não queria, mas não sabia muito bem o que queria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostava muito mesmo era de sair por aí no seu carrinho, meio velho, meio desregulado, indo atrás de uma boa conversa em algum boteco, alguma festa, cantarolando distraída os sambas que gostava de ouvir. E foi justamente numa destas noites que aconteceu o fato que marcaria, talvez para sempre, a vida de Fabiana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Animadíssima naquela noite, a programação começava num bar com alguns amigos dos mais boêmios. Com essa turma, era impossível saber onde terminaria a noite, e ela adorava essa sensação de incerteza, de improviso, essa noção de que tudo poderia acontecer. No caminho para o bar, no seu carro, ela ouvia um cd do Cartola e cantava, ou melhor, gritava junto com o cantor o seu samba preferido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Deixe-me ir, preciso andar,&lt;br /&gt;Vou por aí a procurar,&lt;br /&gt;Sorrir pra não chorar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero assistir ao sol nascer,&lt;br /&gt;Ver as águas dos rios, correr,&lt;br /&gt;Ouvir os pássaros cantar,&lt;br /&gt;Eu quero nascer, quero viver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe-me ir preciso andar,&lt;br /&gt;Vou por aí a procurar,&lt;br /&gt;Sorrir pra não chorar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém por mim perguntar,&lt;br /&gt;Diga que eu só vou voltar&lt;br /&gt;Depois que me encontrar!”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ápice da sua empolgação, Fabiana ouviu um forte estrondo e sentiu um solavanco que quase lhe arranca o pescoço: atropelara algo. Em pânico, desceu do carro e viu quase debaixo dele, estirado no chão sobre uma poça de sangue, o corpo de um homem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Disse corpo e isso pode dar a impressão de que o homem estivesse já morto. Não estava. É verdade que não conseguia se mexer, mas gemia muito: o choque havia sido forte e ele devia estar todo quebrado, muito machucado. Sem conseguir se mexer também estava ela, atônita, no meio da rua. O trânsito não parou. Os carros continuavam a passar em alta velocidade na avenida. No máximo buzinavam uma buzina raivosa. E não havia pedestres. A avenida larga e asfaltada era terreno inóspito para a caminhada e a prova disto era aquele rapaz de camiseta branca, calça jeans e tênis All Star que agonizava debaixo do carro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela então ouve uma voz. Era ele, o atropelado. Com dificuldade, o sangue escorrendo, pediu que ela fizesse alguma coisa, chamasse uma ambulância. Só assim ela saiu do estado de choque. Venceu a inércia, ligou para o socorro e tentou conversar com o ferido. Chegou bem perto para entender o que ele tentava sussurrar, tão perto que sentiu seu hálito de sangue. A alça da bolsa que ele carregava havia se enrolado em seu pescoço e dificultava-lhe a respiração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desesperada, mas com muito cuidado, ela conseguiu desenrolar e retirar a bolsa no exato momento em que chegava o socorro. Rápidos e sem fazer muitas perguntas, os médicos iniciaram o atendimento ao rapaz. Fabiana ficou ali, parada, observando tudo e segurando aquela bolsa suja de sangue que há poucos instantes retirara. Em poucos instantes, a ambulância partiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de resolvidas todas as questões policiais e burocráticas ela correu alucinada para o hospital. Estava muito preocupada com a saúde do moço e, ainda por cima, tinha ficado por engano com a sua bolsa. Sentou-se na sala de espera, aguardando ansiosa o boletim que o médico lhe prometera. Tremia enquanto idéias desconexas passavam por sua cabeça: “&lt;em&gt;Como é frágil a vida humana! Adoro os sambas do Cartola! Todo mundo deve estar se divertindo no bar... Será que a família daquele homem já sabia do seu atropelamento? Ai que preguiça da Beatriz! Que pena que o inseto morreu no livro do Kafka! Será que aquele rapaz que eu atropelei tinha namorada? Será que ele vai morrer&lt;/em&gt;?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não suportou. Tinha necessidade de se sentir íntima daquele homem que atropelara. Abriu a bolsa à procura de alguma coisa que lhe ajudasse a conhecer melhor aquela pessoa. Encontrou, no primeiro compartimento, um Ipod. Isso mesmo, um daqueles aparelhos portáteis que armazenam fotos e tocam músicas. Sabia que mexer no aparelho seria invasão de privacidade, mas não conseguiu evitar e foi, aos poucos, se impressionando. Olhando as fotos, foi acompanhando e montando na sua cabeça uma história da vida do moço que ela sabia que estava entre a vida e a morte. Nas fotos, ele aparecia ainda pequeno, no colo da mãe e do pai, depois numa festa de aniversário com bolo e tudo. Aos poucos o menino da foto ia crescendo e se transformando no adulto que ela atropelou. Como ele era bonito!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O peito de Fabiana começou a doer forte à medida que ela ia identificando uma série de impressionantes coincidências entre eles. Algumas fotos mostravam exatamente as mesmas praias pequeninas e quase desertas não fossem as vilas de pescadores que Fabi adorava conhecer. Outra foto mostrava o estádio do Mineirão, no meio da torcida do Galo, exatamente no mesmo lugar da arquibancada em que Fabiana gostava de se sentar pra torcer até ficar rouca e tomar cerveja com os amigos. Rodas de samba, botecos, churrasco com amigos, cidadezinhas do interior, uma casa com rede na varanda: tudo que aparecia naquelas fotos representava precisamente o universo que Fabiana adorava habitar. Começou a olhar a coleção de músicas e seu espanto foi ainda maior. Trazia no aparelho uma coleção completa e eclética de samba e tudo o mais que ela gostava de ouvir: estavam ali Cartola, Nelson Cavaquinho, Clara Nunes, Chico Buarque, Tom e Vinícius, Paulinho da Viola... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentiu uma vontade muito grande de chorar. O corpo que há pouco estava debaixo de seu carro foi deixando de ser um anônimo, uma pessoa qualquer. Diante dos seus olhos, através das fotografias e das músicas, foi se formando um sujeito, um ser humano com uma história de vida, uma família, amigos e um gosto musical. O corpo virou gente, se humanizou e ainda por cima começava a dar à Fabiana a impressão de que havia atropelado um conhecido, um grande amigo, ou até um namorado. Aquele homem, cada vez mais bonito, freqüentava o mesmo mundo que ela. Lembrou-se então da conversa que tivera com Beatriz e quase acreditou que acabara de atropelar a tal “alma gêmea”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi quando chegou o médico trazendo notícias. Interpelado afoitamente por Fabiana, explicou que havia feito todos os procedimentos necessários e que o rapaz estava em coma devido a uma série de traumatismos na cabeça. A situação dele era bastante grave, mas havia esperança de que ficasse bom.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fabiana chorou. Chorou muito. Sentou-se num canto da sala de espera e lá ficou chorando um choro silencioso enquanto revia todas as fotos e ouvia todos aqueles sambas. Cansada, os olhos vermelhos, resolveu abrir novamente a bolsa do atropelado para guardar o Ipod e deixou cair dela um livro: era “A Metamorfose”, de Kafka.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/metamorfose1.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/metamorfose1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-114713411465231202?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/114713411465231202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=114713411465231202&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/114713411465231202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/114713411465231202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/05/as-coisas-do-atropelado.html' title='AS COISAS DO ATROPELADO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-114252189241261350</id><published>2006-03-16T11:51:00.000-03:00</published><updated>2006-03-16T15:55:00.293-03:00</updated><title type='text'>PARA SEMPRE PETER PAN</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/PETER%20PAN.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/200/PETER%20PAN.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;"Ora, se não sou eu&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: right;"&gt; &lt;div style="text-align: left;"&gt; &lt;/div&gt;     &lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt; quem mais vai decidir&lt;br /&gt;o que é bom pra mim?&lt;br /&gt;Dispenso a previsão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o que eu sou&lt;br /&gt;é tambem o que eu escolhi ser,&lt;br /&gt;aceito a condição!"&lt;br /&gt;(Rodrigo Amarante&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não gostei de ser adulto. Chato demais. Pode parecer clichê, e talvez seja mesmo, mas tenho saudade de ser criança. Ao contrário do que se possa imaginar, na passagem da infância para a vida adulta não há evolução. A verdade é que se perde muito mais do que se ganha. Tornamo-nos cada vez mais burros, automatizados, aceitamos cada vez mais a rotina a medida em que vamos deixando de lado a contemplação ingênua e a curiosidade intrínseca da criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; O adulto acorda todo dia na mesma hora, vai pro seu trabalho e fica lá o dia inteiro repetindo à exaustão suas tarefas. Seja assinando papéis, pagando contas ou carimbando vias, ele passará o dia fazendo exatamente as mesmas coisas que fez no dia anterior. Até que chega um dia em que trabalhar é como dirigir um carro, ou seja, uma tarefa totalmente automática que sequer exige dele alguma atenção. Pior ainda é o momento em que essa postura desatenta extrapola o ambiente de trabalho e atinge a vida de maneira mais geral. É justamente nessa hora que faz falta o exemplo da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto falta dessa criança, de não conhecer como conheço hoje a imperfeição do ser humano. A maldade daquele que tortura, a corrupção, a inacreditável ganância dos homens que se matam não por um prato de comida, mas por mais um milhão para colocar na já gorda conta bancária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança está sempre conhecendo o mundo. Quase tudo é novidade. Para ela não há verdades absolutas, e por isso ela está sempre questionando. É difícil separar na mente infantil os conceitos de real ou irreal, fato ou sonho. Lembro-me claramente de dúvidas ingênuas que tive na infância. Achava por exemplo que ladrões, bruxas e vampiros faziam parte do mesmo grupo de seres fantasiosos que só existiam em histórias fabulosas. Quando descobri que os ladrões existiam de fato fiquei apavorado por achar que, portanto, também seriam reais as bruxas e os vampiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não há como voltar no tempo, ou ser criança para sempre, como Peter Pan, o que me resta é tentar pensar com a cabeça do menino que um dia eu fui. Destruir todas as verdades absolutas que, ao longo dos anos, foram colocando na minha cabeça: que só posso ser feliz desse jeito ou daquele, que tenho que arrumar um trabalho assim ou assado, que tenho que usar aquela roupa da moda, que tenho que me casar com aquela moça de “boa família”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou fazer como uma criança que está conhecendo agora o mundo, sem saber ao certo o que é verdade e o que é mentira. Questionando um por um esses dogmas estabelecidos pela hipocrisia e tabus construídos na mediocridade vou ser mais capaz de saber o que é bom pra mim. A vida é curta demais pra eu perder meu tempo seguindo um caminho que foi traçado por outros. Assim como Peter Pan, vou lutar para escapar do tic-tac sem fim do relógio na barriga do crocodilo. Não quero ser, de jeito nenhum, um adulto chato que senta no restaurante caro da moda com seu terno cinza enquanto vomita o jargão dos “bem sucedidos”. Vou procurar o meu próprio caminho. Vou fazer do meu jeito. E se eu errar, que seja um erro meu.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-114252189241261350?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/114252189241261350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=114252189241261350&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/114252189241261350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/114252189241261350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/03/para-sempre-peter-pan.html' title='PARA SEMPRE PETER PAN'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-113745538156709444</id><published>2006-01-16T21:26:00.000-02:00</published><updated>2007-09-26T19:52:07.846-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trepar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trair'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amar'/><title type='text'>SERENA OU VALENTINA</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não tinha mais como adiar aquela decisão. Havia mais de três anos que Fortunato vinha levando uma vida dupla. Namorava ao mesmo tempo duas meninas: Serena e Valentina. O fato de elas não se conhecerem e até morarem longe uma da outra não impediu que a bigamia do Fortuna fosse descoberta. Ele mesmo vivia dizendo para os amigos:&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Mais cedo ou mais tarde minha casa vai cair...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E realmente não deu outra: a casa caiu. Fortunato entrou de mãos dadas e trocando bitocas com Serena no elevador lotado, sem perceber que lá dentro já estava Valentina. A baixaria começou ali mesmo. Valentina, que nunca fez a menor questão de manter a linha, já deu o berro e buscou Serena pelo cabelo, diante do olhar atento da animada platéia: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;-Vagabunda! Prostituta! &lt;/span&gt;Serena, sempre impassível, nem reagiu. Deve ter levado umas sete bolsadas da agressora sem fazer ao menos a menção de se esquivar. Enquanto isso Fortunato tentava, em vão, separar a briga no elevador lotado, por entre os sovacos suados dos curiosos passageiros. E foi assim. A partir daquele dia, tornou-se pública a bigamia praticada pelo Fortuna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Entretanto, a verdade é que nenhuma das duas terminou de cara o relacionamento com o rapaz. O que aconteceu foi um ultimato bilateral: depois de recíprocas unhadas, pescotapas e hematomas, Serena e Valentina se uniram num bizarro conchavo exigindo do malandro Fortunato a escolha definitiva. &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;–Ou uma, ou outra!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Verdadeiro pânico tomou conta do rapaz. Para ele parecia totalmente impossível e absurdo optar por uma delas e abdicar da outra. Angustiado e impotente, resolveu pedir ajuda ao seu melhor amigo e confidente, o Peixe Elétrico, que acabava de voltar de longo exílio e poderia ter opinião imparcial, uma vez que não conhecia nenhuma das pequenas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O Peixe Elétrico era alto e magro. Aliás, magro não: era esquelético. De longe se podia ver a efusão de costelas que lhe transpareciam a pele fina e branca. Na adolescência, foi viciado em todo o tipo de droga. Tomava de uma só vez os mais diversos comprimidos como uma criança pançuda devora jujubas. Bebia, cheirava, injetava e, se fosse o caso, até supositório ele aceitava. E dessa época de rotineiros excessos herdou o apelido e uma seqüela: um tique nervoso que fazia com que seu corpo todo tremesse, num intervalo perfeito de dezenove segundos, como um relógio. Isso mesmo: precisamente de dezenove em dezenove segundos vinha o tremor inadiável. Seus olhos reviravam, os pêlos do corpo todo eriçavam e o rosto vibrava fazendo pender de seu lábio um princípio de baba, como que numa crise epiléptica de um segundo de duração. E foi justamente a ele que Fortunato recorreu a fim de aplacar a aflição da escolha impossível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sentaram-se no tradicional ponto de encontro, o Bar do Cabelo. Depois da confraternização inicial, Fortunato iniciou a conversa que mudaria para sempre o seu destino:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Pelo amor de Deus! O que é que eu faço, Peixe Elétrico?&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Quem diria, hein, Fortuna? Justo você, sempre o malandrão, o descolado, foi parar nesse mato sem cachorro...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Pois é, meu irmão. Tô num beco sem saída. Não consigo viver sem as duas. Não basta uma, Peixe. Preciso das duas! Das duas!&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Só tem um jeito, cara. Você tem que comparar as duas item por item, situação por situação, e ver qual delas é melhor pra você.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Como assim? Explica isso direito.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Pra começar, faz um resumão das duas pra mim. Fala das características básicas, de como elas são com você.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Ah, cara, é o seguinte: a Serena é meu nenenzinho, um anjo, a paz em pessoa. Ela é meu porto-seguro. E a Valentina é exatamente o contrário. A Valentina é fogo, rapaz. Dá um trabalho! Grita, me xinga, me arranha, mas me adora. E eu também adoro, dá pra entender?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Mais ou menos... No dia-a-dia, como elas são? Preciso de mais dados pra te ajudar, Fortuna...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-A Valentina é um pitbull. Nunca vi mulher mais brava e mais ciumenta. Do lado dela eu vivo com taquicardia, só esperando a hora em que aquela bomba relógio vai explodir. É uma barraqueira de marca maior. Nem de motivo pra brigar comigo ela precisa. Na falta de motivo, ela inventa um. Já terminou o namoro comigo uma vez porque eu não soube falar se a carne que eu tinha comido no natal era pernil ou tender. Ela é dose, cara.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-E a Serena?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Ah, a Serena é exatamente o contrário. É um amor. Evita a todo custo brigar comigo, super compreensiva. Me deixa jogar meu futebol, tomar minha cervejinha com a turma sem stress. Não me traz problema nenhum, só traz solução.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Entendo, entendo. E na cama, como que é a Serena?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Bom, a Serena na cama é mais ou menos, mas é uma gracinha. Ela faz a linha mais passiva, toma menos a iniciativa da coisa, tá me entendendo? Mas do jeito dela ela sabe ser uma delicinha. Fica lá me olhando e deixando eu fazer com ela tudo que eu quero. Uma princesinha...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-E a Valentina? Como é?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Aí, não. São outros quinhentos! A Valentina é sensacional! Um espetáculo! Porque a nossa história é entre tapas e beijos, sabe como é? A gente tá sempre brigando e faz as pazes no sexo. E a Valentina é ativa na cama, domina a situação de uma maneira. Com ela não tem tabu. Entre quatro paredes ela faz de tudo, topa tudo. Ela é demais, Peixe...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Sei, sei. Desse jeito fica difícil, pô.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Mas é exatamente isso que eu tô te falando desde o começo! Porra, Peixe Elétrico! Minha situação tá foda!&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Calma, sem desespero. Descreve pra mim como elas são fisicamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-A Valentina é maravilhosa, uma beleza agressiva. Tem um rosto lindo, morena, estilo índia, capa de revista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-E a Serena? Vai me falar que também é maravilhosa?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Mais ou menos. A Serena é bonitinha, uma beleza mais angelical. Agora, você tem que ver o corpo da Valentina! Um avião. Um metro e setenta, poderosa, uma bunda e uns peitos gigantes, descomunais. Eu saio com ela na rua e o trânsito pára. A galera chega a aplaudir. Isso me dá a maior dor de cabeça porque fica cheio de gavião em cima. Eu tenho que ficar policiando o tempo todo pra não acabar igual um alce, com a cabeça cheia de galho. Nesse ponto, a Serena me dá muito menos trabalho, porque o corpo dela é bonitinho, mas não chama muito a atenção. Ela é mais magrinha, pouco peito. Mas é como eu te falei: acho um tesão também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Olha, cara, situação difícil a sua. Mas sabe como é... Você concorda que a mulher que você escolher vai querer casar rapidinho?&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Concordo. Disso eu tenho certeza.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Pois é. E depois de tanta loucura que eu já fiz nessa vida, hoje eu posso falar que eu sou um cara mais tradicional, principalmente quando o assunto é casamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-O que você quer dizer com isso, Peixe?&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Tô te falando que, pelo que eu entendi, mulher pra casar mesmo é a Serena. Vê se você concorda comigo: isso que você sente pela Valentina é uma paixão muito forte, intensa. Só que todo mundo sabe que não existe nada mais eficaz pra acabar com uma paixão que um casamento. Com o tempo, essa paixão vai acabar e o que vai restar é uma mulher ranzinza, brava, chata e mandona e que ainda por cima vai acabar dando pro vizinho. Com ela, a sua vida vai virar um inferno em pouco tempo, cheia de altos e baixos. Já a Serena, pelo que você mesmo me falou, é o seu porto seguro. É desse tipo de mulher que nasceu e foi criada pra ser esposa, dona de casa e companheira dedicada. No longo prazo, a tendência é só melhorar. Você vai aprender a gostar cada vez mais dela. Se você quer mesmo saber a minha opinião, a Serena é a pessoa mais certa pra você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:georgia;" &gt;-Porra, Peixe Elétrico. Quem te viu, quem te vê! Você agora me surpreendeu mesmo. Que dissecador do comportamento humano! Que sensatez! Você falou tudo que eu precisava ouvir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E foi assim, depois dessa conversa no Bar do Cabelo, que Fortunato resolveu dispensar Valentina e eleger de vez Serena como sua companheira. Casaram-se, tiveram dois filhos e levavam uma vida tranqüila, quase monótona, sem altos e baixos como previra o sábio Peixe Elétrico. Construíram juntos uma casa mais ou menos espaçosa, num bairro mais ou menos luxuoso da cidade, onde criaram seus filhos, que por sua vez eram alunos mais ou menos bem sucedidos de uma escola mais ou menos conceituada na região.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, ninguém pode dizer se Fortunato fez a escolha certa. A única coisa que se sabe é que, aos 45 anos, ele sofreu um infarto fulminante no banheiro de casa enquanto se masturbava. Serena o encontrou já morto, sentado no vaso sanitário com as calças arriadas e uma foto de Valentina na mão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/serenaouvalentina.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/400/serenaouvalentina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-113745538156709444?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/113745538156709444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=113745538156709444&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/113745538156709444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/113745538156709444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/01/serena-ou-valentina.html' title='SERENA OU VALENTINA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-113693155061927286</id><published>2006-01-10T20:11:00.000-02:00</published><updated>2006-01-10T20:23:52.403-02:00</updated><title type='text'>O CHICABON</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Foi numa dessas cidadezinhas deliciosas do interior mineiro. Não interessa saber exatamente onde, só interessa que foi em Minas. Quem já percorreu de alguma forma essas estradas sabe muito bem do que estou falando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Lá estava eu, sentado num bar de esquina tomando uma cerveja gelada na companhia de bons amigos quando aconteceu: na outra esquina, encostada numa mureta rosa, aquela menina chupava descansadamente um chicabon. Isso mesmo: com a leveza de quem tem a cabeça vazia de problemas, ela resolveu sentar-se ali, naquela mureta rosa, enquanto chupava tranqüila e displicentemente o seu picolé.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Devia estar lá pelos seus 15 anos. Linda, esbelta, corpo perfeito. Poderia ser considerada já uma adulta não fosse pelo ar desengonçado de quem ainda não se sabe mulher. E lambia aquele picolé como se o tempo tivesse parado. Naquele momento, o mundo era aquele chicabon. O maior problema a ser enfrentado era chupá-lo antes que se derretesse e lambuzasse a sua ventilada roupa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Pode parecer banal, mas vejam, não é. Não se vê mais uma cena como essa nas grandes cidades. A correria do dia-a-dia torna inconcebível esse momento trivial de paz e tranqüilidade. Estamos sempre correndo, com pressa, não se sabe atrás do quê. Tudo é urgente. Contas a pagar, prazos a cumprir, buzinas frenéticas no carro que não sai do lugar. E, nessa rotina robótica, não há espaço para o tal chicabon. Ai daquele que for visto sentado no meio fio chupando um picolé. Logo lhe darão o implacável veredicto: -Preguiçoso... Vagabundo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Porque, na metrópole poluída, respeitado mesmo é o sujeito que se mata nessa correria absurda, vende as férias, leva o trabalho pra dentro de casa nos fins de semana e mal percebe os filhos crescendo. Dessa maneira, esse “bem sucedido” cidadão, com seu dinheiro suado muito bem investido em rentáveis aplicações, vai levando sua vida até o dia em que pifa para sempre o seu estressado coração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Além disso, outro empecilho ao pobre chicabon: impera agora a cultura do homem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;light&lt;/span&gt;. O homem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;light&lt;/span&gt;, para quem não conhece, jamais chuparia um picolé. Ele toma cerveja sem álcool, café descafeinado, leite desnatado e come doce sem açúcar. O homem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;light&lt;/span&gt; tirou a essência de tudo. Tudo para ele é proibido. O picolé, um perigoso e calórico veneno. De tanto proibir a essência de tudo, acabou ele mesmo se esquecendo de sua própria. Qual será mesmo, se é que existe, essa perdida essência do ser humano?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na verdade, trata-se de uma pergunta de difícil resposta. Mas, enquanto isso, com sua abençoada ignorância dos problemas que os adultos inventam, aquela menina saboreava languidamente seu chicabon. Um picolé tem 400 calorias? 600 calorias? A bolsa de valores caiu? E daí? Sábia aquela menina sentada na mureta rosa com seu demorado chicabon.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/chicabon2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/400/chicabon2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-113693155061927286?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/113693155061927286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=113693155061927286&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/113693155061927286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/113693155061927286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2006/01/o-chicabon.html' title='O CHICABON'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-113164268923584422</id><published>2005-11-10T14:49:00.000-02:00</published><updated>2005-11-10T16:20:01.003-02:00</updated><title type='text'>ALMA GÊMEA É O K...</title><content type='html'>&lt;div class="Section1"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;MINI TRAGICOMÉDIA DE COSTUMES EM 5 ATOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;PRIMEIRO DIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;(Alberico está sentado na mesa do bar tomando um chope com a cara mais feliz do mundo quando chega o seu bom e velho amigo Coutinho).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Fala, meu ídolo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Grande Coutinho! Senta aí logo e toma um chope comigo pra comemorar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – É, nego! Tô vendo mesmo que cê tá com uma cara ótima. (&lt;i style=""&gt;Pede um chope&lt;/i&gt;). Anda. Desembucha, meu filho! Estamos comemorando o quê? Pode soltar a bomba...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Coutinho, o negócio é o seguinte: conheci a mulher da minha vida! Tô querendo me casar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;exaltado&lt;/i&gt;) – Que brincadeira é essa, Alberico? Não brinca com assunto sério não!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – É sério, Coutinho. O pior é que é sério. Aliás, nunca falei tão sério na minha vida!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Você pirou, Alberico? Pirou de vez? Você é o nosso ídolo! O ídolo da turma toda exatamente porque nunca caiu nessa cilada de se apaixonar por mulher nenhuma. Vive por aí cada dia com uma mulher diferente, uma mais gostosa que a outra... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Eu sei, Coutinho, eu sei. Mas agora isso vai acabar. Eu mesmo tô assustado, rapaz. Cada segundo que eu passo longe da Cacau eu tenho a impressão que tô perdendo meu tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Isso passa, homem de deus! Isso passa! Eu já caí nessa, o Júlio já caiu nessa. Todo mundo já caiu, menos você Alberico! Você não! Você é a redenção da nossa turma toda! Todo mundo queria levar a vida que você leva, mas a gente não pode mais: já fizemos a burrada e agora não tem volta. A gente morre de inveja da vida que você leva e você vem me dizer que tá apaixonado? Tenha a santa paciência! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Você não tá entendendo, Coutinho. Não tem como fugir, cara. Está escrito, é destino, sei lá. Só sei que a Cacau é a minha alma gêmea.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/ALMA1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/ALMA1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;   &lt;/div&gt;       &lt;div class="Section2"  style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;SEGUNDO DIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;(Um mês depois: Os dois estão sentados no mesmo bar, bebendo e conversando.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Agora me esclarece uma coisa aqui, Alberico: Você ainda continua insistindo naquele papo besta de alma gêmea?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Besta nada, Coutinho! Besta nada! Você precisa conhecer a Cacau pra entender o que eu tô falando. A gente vai se casar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;preocupado&lt;/i&gt;) – Alberico, pelo amor de deus escuta aqui o seu amigo! Não cai nessa não, mestre. É fria! Casamento é fria!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – A gente se ama, Coutinho! Entende uma coisa: a gente não agüenta ficar um segundo longe um do outro. Eu não escolhi isso. Simplesmente aconteceu, cara!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;exaltado&lt;/i&gt;) – Como assim aconteceu, Bericão? Como assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;extasiado&lt;/i&gt;) – Ela é toda linda! É perfeita! Você tem que ver. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Só anda de sandalinha baixa, pé no chão, e lava a cabeça com sabão de coco... De uma simplicidade que só vendo! E olha que tem só 18 aninhos...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;indignado&lt;/i&gt;) – 18 anos? 18 anos? Você vai se casar com uma criança? Cê tá maluco, Alberico?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Calma, Coutinho. Calma, rapaz. Deixa eu te contar, pô. Ela tem só 18, mas parece mais. Ela é uma mulher madura, cara. Não é igual essas menininhas que tem por aí não. Super culta, interessada. Ouve o Guinga, cara! Ela simplesmente a-do-ra o som do Guinga...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Som de quem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Guinga, porra. Um dos maiores gênios desse país, pô. Tá vendo, Coutinho? É esse tipo de ignorância que eu não agüento mais, e é por isso que a Cacau é diferente...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Porra, Bericão, não precisa ofender, cara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Foi mal, cara. Foi mal. É que eu fico empolgado quando falo da Cacau.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – E você vai se casar com uma criança que não sabe nada da vida só por causa desse tal de Ginga?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;impaciente&lt;/i&gt;) – Guinga, Coutinho. Guinga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;   &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/ALMA2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/ALMA2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div class="Section3"  style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;TERCEIRO DIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;(Coutinho sentado na mesa do bar tomando um café. Alberico chega distraído, derrubando a xícara).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Que é isso, Alberico? Tá no mundo da lua?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Na lua não, irmão, eu tô é no céu!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Tá no céu por que, filhão? Conta logo! Quer matar seu amigo de curiosidade?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;em êxtase&lt;/i&gt;) – É a Cacau. Nossa, nem te conto...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;exaltado&lt;/i&gt;) – Como “nem te conto?” Conta sim, uai. Sou todo ouvidos! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Tô acabando de chegar do motel. Passei a noite lá com a Cacau.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Mas e daí?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – E daí que eu tô completamente transtornado, Coutinho. Tô até com medo de mim, sentindo um aperto no peito igual eu nunca senti antes. Agora eu tenho certeza que ela é minha alma gêmea.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Ai, ai, ai... Lá vem você de novo com esse papinho... O que é que foi dessa vez?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Alberico, você não imagina o que é a Cacau na cama. Eu tremo só de pensar! A mulher é um espetáculo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Agora você tá falando a minha língua, rapaz! Anda! Conta tudo. Tudinho mesmo. Quero riqueza de detalhes!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Então lá vai: pra começar, você não faz idéia do que é o corpo dessa menina! Um metro e setenta de altura, barriguinha sarada, com direito a piercing no umbigo.(&lt;i style=""&gt;Coutinho começa a uivar, animado&lt;/i&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;salivando&lt;/i&gt;) – E a peitaria? Como que é a peitaria?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – O peito dela é a coisa mais gostosa desse mundo. Tamanho ótimo, quase grande demais, tipo os peitos da D. Natália. Lembra da Natália, mãe do Dirceuzinho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Se lembro! &lt;st1:personname&gt;Du&lt;/st1:personname&gt;as turbinas maravilhosas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – E tem sempre uma marquinha de biquíni que é um negócio! E o melhor: empinadinhos, com os biquinhos rosadinhos sempre apontando pro ventilador de teto! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Agora essa sua paixão tá começando a fazer sentido. Agora sim! Esse é o Alberico que eu conheço!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;   &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/ALMA3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/ALMA3.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div class="Section4"  style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;QUARTO DIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;(Coutinho chega à mesa do bar e saúda Alberico).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – E aí, meu ídolo! Continuas rasgando a menininha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Opa! Mais respeito aí, hein, Coutinho? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Calma. Tô brincando, sô. Mas fala aí... Abre o jogo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Pra te falar a verdade, eu já nem sei mais quem tá pegando quem...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;curioso&lt;/i&gt;) – Como assim? Explica isso aí, uai!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – É que a Cacau tá cada dia melhor na cama, Coutinho, uma coisa inacreditável. Uma desenvoltura, um repertório de posições, cada uma mais acrobática que a outra!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;batendo nas costas do amigo&lt;/span&gt;) – Você é mesmo um garimpeiro, hein, Bericão? Sempre encontra essas pedras preciosas por aí... Carne nova, gostosa e ninfomaníaca! É por isso que você é o nosso ídolo! Tu é um cara diferenciado, meu irmão! Que fase! Que fase!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;desanimado&lt;/i&gt;) – É, mas só que...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Só que o quê? Anda! Desembucha!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Só que eu ando meio desconfiado, sabe Coutinho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Por que, cara? Desconfiado de quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Por exemplo: fico pensando onde é que a Cacau tá aprendendo essas posições novas, esse repertório sexual dela...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Ah não! Deixa de ser careta! Hoje em dia se aprende isso em tudo que é lugar. Na tv a cabo tem uns programas que só falam nisso. Sem falar nos livros, na internet, até na escola, viu? Até na escola!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Outro dia, no motel, no meio do ato, ela me chamou de um nome estranho...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Que nome?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; –&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mandioca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Mandioca?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; (&lt;i style=""&gt;envergonhado&lt;/i&gt;) – É...Mandioca...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;   &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/ALMA4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/ALMA4.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: center;font-family:georgia;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;QUINTO DIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;(Coutinho chega animado à mesa do bar. Alberico pensativo).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Se não é o meu grande amigo Mandioca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Não pisa, Coutinho. Não pisa que eu tô sofrendo. Tô sofrendo horrores... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – E desde quando meu ídolo sofre? Tá sofrendo por quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – A Cacau. Me deu um pé na bunda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Tá falando sério? Que é que aconteceu, homem de deus?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Por e-mail, dá pra acreditar? A minha alma gêmea, a única mulher que me tirou do sério a minha vida inteira terminou comigo pela internet. Mandou um e-mail falando que tinha conhecido outro cara e que tava indo embora pra morar com ele em Jericoacoara. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Ele quem? Quem é o cara, Bericão? Tu já sabe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Sei: o Mandioca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Mandioca?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – É. Mandioca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Mandioca???&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Mandioca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – E por quê o apelido do cara é Mandioca, meu irmão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Porra, Coutinho, que crueldade, cara. E precisa perguntar? Tá na cara, pô. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – É. Se bem que é mesmo. Mandioca só pode ser uma coisa... Tá mais que óbvio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Pois é.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – E você tá muito mal? Precisando de alguma coisa é só falar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Tô mal, cara, claro! Minha alma gêmea tá numa praia paradisíaca com um cara que chama Mandioca. Você queria o que?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;C&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;outinho&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; – Mudando de assunto, Bericão. Dá só uma olhada na mulata que acabou de entrar...&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: georgia;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Alberico&lt;/b&gt; – Nossa senhora! Que ferramenta, hein, Coutinho? Que espetáculo! Peraí que eu vou lá nela. Em branco é que eu não posso deixar passar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;Coutinho&lt;/b&gt; – Uai, Bericão? Mas já? E aquele papo de alma gêmea pra lá, alma gêmea pra cá? A defunta ainda nem esfriou, pô...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="font-family: georgia;"&gt;Alberico&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt; – Ah, quer saber Coutinho? ALMA GÊMEA É O CARALHO!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/ALMA5.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/ALMA5.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-113164268923584422?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/113164268923584422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=113164268923584422&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/113164268923584422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/113164268923584422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/11/alma-gmea-o-k.html' title='ALMA GÊMEA É O K...'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-112843037466244277</id><published>2005-10-04T09:44:00.000-03:00</published><updated>2005-10-04T10:23:07.233-03:00</updated><title type='text'>MATANDO OS PRÓPRIOS FILHOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contra a proibição das armas, podemos listar uma série de bons argumentos: o cerceamento de um direito de escolha, a vulnerabilidade do cidadão da Zona Rural (onde a polícia não chega), o estímulo ao tráfico e ao contrabando de armas (uma vez que a nossa polícia já se mostrou incapaz de fiscalizar nossas fronteiras), etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entendo perfeitamente. A argumentação é excelente, mas continuo contra as armas. Minha visão, nesse caso, chega às raias da utopia, admito. Discordo da organização social desigual como um todo e, no meu ponto de vista, grande parte dos criminosos acaba por ser resultado dessa sociedade viciada e injusta. Então compramos armas para nos defender e matar muitas vezes aqueles que, assim como nós, são vítimas desse ciclo vicioso.&lt;br /&gt;Pense numa pessoa que não teve base familiar, não teve oportunidade de se educar, não tem a menor noção do que seja uma postura ética diante da vida e acaba tragada pela tentação e o status do crime organizado. É um marginal. Marginal no sentido de que passa uma vida inteira à margem, excluído das oportunidades sociais, e é justamente nessa penumbra que o seu caráter é formado. É um filho da sociedade, parido e criado por ela. Alguém pode argumentar citando exemplos de várias pessoas que não tiveram chance e mesmo assim não se deixaram levar pelo caminho do crime, mas esses são os excepcionais. E uma sociedade, mais uma vez na minha opinião, não pode exigir de seu cidadão que ele seja um fora-de-série. Por isso o sistema é perverso: abandona nas condições mais desumanas um filho seu e depois julga melhor dar-lhe um tiro para resolver o problema que a sua própria omissão criou.&lt;br /&gt;Daqui a uns mil anos, quando formos uma Suíça, serei totalmente a favor da liberação das armas. Prometo renascer no Brasil, tirar meu título de eleitor, votar a favor das armas no referendo do ano de 3005 e sair por aí com meu revólver futurístico ameaçando mandar bala na cara de quem ousar invadir uma propriedade minha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;"Um sistema que exige qualidades excepcionais dos seres humanos só excepcionalmente terá êxito."&lt;/span&gt;  &lt;div style="text-align: right; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bertrand Russell&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/onibus_174.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/onibus_174.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ônibus 174&lt;br /&gt;Quem viu este filme, sabe do que estou falando.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-112843037466244277?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/112843037466244277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=112843037466244277&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/112843037466244277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/112843037466244277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/10/matando-os-prprios-filhos.html' title='MATANDO OS PRÓPRIOS FILHOS'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111756045304568488</id><published>2005-05-31T14:25:00.000-03:00</published><updated>2005-09-15T15:20:49.126-03:00</updated><title type='text'>FOGO E VENTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compare o pensamento humano a uma fogueira. Enquanto houver fogo, é sinal de que a inteligência está funcionando, que o homem raciocina e é realmente consciente dos seus sonhos e seus atos. O problema se dá quando, por algum motivo, esse homem se descuida e deixa a chama se apagar. Nesse exato momento, ele deixa de ser gente e passa a ser, no máximo, um robô bem acabado.&lt;br /&gt;O principal adversário de um homem nessa luta por manter acesa a chama da sua independência são os próprios homens. São os outros que, até sem perceber, de maneira sutil e automática, criam o vento que apaga o fogo. Podemos facilmente enumerar situações cotidianas flagrantes de apagamento da chama alheia.&lt;br /&gt;Uma professora que dá uma bronca no aluno que não está prestando atenção à aula e o pune na frente dos colegas. Esse menino, que estava gastando seu tempo pensando bestamente na vida, aprende que deve sempre usar seu tempo objetivamente, estudando, trabalhando ou obedecendo e acaba, por isso, um dia deixando se apagar dentro dele a chama da subjetividade e da contemplação. Ou um pai que vive a dizer para o filho durante o jantar que muito se orgulharia caso o filho resolvesse seguir sua carreira de médico. Ele até diz que isso é apenas um sonho dele, e que o filho tem total liberdade para escolher outro caminho, mas será que tem? Há também o tradicionalíssimo caso daquela moça que vive a ouvir das amigas da mãe: -Vai casar ou vai ficar pra titia? E depois que segue o caminho estipulado pelos outros e se casa continua ainda escutando: -Quando é que vai dar um netinho pra sua mãe?&lt;br /&gt;Esses são casos típicos de pessoas que, sem perceber, vivem ditando regras e determinando o destino da vida daqueles que os cercam. São os apagadores de chama. São o vento que apaga o fogo. Quem não estiver atento perderá sua capacidade de reflexão, perderá sua capacidade de decidir seu próprio futuro. Quem for obediente vai se dar mal.&lt;br /&gt;Falei em obediência e explico: aquele que tem como único e absoluto objetivo agradar os outros conseguirá ser, no máximo, um medíocre como tantos outros por aí. Aquele que raciocina, pensa, acredita e realmente deseja realizar, com certeza terá que desobedecer e desagradar para alcançar seu objetivo. Vejamos: Galileu teve que contestar ensinamentos consagrados de Aristóteles e desagradar à Igreja para defender aquilo em que depositava sua confiança – a teoria que dizia que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário. Por causa disso, foi condenado e censurado pela Igreja. Albert Einstein precisou se contrapor à visão de Isaac Newton, pai da física e considerado um dos maiores cientistas de todos os tempos, e contrariar leis científicas seculares para defender sua Teoria da Relatividade. Mudando radicalmente de área, podemos citar Muhammad Ali, ou Cassius Clay, que num brilhante exemplo pacifista desobedeceu às ordens do seu país e se recusou a lutar na guerra do Vietnã. Ainda não se convenceu? Então vamos lá. Você conhece o Agenor de Miranda Araújo? Não? O Agenor desobedeceu a seu pai, que só queria o seu bem, e encheu de vergonha a sua mãe porque rejeitou um bem remunerado cargo executivo na empresa da família para viver de música. Essa “irresponsabilidade” foi fundamental para que ele se tornasse o Cazuza. E o Rubinho Barrichello? Exemplo mundial de obediência e subordinação, ele acatou ordens da Ferrari e reduziu a velocidade para permitir que Schumacher o ultrapassasse. Agora eu faço a pergunta: qual deles é o maior campeão de todos os tempos?&lt;br /&gt;É necessário esclarecer, entretanto, que a desobediência pura e simples não levará ninguém a lugar algum. Os casos citados acima são todos eles exemplos de desobediências fundamentadas, intrinsecamente ligadas a objetivos definidos e consistentes. A desobediência gratuita e alienada dificilmente resultará em bons frutos.&lt;br /&gt;Por outro lado, é necessário também salientar o importante papel que os obedientes realizam para a sociedade. Aquele rapaz de terno e gravata impecáveis, cabelo calculadamente penteado, orgulho da mamãe e da vovó, genro predileto de dez entre dez sogras, certamente tem muito trabalho a realizar. Será sempre dele a tarefa de levar sorrindo para casa pilhas e mais pilhas de trabalho no final de semana enquanto seu chefe se diverte na pescaria. Normalmente, referem-se a ele no escritório como “indispensável”. O sujeito “indispensável” nada mais é do que aquele cidadão que terá que trabalhar no feriado. E o mais surpreendente é que, obediente como ele só, ainda será capaz de se orgulhar disso. O obediente, no futebol, é aquele jogador que treina com disposição todo santo dia e fica dando carrinho no meio de campo a pedido do treinador enquanto um polêmico Romário se esbalda na noite, falta os treinamentos, mas resolve a parada lá na frente e enche o bolso de dinheiro.&lt;br /&gt;Poderia enumerar aqui mais centenas de exemplos, mas espero já ter conseguido esclarecer suficientemente o meu ponto de vista. Mas muito cuidado! Não vá aceitando assim, tão depressa, a minha opinião! Reflita, conteste! Pense com a sua cabeça, porque nessa vida eu tenho dois medos fundamentais. O primeiro é que um dia eu me dê por vencido e permita que o vento dos outros apague a minha chama. O segundo medo, e com certeza o maior deles, é que eu deixe um dia de ser chama e passe a ser vento, e saia pelas ruas ventilando e apagando o fogo dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/268/990/640/schumacher.jpg" /&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111756045304568488?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111756045304568488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111756045304568488&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111756045304568488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111756045304568488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/05/fogo-e-vento.html' title='FOGO E VENTO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111704505524368745</id><published>2005-05-25T15:17:00.000-03:00</published><updated>2005-09-12T17:49:39.010-03:00</updated><title type='text'>O VÔO DE JÚLIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Júlia nasceu naquilo que a sociedade chamava de “berço de ouro”. Seu avô havia ficado milionário no ramo da especulação imobiliária, de forma que deixou como herança para seu filho único, o pai de Júlia, uma dessas fortunas incalculáveis. Levavam, por isso, uma vida que todo mundo sonha em ter, digna de rico de novela das oito.&lt;br /&gt;O problema é que no fundo Júlia achava aquilo tudo, no mínimo, um pouco estranho. Como não precisasse trabalhar, acordava sempre tarde, por volta das dez da manhã e ia tomar o sortido desjejum com seu pai, um viúvo bonachão que resolvera curtir a vida à sua maneira. A essa altura, já estavam há horas trabalhando no faraônico apartamento o jardineiro (sim, havia um jardim no apartamento), a empregada doméstica, a faxineira e o motorista do pai. Mesmo sabendo que o patrão só acordava lá pelas nove da manhã, todos os funcionários chegavam pontualmente para o serviço às sete horas. Todos os dias, exceto os domingos.&lt;br /&gt;Finalizado o café da manhã, o pai saía devidamente uniformizado e aparelhado para a inadiável partida de tênis matinal. Enquanto isso, Júlia se arrumava e ia para o escritório de onde administrava os negócios da família. Mas isso é mentira. A própria Júlia sempre soube que sua presença no escritório era totalmente desnecessária, dispensável. A verdade é que seu pai havia contratado profissionais do mais alto gabarito exatamente para que pudessem relaxar, viajar ou simplesmente ficar à toa enquanto se multiplicavam os já gordos dividendos da família.&lt;br /&gt;Inútil no trabalho, Júlia se trancava em sua sala, abria seu jornal e lia com particular interesse notícias sobre conflitos no Oriente Médio, guerras civis espalhadas pelo continente africano, intervenções norte-americanas ao redor do globo, além dos tradicionais problemas de fome e miséria no Brasil. Vivia, por causa disso, sempre triste e desanimada. As amigas mais próximas não entendiam, e tentavam logo levantar o astral da moça:&lt;br /&gt;-Ora, Julinha... Tenha a santa paciência! O que é que você tem a ver com o que está acontecendo na África? Você tem a faca e o queijo na mão e fica aí, se lamentando pelos cantos. Você leva a vida que eu pedi a Deus. Pode ficar à toa o dia inteiro, se quiser.&lt;br /&gt;Júlia respondia: -Mas o problema é exatamente esse! Eu não preciso fazer nada!&lt;br /&gt;Mas outra a interrompia e logo emendava: -Sem falar que essa semana vai ter a festa no Haras do Benitinho. Vai ser excelente! Começa na sexta à noite e termina só no domingo à tarde. Ouvi dizer que mandaram vir um sistema de som de São Paulo num caminhão por exigência do DJ que vai tocar. Ele é um dos mais badalados do mundo! Tem gente do Brasil inteiro disputando os convites no tapa!&lt;br /&gt;Mas nada disso era capaz de animar Júlia. O fato é que ela estava deprimida. Seu namorado, Marcelo, era seu vizinho no prédio. Tinham uma história de vida bastante parecida. Ambos eram ricos desde sempre e achavam desconfortável aquela situação. A única diferença é que, enquanto Júlia vivia deprimida, Marcelo pegava a gorda mesada que recebia do pai e gastava em papelotes e mais papelotes de cocaína. Cheirava o dinheiro todo. Júlia até tentava falar alguma coisa com ele:&lt;br /&gt;-Pára com isso, Marcelo! Pra quê isso?&lt;br /&gt;E ele respondia: -Você é que devia experimentar pra ver o tanto que é bom. Quando eu tô cheirado, parece que a vida é uma maravilha!&lt;br /&gt;-Mas depois o efeito passa e volta tudo ao normal mesmo, não é?&lt;br /&gt;-É. É sim. Aí, quando passa o efeito, eu cheiro tudo de novo! A sensação que dá quando o pó começa a bater na tampa não dá pra descrever, Julinha. Você sente a onda vindo, de leve, e quando você vê já bateu. O bicho pega!&lt;br /&gt;Um dia, aborrecida do namorado e com vontade de dar uma arejada, Júlia telefonou para o escritório avisando que não iria trabalhar, que estava precisando espairecer. Avisou o escritório só por hábito, por rotina, pois sabia que sua ausência nem seria sentida. Pegou o carro e foi dar uma passeada pela cidade, observando com olhos atentos tudo o que via. Seus olhos mais pareciam bocas famintas, devorando tudo que passava pela frente: o trânsito insuportavelmente parado, o menino malabarista no sinal fechado, as senhoras grã-finas de óculos escuros carregando sacolas e mais sacolas de compras, um mendigo que se divertia cheirando cola e urinando na calçada enquanto o outro dormia em cima de um pedaço de papelão...&lt;br /&gt;Até que ela se cansou e voltou para casa. Parou o carro na garagem entrou no elevador e apertou o 13. Encontrou o pai almoçando:&lt;br /&gt;-Oi, filhinha. Que surpresa boa! Senta aqui com o papai que o almoço está delicioso! Tem aquela massa que você adora!&lt;br /&gt;A filha deu um beijo no rosto do pai e disse: -Espera um pouquinho que eu já venho, papai...&lt;br /&gt;Entrou no quarto, trancou a porta, abriu a janela e pulou. Isso mesmo: subiu no parapeito e voou sem titubear. Talvez tenha sido, ao longo de toda a sua vida, a atitude mais consciente de Júlia. No salão de beleza, uma manicure comentava entre uma e outra cutícula:&lt;br /&gt;-Que menina louca! Tinha tudo na vida: dinheiro, saúde, um pai que a amava e mesmo assim se matou.&lt;br /&gt;E uma outra, enquanto tingia o cabelo, falou: -Era louca. Só pode ser muita loucura, coitadinha. Ou então era uma drogada...&lt;br /&gt;O fato é que Júlia se matou. Matou-se e eu até hoje não sei muito bem o porquê. A maioria acha que foi por loucura. Eu, por outro lado, desconfio que tenha sido por excesso de lucidez. Tanta lucidez que tornou insuportável continuar a vida nesse mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/268/990/640/o%20salto1.jpg"&gt;&lt;img style="border: 1px solid rgb(0, 0, 0); margin: 2px;" src="http://photos1.blogger.com/img/268/990/320/o%20salto1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111704505524368745?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111704505524368745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111704505524368745&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111704505524368745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111704505524368745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/05/o-vo-de-jlia.html' title='O VÔO DE JÚLIA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111591502157211430</id><published>2005-05-12T13:23:00.002-03:00</published><updated>2009-02-09T18:52:32.782-02:00</updated><title type='text'>A MULHER INVISÍVEL</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Como aqueles primitivos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;que carregam consigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;o maxilar inferior de seus mortos, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;eu te carrego comigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;tarde de maio". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Carlos Drummond de Andrade) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Houve um tempo em que éramos inseparáveis. Tão inseparáveis que chegava a irritar. Eu dormia na casa dela, ela na minha. Quando não estávamos juntos, conversávamos ao telefone. O tempo inteiro um grudado no outro. Nos conhecíamos um ao outro tão intimamente que nossas reações eram sempre previsíveis. Um sabia o que o outro pensava, e digo mais, sabia o que o outro ia pensar. Mas éramos novos. A mãe dela foi transferida no emprego para uma cidade distante e tiveram que se mudar. Não houve, na época, nada que eu pudesse fazer. Ela foi embora e eu fiquei...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No começo, havia a esperança de sempre mantermos contato e tentar dar prosseguimento àquele relacionamento que parecia indestrutível. Mas o tempo e a distância não deixaram. Aos poucos o comprometimento que havia foi diminuindo, os laços foram se desfazendo, nosso mundo em comum desaparecendo e os assuntos se tornando mera rotina. As vidas se tornaram distantes até um ponto em que não fazia mais nenhum sentido insistir. Acabou. Aquela pessoa com quem um dia eu dividi os meus minutos e as minhas idéias já não existia mais. E foi assim.&lt;br /&gt;Hoje, mais de dez anos depois, aconteceu: estava sentado na sala assistindo a um jornal na televisão e uma notícia me fez pensar nela. De repente, cresceu em mim uma vontade violenta de conversar com ela sobre aquele assunto da notícia. Precisava saber a opinião dela. E o peito apertava. Queria ouvir de novo aquela voz, aquele jeito de falar. Que saudade! Como é estranho e difícil de entender que aquela pessoa que um dia fora tão imprescindível e constante na minha vida pudesse ter simplesmente desaparecido. O peito doía. É tão inexplicável e dolorosa essa ausência irreversível!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tentei reconstruir na minha mente o seu rosto, mas não consegui. Para relembrar talvez fosse necessário o estímulo infalível de um cheiro, ou de um sabor... O tempo se encarregou de ir aos poucos apagando da memória. Como será que ela está agora? Será que continua linda? Será que está gorda? Será que a cidade a tornou cinza? Terá essa rotina desumana enfraquecido o seu brilho? Não sei. E nem tenho como saber. Resta-me divagar. Imagino que tenha se casado, que continue linda e que tenha uma filha. E na minha imaginação ela passeia com a filha no colo numa tarde de maio e os dias são sempre ensolarados. Sim: na minha imaginação não chove nunca e há uma brisa agradável soprando o cabelo dela. A filha se chama Ana Maria, é bochechuda e sempre chora de medo quando aparece algum “au-au”. E nesse mundo ideal não há espaço para a pressa da insanidade urbana e nem tampouco para a irritante busca da vitória. Só existe a calma. A calma , e as árvores, e o vento, e pés descalços.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fico feliz por ela, mas me lembro que estou apenas sonhando. Tomara que ela esteja feliz como estava no meu sonho. Tomara que não tenha sofrido, que não tenha chorado, que não tenha morrido! Tomara que um dia, numa dessas tardes ensolaradas de maio, uma brisa sopre agradável em seu ouvido e ela pense, mesmo que apenas por um instante, em mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111591502157211430?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111591502157211430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111591502157211430&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111591502157211430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111591502157211430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/05/um-ano-de-gente-que-existe_12.html' title='A MULHER INVISÍVEL'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111590957537122605</id><published>2005-05-12T11:44:00.000-03:00</published><updated>2005-09-15T15:38:00.653-03:00</updated><title type='text'>A FORÇA DA CORRENTEZA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pense na seguinte imagem: pequenos bebês sendo deixados no leito de um rio. Assim é a nossa vida. Sem perceber, a estranha força da correnteza vai nos guiando e nos levando sem que a gente tenha muito domínio da situação. Ao nosso lado, milhares de outras pessoas vão se deixando levar pela tal correnteza, de modo a nos deixar ainda mais convencidos de que o caminho do leito do rio é o caminho certo. A multidão é tamanha que a gente mal consegue ver o que é que há além daquele rio...&lt;br /&gt;Não que o caminho ditado pela correnteza não seja um caminho válido. O problema é que, se não ficarmos atentos, poderemos acabar achando que se trata de um caminho único, coisa que não é. Desde o momento em que nascemos até o dia de hoje, a maioria de nós tem se deixado levar pela correnteza. Ainda duvida? É fácil responder.&lt;br /&gt;Por exemplo: imagine alguém que esteja concluindo algum curso superior e resolva largar tudo porque gosta mesmo é de ser músico. Será essa uma tarefa fácil? Não. Não porque esse caminho vai contra a correnteza e sabemos que é gigante a força do rio. As pessoas que estão perto dele logo tentarão dissuadi-lo da idéia “maluca”. Achou pouco? Imagine então alguém que se descobre homossexual. Será uma tarefa fácil para essa pessoa assumir para sua família e amigos que deseja relacionar-se com pessoas do mesmo sexo? E, uma vez homossexual resolvido e apaixonado, será que ele poderá demonstrar seu afeto beijando na boca seu parceiro em local público? Não. Provavelmente correria até o risco de ser preso por única e exclusivamente dar um beijo na boca da pessoa que ama.&lt;br /&gt;Mais uma vez se manifesta o violento e camuflado poder da correnteza. Camuflado, porque do ponto de vista de quem está no meio do rio, não existe a tal corrente. Para se perceber esse movimento comum, seria necessário nadar até a margem, ou seja, deslocar-se, para aí sim perceber a multidão de cabecinhas que estão sendo arrastadas na enxurrada.&lt;br /&gt;Falei sobre a margem e prossigo: quanto mais no meio do leito do rio, encoberto por milhares de outros corpos que simplesmente bóiam, mais difícil se torna vislumbrar os caminhos alternativos, seus afluentes. É necessária a proximidade da margem para que se possa realmente perceber a situação e enxergar todas as possibilidades. Sim, é necessário ser um “marginal”. Quem se afasta do leito do rio será automaticamente taxado de marginal, mas deve saber que, para conseguir alcançar seu novo objetivo essa será uma condição obrigatória.&lt;br /&gt;Aquele músico, cujo exemplo citei acima, se quiser realmente viver de música terá que desagradar à família e magoar os pais. Mas essa desobediência é absolutamente indispensável. O mesmo se aplica ao homossexual. A sua felicidade dependerá sempre de algum sofrimento alheio. Para se realizar, ele terá provavelmente que ferir o orgulho dos pais e aviltar senhoras conservadoras em locais públicos. Seu único crime foi não seguir o caminho da multidão. Resolveu tomar as rédeas do seu próprio destino e traçar para si um rumo diferente, talvez um afluente deste mesmo rio...&lt;br /&gt;O importante aqui não é evitar o rio e sim saber da sua existência. Uma vez identificada a força da correnteza, cabe a cada um escolher para si uma direção a seguir: pode ser o próprio rio, mas pode não ser. Eu, por exemplo, já escolhi. Quero, até o fim da minha vida, ter forças para nadar contra essa correnteza imperativa, pois lá na nascente encontrarei a água mais limpa. Quanto aos que seguirão até final do rio, imagino o que encontrarão por lá: o esgoto, a merda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/268/990/640/correnteza.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111590957537122605?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111590957537122605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111590957537122605&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111590957537122605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111590957537122605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/05/fora-da-correnteza.html' title='A FORÇA DA CORRENTEZA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111444661212901930</id><published>2005-04-25T11:58:00.000-03:00</published><updated>2007-09-26T19:51:21.512-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desesperar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entorpecer'/><title type='text'>BEBERICO</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na verdade seu nome é Frederico, mas ganhou o apelido devido à peculiar insistência etílica. Era praticamente um maratonista do álcool. Não era magro, nem gordo, mas sua espantosa resistência aos efeitos da birita o fazia derrubar os mais célebres cachaceiros da região.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Certa vez, indo embora completamente alcoolizado de um casamento, Beberico pegou irresponsavelmente seu carro e foi dirigindo pra casa. Ao acordar no dia seguinte pela manhã, percebeu que havia sangue por todo seu quarto, no travesseiro, no chão e no paletó. Sentia inclusive na boca o gosto daquele sangue. Desesperado, achou que estava morrendo. Dirigiu-se apressado até o banheiro onde pôde constatar que também o seu rosto estava encharcado, assim como suas mãos. Entrou no banho a fim de se limpar para pelo menos poder identificar a lesão que ocasionava todo aquele sangramento. Ao sair do banho, limpo mas ainda tonto, constatou que não havia nenhum corte ou hematoma, e que inclusive ele não estava sangrando: provavelmente era sangue alheio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: georgia; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;Preocupado e afoito, ligou para todos os amigos perguntando o que tinha acontecido, e obteve de todos a mesma e uníssona resposta: &lt;i&gt;-Simples, Beberico. Você disse que ia embora da festa, aí pegou seu carro e foi embora mesmo! Nós continuamos lá e nem tivemos mais notícia sua&lt;/i&gt;. Beberico não acreditava naquilo que acabara de ouvir. Ninguém sabia que sangue era aquele em seu quarto. Podia ser de um cachorro atropelado, mas o seu carro estava intacto, novo em folha. Podia ser de outro ser humano, uma briga, quem sabe? Mas Beberico não tinha sequer um dano físico, um olho roxo que fosse, nada! E assim, a verdade é que até hoje Beberico não sabe que diabo de sangue era aquele.&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/beberico21.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111444661212901930?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111444661212901930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111444661212901930&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111444661212901930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111444661212901930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/04/beberico.html' title='BEBERICO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111358897024912924</id><published>2005-04-15T15:05:00.000-03:00</published><updated>2005-09-15T15:52:57.350-03:00</updated><title type='text'>UM RIO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagine um rio de águas muito intensas. Ele é bravo e é manso. Às margens desse rio, uma família inteira se abriga e encontra ali as condições ideais para crescer. Essa família então vai crescendo e se multiplicando porque o rio a protege e dá alimento ao mesmo tempo em que banha e fertiliza suas margens. Depois de passar anos e anos oferecendo toda sua energia vital àquela família, é natural que o rio vá perdendo sua força. Suas águas vão ficando cada vez menos caudalosas até que...&lt;br /&gt;Até que o rio seca. Seca, mas não morre nunca porque gerações inteiras foram banhadas por suas águas e conheceram a beleza de sua força. Por causa desse rio, aconteceu a vida. E essa vitalidade de sua correnteza existirá para sempre no sangue de cada um que um dia teve a imensa sorte de beber da sua água.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/UM%20RIO.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em homenagem a meu avô.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111358897024912924?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111358897024912924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111358897024912924&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111358897024912924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111358897024912924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/04/um-rio.html' title='UM RIO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111198372230967578</id><published>2005-03-28T01:04:00.001-03:00</published><updated>2008-11-12T19:07:43.600-02:00</updated><title type='text'>SOBRE AMOR À PRIMEIRA VISTA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fala-se bastante, hoje e sempre, em amor à primeira vista e é preciso fazer logo um esclarecimento: é uma grandessíssima bobagem. Amor à primeira vista é uma coisa que nunca existiu, não existe e jamais existirá. Sei que sempre haverá por aí aqueles cidadãos rasteiros e irrefletidos que logo se exaltarão e sairão berrando frases repletas de pontos de exclamação acusando-me de ser um insensível ou até mesmo um traumatizado ou recalcado por pensar assim. Por isso, desde já inicio minha defesa alegando que, muito pelo contrário, faço tal afirmação na qualidade de severo defensor da plenitude do significado da palavra amor.&lt;br /&gt;Certa vez, vi uma mulher que me causou imediatamente um desconcerto incomparável com tudo que eu já havia sentido por alguém “à primeira vista” até então. E é exatamente aí que mora o perigo. Atordoados pela taquicardia e pelo calor causados por aquele primeiro impacto, torna-se mais fácil esquecermos que o amor é uma emoção completa. Completa porque para caracterizá-lo é necessário o uso de mais sentidos. Além da primeira “vista” deve haver o primeiro cheiro, o primeiro toque, o primeiro gosto ou o primeiro som. Ou seja, confiar apenas na primeira vista e desprezar a perfeição de nossos sensos é não enxergar verdadeiramente. Vemos melhor quando usamos o corpo todo. O amor precisa da comunhão dos sentidos. E também precisa do tempo.&lt;br /&gt;Falei sobre o tempo e explico: só o tempo é capaz de revelar nossas ilusões de ótica, porque geralmente vemos o que queremos ver. Pessoas carentes, em busca desesperada de companhia, se deixam enganar facilmente por estelionatários exatamente porque projetam ali um grande amor. Mas a verdade aparece com o tempo. Assim também são as amizades. Com o passar dos anos podemos facilmente discernir os verdadeiros amigos e os eventuais interesseiros.&lt;br /&gt;O amor não existe na primeira vista, nem na segunda e nem na terceira. Não se deve ter pressa. Trata-se de um exercício de paciência que pode até parecer complicado mas que, aos poucos, vai se mostrando valioso e gratificante. É como um quebra-cabeça que vamos montando, a quatro mãos, colocando uma peça por dia. Com o passar do tempo já começamos a perceber ali a figura do amor, apesar de ainda haver muitos espaços vazios. Assim, com calma, continuamos posicionando as peças, preenchendo esses vazios, e o amor vai aparecendo cada vez mais, sua imagem vai se escancarando diante de nossos olhos tornando-se cada vez mais nítida. E sempre haverá espaço para colocarmos mais uma peça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/velhinhos.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111198372230967578?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111198372230967578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111198372230967578&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111198372230967578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111198372230967578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/03/sobre-amor-primeira-vista.html' title='SOBRE AMOR À PRIMEIRA VISTA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-111092729134485186</id><published>2005-03-15T19:52:00.000-03:00</published><updated>2005-09-15T15:56:12.680-03:00</updated><title type='text'>DONA ALICINHA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já acordou daquele jeito. Vestiu o roupão tradicional e desceu as escadarias da mansão para tomar o café da manhã.&lt;br /&gt;-Alzira! Pelo amor de Deus, Alzira! Tenha a santa paciência!&lt;br /&gt;-Mas o que é que foi, Dona Alicinha!&lt;br /&gt;-O que é que houve? Quer saber o que é que houve? O que foi que eu te falei ontem, hein?&lt;br /&gt;-Não lembro não, senhora!&lt;br /&gt;-Esse é o problema! Você nunca lembra! Eu te falei mil vezes pra você servir o café essa semana usando a toalha de mesa branca, mas você insiste em desobedecer...&lt;br /&gt;-É porque a branca tá lavando, Dona Alicinha...&lt;br /&gt;-Ah! Agora além de tudo deu pra me responder, Alzira? Você acha que eu não sei que você faz essas coisas só pra me irritar? Pois eu vou te mostrar que sou eu quem manda nessa casa. Ai de você se me desobedecer mais uma vez que seja! Uma vezinha só!&lt;br /&gt;Era sempre assim. Dona Alicinha acordava com a macaca e quem sofria as conseqüências era quase sempre Alzira. Todas as manhãs ela ouvia, calada e obediente, os desaforos da patroa. E o pior é que Alzira ainda a defendia perante as outras domésticas da rua. Quando falavam mal de Dona Alicinha, Alzira logo retrucava: - No fundo ela tem um coração de ouro!&lt;br /&gt;Alicinha levava a chamada vida de madame. Casada, mãe de dois filhos homens já crescidos e uma menina ainda criança, vivia de cuidar da casa e dar ordens a uma infinidade de criados. Foi treinada desde a mais tenra infância até o dia em que subiu ao altar com Plínio para realizar, da melhor maneira possível de acordo com os conceitos seculares de seus pais, as tarefas de uma verdadeira dona de casa.&lt;br /&gt;Após a habitual bronca matinal em Alzira, pegou seus artefatos esportivos importados e rumou para a academia de ginástica onde diariamente se exercitava com o auxílio de seu personal trainer e a companhia das amigas do condomínio fechado. Lá passou quase a manhã inteira discorrendo sobre a incompetência de Alzira enquanto recebia o apoio uníssono das colegas:&lt;br /&gt;-Se fosse lá em casa já estava no olho da rua! –E outra logo emendava:&lt;br /&gt;-Esse povo está cada vez mais despreparado. Outro dia me veio uma que mal sabia fazer um estrogonofe. Sem falar em outra que eu descobri que fazia programas à noite! Vê se pode! Uma prostitutazinha dentro da minha casa!&lt;br /&gt;-É. Se bobear essa gente toma conta...&lt;br /&gt;Saiu dali aliviada. Falar mal da criadagem era, para ela e aquelas honradas senhoras, uma verdadeira e eficiente terapia. Tão eficiente que já deixou a academia com o apetite renovado para se encontrar com as irmãs, num almoço no restaurante mais badalado no momento. O restaurante ficava numa esquina movimentada e nobre da cidade e oferecia algumas mesas na calçada além de outras num ambiente interno climatizado com excelente ar condicionado. Em princípio houve uma dúvida entre os dois ambientes, dúvida essa que foi rapidamente solucionada por Alicinha:&lt;br /&gt;-Vocês estão doidas! Vamos nos sentar bonitinhas lá dentro no ar condicionado porque aqui fora toda hora aparece um daqueles pedintes insuportáveis querendo vender rosas, engraxar sapato... É um inferno! Isso sem falar no risco de passar um daqueles trombadinhas com caco de vidro na mão e tudo. Deus que me livre!&lt;br /&gt;A argumentação de Alicinha convenceu prontamente suas irmãs, que a seguiram para o interior do recinto. De dentro do restaurante, no conforto do ar condicionado, Alicinha já observava pelo vidro a presença de algumas crianças de rua: -Que inferno! Lá vêm aqueles meninos pedir moeda ou então sobra de comida. Eles não dão sossego...&lt;br /&gt;As irmãs tentavam acalmá-la: -Calma, Alicinha... Calma, minha filha. Desse jeito você vai acabar tendo um troço!&lt;br /&gt;E ela respondia: -Calma nada! Esse presidente não faz nada e dá nisso. A gente é que paga o pato!&lt;br /&gt;Imediatamente chamou o garçom e fez o pedido: -Olha aqui, meu filho... Embrulha o que sobrou desse peixe que é pra dar pro menino ali na porta.&lt;br /&gt;Deixou o restaurante apressada e jogou o marmitex no colo do menino, pois já estava atrasada para levar a filha à aula de francês. Pegou a menina em casa e saiu dirigindo às pressas. As duas conversavam distraídas sobre a novela quando foram interrompidas por um garoto no sinal fechado:&lt;br /&gt;-Vai um chicletinho aí, dona?&lt;br /&gt;-Ai! Que susto, moleque! Quer me matar do coração?&lt;br /&gt;Fechou o vidro blindado na cara do rapazinho e voltou-se para a filha: -Absurdo! Esses moleques ao invés de trabalhar e arrumar um emprego decente ficam nessa vagabundagem no meio da rua. E ainda por cima assustam a gente...&lt;br /&gt;Estressada, achou melhor voltar pra casa e dar uma cochilada até a hora de buscar a filha no francês, mas não conseguiu porque o jardineiro fazia um barulho ensurdecedor com o cortador de grama. Não teve outra saída, a não ser ficar rolando na cama de um lado para o outro até tocar o celular: era a filha.&lt;br /&gt;-Mamãe, acabou a aula. Pode vir me buscar.&lt;br /&gt;-Tá bom, meu amorzinho. Mamãe já vai...&lt;br /&gt;Como se já não bastasse o ódio que alimentava pelo jardineiro, ao chegar ao curso da filha deparou-se, abismada, com uma animada conversa entre sua menininha e um garotinho negro um tanto mal vestido para os padrões daquela renomada e cara escola. Puxou-a bruscamente para dentro do carro e iniciou o interrogatório:&lt;br /&gt;-Que garoto é esse, minha filha?&lt;br /&gt;-É o Laércio, mãe. Ele é da minha sala de francês.&lt;br /&gt;-Como assim? Ele não me parece ter condições financeiras para freqüentar essa escola...&lt;br /&gt;-Eu sei, mãe. É que ele é filho da moça da cantina, então ele pode estudar de graça. Ele é muito engraçado. E o pessoal da sala fala que ele quer namorar comigo.&lt;br /&gt;-Nem brinca com uma coisa dessas, minha filha. Só faltava essa. Com tanta gente branca nessa escola você vem me arrumar justo um negrinho? Ah! Tenha a santa paciência!&lt;br /&gt;A filha, calada, não entendeu nada.&lt;br /&gt;Mais um dia na vida de Alicinha estava terminando. Durante quase 24 horas ela permaneceu dura como uma rocha diante das situações mais tristes do cotidiano. Xingou a empregada doméstica pela manhã, esquivou-se dos pedintes na saída do restaurante, fechou o vidro na cara do vendedor de chicletes e repreendeu a filha por sua amizade com um negro. Poderiam até pensar que Alicinha é uma vítima da absorvente vida numa cidade grande. Poderiam argumentar que a repetição exaustiva daquele horror cotidiano pelo período de quase uma vida inteira acabou por torná-lo banal para aquela madame. Poderiam pensar, ao final daquele dia, que a rudeza da metrópole a tornara incapaz de sofrer ou de sentir, não fosse por um último e inesperado acontecimento: no começo da noite, Alicinha assistia à sua infalível novela ao lado de seu marido Plínio quando ele, num movimento incerto, derrubou uma taça de vinho tinto no sofá branco recém reformado. Ao ver aquele líquido vermelho se espalhando pelo alvo tecido do sofá, Alicinha chorou. Mas não foi um pranto qualquer. Ela chorava o mesmo choro de quem acaba de ver morrer um filho. Rolava no carpete, esperneava, soluçava enquanto esfregava a própria saia na mancha de vinho. Em vão.&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/dona%20alicinha.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-111092729134485186?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/111092729134485186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=111092729134485186&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111092729134485186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/111092729134485186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/03/dona-alicinha.html' title='DONA ALICINHA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-110615986909580529</id><published>2005-01-19T16:20:00.000-02:00</published><updated>2005-09-15T15:59:23.303-03:00</updated><title type='text'>CERTEZA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se existe uma coisa difícil de se ter nessa vida, essa coisa é a certeza. Pense comigo. Quando a gente nasce, na verdade a gente não tem muita certeza se quer realmente sair da confortável e aconchegante barriga de nossas mães. Mas aí vem uma série de contrações esquisitas e umas mãos com luvas de borracha que nos tiram de lá, sem que a gente esteja certo de que aquela era a nossa melhor opção.&lt;br /&gt;O choque inicial é grande, mas tudo bem. A gente nasce e depois é colocado em um colégio sem ter certeza se estudar ali é ou não um bom negócio, mas fomos matriculados lá. Aí um dia a gente se forma e tem que escolher, por volta dos dezoito aninhos, uma profissão que teoricamente será aquela que desempenharemos até o fim de nossas vidas. Não há como, nessa idade, ter muita certeza do que realmente queremos para nossas vidas. Mas somos valentes, não somos do tipo de gente que foge do pau e, sendo assim, escolhemos a tal profissão.&lt;br /&gt;Em meio a isso tudo, a gente conhece uma pessoa espetacular que passa a fazer parte de nossas vidas de um jeito que a gente ainda não conhecia. Só que no planeta existem outros seis bilhões de pessoas, de maneira que é matematicamente impossível ter certeza se aquela pessoa com a qual estamos vivendo é a nossa melhor alternativa. Mesmo assim, sem ter certeza, concluímos que sua companhia é boa, nos faz mais bem que mal e resolvemos ficar com ela.&lt;br /&gt;Mas como assim ficar? Existe uma série de possibilidades de convivência, mas a que sempre aparece com a força de uma tsunami é a do casamento. Sim, sim, já decidimos quem nos fará companhia, mas o próximo passo é decidir como. Casar é o melhor negócio? É, mais uma vez, impraticável ter certeza. Não nos foi dado o talento para prever o futuro e a nossa melhor opção acaba sendo pagar pra ver. Vale a pena.&lt;br /&gt;Depois de muito tempo vivendo juntos, os filhos já bem criados, crescidos e independentes, a gente começa pela primeira vez na vida a ter uma noção de certeza. A gente olha pra trás e começa a achar que fez boas escolhas ao longo dos anos, que escolheu a companhia ideal, uma pessoa que sempre esteve do nosso lado quando a gente mais precisou. Só que aí um dia essa pessoa morre e a gente fica sozinho, sem ter certeza se ela morreu mesmo ou se apenas foi pra um outro lugar onde um dia a gente vai se ver de novo.&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/certeza.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-110615986909580529?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/110615986909580529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=110615986909580529&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/110615986909580529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/110615986909580529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2005/01/certeza.html' title='CERTEZA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-110366961233853149</id><published>2004-12-21T20:38:00.000-02:00</published><updated>2005-09-15T16:09:57.663-03:00</updated><title type='text'>MULHERES DA (MINHA) VIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei se sou eu ou se são elas, mas o fato é que o meu histórico com as mulheres é, no mínimo, peculiar. Resolvi fazer um apanhado geral dos meus relacionamentos, relâmpago ou não, e concluí que há entre eles um único fato reincidente: nunca dão certo. E exatamente por isso é que vou aqui recordá-los, um a um, da forma mais leviana possível.&lt;br /&gt;A primeira vez que me peguei pensando numa mulher, na verdade uma menina, foi no pré-primário, eu acho. Eu devia ter uns cinco anos e tinha essa coleguinha linda, com algumas sardas e um cabelo que, para mim, devia ser o mais lisinho do mundo. Chamava-se Cristina Maria. Éramos praticamente inseparáveis na escola, sentávamos sempre perto um do outro durante as aulas e, ao final delas, esperávamos juntos a chegada dos nossos pais enquanto disputávamos animadíssimos partidas de gol a gol usando petelecos e umas bolinhas miúdas de papel. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato é que minha avó havia acabado de chegar do Japão, de onde trouxera para mim uma fantástica caneta de doze cores, artigo até então desconhecido no Brasil, que eu usava para fazer desenhos multicoloridos e inveja nos colegas. Qual não foi minha surpresa quando, numa aula de desenho, não encontrei nos meus pertences a tal caneta japonesa de doze cores. Fiquei totalmente desconsolado. Não acreditava naquilo e sabia que, para conseguir outra, só se minha avó desse um pulinho no Japão (e naquela época eu acreditava que o único modo de ir ao Japão era escavando um buraco até o outro lado do planeta). A minha tristeza só passou quando vi um dia minha linda namoradinha, Cristina Maria, desenhando casinhas com a minha rara e reluzente caneta japonesa. Fiquei satisfeitíssimo e fui ao seu encontro para que ela devolvesse minha ferramenta esferográfica. Mas não. Ao invés de devolver-me a caneta, Cristininha berrava escandalosa, clamava pela ajuda da professora dizendo que eu estava batendo nela. Quando eu dizia que a caneta era a que minha avó havia trazido do Japão e que podia provar, ela retrucava cínica e sarcástica: “Você acha que só a sua avó é que vai para o Japão?”&lt;br /&gt;E foi assim que terminou o meu primeiro namoro e começou a minha história de insucessos no amor: com um furto. Isso mesmo, caro leitor: minha primeira namorada, aquele ser belo e dócil por quem eu nutria o mais puro dos sentimentos e cuja simples presença me trazia a mais sincera felicidade trocou o nosso relacionamento por uma caneta japonesa de doze cores.&lt;br /&gt;Levei muito tempo para superar esse primeiro trauma, mas superei. Entretanto, foi só na quarta série (aos dez, onze anos) que fui me apaixonar novamente. Havia na minha sala uma menina que já não era menina: era quase uma mulher. Tanto pela altura quanto pela pujança das curvas que começavam a se apresentar, ela chamava bastante a minha atenção. Um dia, no meio da aula de matemática, eu recebo dela um bilhetinho com os seguintes dizeres: “Você gosta de mim? Sim ou não. Marque com um "x" e devolva. Ass.: Lívia Elisa”. Na escola era assim, a gente sempre sabia o nome e o sobrenome dos colegas. Tremendo de nervoso, marquei um sim e devolvi a ela o bilhete. Nem podia acreditar que uma mulher daquele tamanho ia querer alguma coisa com um menino franzino, quase tísico, como naquela época eu era!&lt;br /&gt;Mas tudo que é bom dura pouco, e comigo não foi diferente. No recreio, transbordando felicidade e quase babando de emoção, fui contar a boa nova ao meu melhor amigo, o Marcinho, que me respondeu com uma pedrada: “É sério? Ela mandou o mesmo bilhete para mim, e eu também respondi que sim”. Ficamos ambos desolados com a infeliz coincidência, mas Lívia, muito mais madura e malandra, conseguiu contornar a situação. Ficou combinado o seguinte: "cada festa eu danço a música lenta com um de vocês" (naquela época ainda não se beijava nas festas da sala).&lt;br /&gt;Dos males, o menor. Saímos, eu e Marcinho, mais ou menos satisfeitos com o moderno acordo uma vez que éramos melhores amigos. Já a Lívia saiu satisfeitíssima, havia feito um negócio da China.&lt;br /&gt;Colocar em prática o acordo foi deveras doloroso. A simples aproximação da data de uma festa cuja preferência no rodízio não seria minha já me causava dores de barriga assombrosas. E não era dor de barriga de vontade de ir ao banheiro, não senhor: aos dez anos senti minha primeira úlcera. Era terrível. Eu sabia que ia ser obrigado a ver minha namorada dançando música lenta a festa inteira com outro e que esse dia estava cada dia mais próximo. E que eles conversariam e ela contaria a ele as histórias mais fresquinhas, mais recentes, que eu nem podia imaginar.&lt;br /&gt;Em compensação, na semana seguinte eu ia à forra. Os segredos mais novos seriam meus, as músicas lentas do Kid Abelha seriam minhas e a bochecha colada na dela seria a minha. Era a redenção! A volta por cima!&lt;br /&gt;Nos mantivemos por um bom tempo nessa montanha russa: um dia nas nuvens, no outro no inferno. Marcinho e eu sempre insatisfeitos, mas nenhum podia desistir daquilo e automaticamente entregar o ouro pro adversário. Lívia, por outro lado, achou por bem acabar de vez com aquela lengalenga e tomou uma decisão drástica e cruel: deu-nos em ambos um belo pontapé no traseiro em favor de um garoto mais velho, da oitava série, que já tinha carro e brinco na orelha. Mais um fiasco que levaria anos para ser cicatrizado...&lt;br /&gt;Depois dessa tornei-me, pode-se dizer assim, um vadio. Foram anos e anos, da quarta até a oitava série, em que defendi com unhas e dentes a filosofia da solteirice. Qualquer mulher que me causasse uma leve taquicardia que fosse seria automaticamente descartada. Isso mesmo: durante esses anos todos meu foco sempre foi voltado para aquelas mulheres que me pareciam inofensivas, incapazes de provocar em mim alguma coisa que fosse além de uma ereção. Eu queria as gostosas, as bandidas e as raimundas da vida, desde que eu não identificasse nelas nada que fosse, para mim, apaixonante.&lt;br /&gt;O problema é que, na vida real, não existe plano perfeito e, mais cedo ou mais tarde, o castelo acaba desabando. E desabou. Eis que surge no meu caminho, no meio de um show do Lulu Santos, a Débora. Além de linda, altamente gostosa, cabelos de índia e boca carnuda, ela me atropelou. Digo atropelou porque entrou na minha vida sem me dar a menor chance de me defender, de dizer não. Quando eu percebi, ela já estava dentro da minha casa, dentro da minha família, enfim, parte imprescindível da minha vida. Tinha todas as qualidades do mundo, menos uma: era ciumenta. Ciumenta não, ela praticamente reinventou o ciúme. Levava o ciúme a níveis jamais visitados pelo homo sapiens. E a conseqüência disso era que eu, apaixonado por ela e me comportando de forma impecável e imaculada, via de regra voltava para casa rasgado, unhado, mordido e repleto de escoriações. Sim, eu apanhava. Apanhava e não podia revidar porque ela, além do fato de ser mulher, era a mulher que eu adorava. E quando não batia em mim, atentava contra a própria vida. Abria a porta do carro em alta velocidade na tentativa desesperada de se lançar ao asfalto, subia no parapeito de seu apartamento no nono andar com ímpetos suicidas enquanto eu sofria na angústia de salvá-la e no medo de perdê-la. Tanto me desesperei, tanto sofri, que percebi que aquela relação doentia não podia perdurar, não era saudável para nenhum dos dois. Ao fim de dois anos de constante e mutiladora tensão, tomei coragem e terminei tudo. Digo tomei coragem e explico: é sabido que o homem dificilmente termina um relacionamento. As mulheres, essas sim, têm a dignidade de colocar um ponto final em um relacionamento sem futuro de maneira distinta e correta. Nós, homens, comumente nos acovardamos e acabamos optando pela saída genial: vamos fazer tudo de errado até que a mulher se canse de nós e ponha, ela própria, um fim à relação. Dessa forma, imagina-se, não precisamos lidar com a responsabilidade pelo término, uma vez que quem o solicitou foi a parceira...&lt;br /&gt;A verdade é que, devido ao acúmulo de insucessos, tornou-se mais fácil para mim superar um relacionamento falido e partir para um próximo, e foi assim mesmo que fiz. Pouco depois do desfecho com a Débora já me vi novamente envolvido com outra mulher. Sua beleza era inquestionável, seu bom humor parecia transbordar de seu corpo contaminando todo mundo que estivesse ao seu redor. A simples companhia de Amanda já me fazia sentir um privilegiado. É verdade: quando eu estava com ela, tinha a nítida sensação de que eu era um homem de muita sorte, escolhido a dedo por Deus para desfrutar do prêmio máximo que era a companhia de Amanda. Meus amigos, pasmem, também a adoravam. Ela se sentava com a turma toda nos botecos da vida e ali nos divertia por horas com seu bom humor, suas informações sempre atualizadas sobre os mais variados assuntos, e bebia litros de cerveja sem que isso afetasse de alguma forma seu corpo perfeito. O interessante é que existe um fator capaz de modificar drasticamente os rumos de um relacionamento e que eu, um bobo inexperiente, até então descaradamente desconhecia: a intimidade. Um belo dia, eu ligo pra minha adorada Amanda, avisando que estou indo para o sítio de um amigo, numa cidade próxima, pra jogar uma bolinha e tomar uma cerveja com a turma. A resposta da Amanda? Lá vai: “Tomara que você bata esse carro no meio do caminho e morra! Aliás, só você não! Você e esses seus amigos fracassados”!&lt;br /&gt;Só tenho uma coisa a dizer, caro leitor: não é fácil, não. &lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/caneta10.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-110366961233853149?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/110366961233853149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=110366961233853149&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/110366961233853149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/110366961233853149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/12/mulheres-da-minha-vida.html' title='MULHERES DA (MINHA) VIDA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-110236832061582888</id><published>2004-12-06T19:23:00.000-02:00</published><updated>2005-09-15T16:15:02.786-03:00</updated><title type='text'>O ENTERRO DO MEU TIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Outro dia recebi um telefonema às quatro da manhã: meu tio havia sido baleado na noite anterior e não resistiu aos ferimentos. Morreu. Ele estava tranqüilo numa padaria fazendo um lanche no exato momento em que dois assaltantes entraram e um deles, de dezessete anos, disparou seu revólver (não se sabe ao certo se por crueldade ou susto). Morreu e deixou esposa, três filhas, além de uma infinidade de parentes e amigos que o adoravam. O fato é que marcaram o velório e o enterro para o dia seguinte.&lt;br /&gt;No velório, surpreendi-me ao perceber a aglomeração de uma triste e barulhenta multidão. As pessoas se acotovelavam em busca de espaço junto ao corpo, que ainda nem havia chegado. Foi a primeira vez que fui a um velório tão cheio, talvez porque até aquele dia eu só houvesse ido a alguns poucos e escassos enterros, e sempre funerais de pessoas já bem velhas, cuja grande parte dos amigos também já tivesse falecido.&lt;br /&gt;A realidade é que pela primeira vez eu comparecia a um velório de alguém que morrera em pleno auge de sua atividade e cuja vida fora tirada de forma tão violenta, inesperada e ao mesmo tempo banal. E essa banalidade somada ao carisma e jovialidade do meu tio assassinado parecia aumentar de forma exponencial a dor e o inconformismo de todos que, ali no enterro, tentavam se consolar.&lt;br /&gt;Tamanha e tão desordenada era a multidão que, no momento da chegada do corpo, foi necessária a intervenção de alguns familiares no sentido de liberar o cômodo onde estava o caixão. Deu-se então um critério, para mim arbitrário, de seleção: só poderiam ficar ali num primeiro momento os parentes, de forma que até os amigos mais íntimos e antigos tiveram de ser retirados da sala, dando lugar a sobrinhos distantes e primos de terceiro grau.&lt;br /&gt;Do lado de fora, separados por uma porta de vidro, os amigos e conhecidos do meu tio se colocavam nas pontas dos pés e grudavam seus rostos no vidro numa tentativa desesperada e mórbida de visualizar o morto enquanto, do lado de dentro, o padre abria o caixão. Nelson Rodrigues costumava dizer que a verdadeira dor dança mambo. E é verdade: o ser humano, na aflição incompreensível do momento da perda, não sabe o que fazer. Pula, grita, dá cabeçadas na parede, silencia, se joga no chão, rodopia e, no dia seguinte, no momento em que acorda e lembra que aquilo não foi um sonho e que o morto realmente morreu, o sofrimento se repete. E assim a agonia e o sentimento de impotência vão prosseguindo, dia após dia.&lt;br /&gt;Mas citei Nelson Rodrigues e preciso retornar ao velório. No instante da abertura do caixão, o que se ouviu foi um uivo agudo, doloroso e único, resultado do somatório do pranto inconformado e da lamúria de todos aqueles que tanto amavam o meu tio e, em volta do corpo, não suportavam aquela cena. Havia, ainda, a busca desesperada do último carinho, do último afago. Todos ali passavam ternamente a mão em seu rosto já frio, e essa talvez seja a característica mais desumana e dolorosa das mortes inesperadas, seja por acidente, seja pela violência humana: a morte inesperada não dá ao ser humano o direito ao último carinho, à última declaração de amor. A pessoa morre sem que tenhamos declarado todo o nosso sentimento, porque a maioria dos seres humanos tem essa mania boba de guardar para si o amor que sente. Só externamos o nosso ódio, enquanto escondemos o amor, bem escondidinho, em algum lugar dentro de nós. Ai daquele que for descoberto amando! Ai de mim se souberem que eu amo de verdade algumas pessoas nessa vida...&lt;br /&gt;De onde eu estava, aos pés do caixão, eu também chorava e podia ver claramente a figura de meu tio. Ele havia acabado de voltar da praia, onde comemorou com minha tia seus vinte e cinco anos de casado, e por isso sua pele ainda estava bronzeada. A verdade é que, visualmente, seu corpo parecia intacto. Não fossem os algodões nas narinas, eu jamais entenderia o que é que faltava àquele corpo para que ele se levantasse dali, saísse do caixão e voltasse, saudável e bronzeado, a fascinar a todos nós com sua tradicional inteligência, seu bom humor, seu paternalismo, suas piadinhas prontas, seu empreendedorismo incontrolável, seu sorriso fácil, seu talento...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Taí: esse vai fazer falta.&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/tio%20henrique.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-110236832061582888?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/110236832061582888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=110236832061582888&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/110236832061582888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/110236832061582888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/12/o-enterro-do-meu-tio.html' title='O ENTERRO DO MEU TIO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-109695056865083121</id><published>2004-10-05T01:26:00.001-03:00</published><updated>2008-11-12T19:27:58.923-02:00</updated><title type='text'>OS SINTOMAS DA PAIXÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O título é meio brega. Ia ser pior ainda. A primeira idéia era “Os sintomas do amor”, mas aí eu caí na real e vi que até hoje, aos 28 anos de idade, eu ainda não conheci o amor. Não faço idéia do que sente uma pessoa que ama, porque na minha história pessoal nenhum relacionamento ultrapassou os dois anos de vida e eu imagino que o amor seja uma coisa que nasce depois, com o tempo, como aquele casal sessentão que vi andando de mãos dadas hoje na praça.&lt;br /&gt;Posso não entender de amor, mas de paixão acho que entendo. Entendo sim porque já me apaixonei e já até tentei me desapaixonar, e não consegui. É como saber que estou doente de uma doença para a qual a medicina ainda não descobriu a cura. Você fica meio desesperado porque aquilo não passa, ou demora a passar, e não há remédio que cure ou pelo menos alivie a dor.&lt;br /&gt;Falei em doença e explico o porquê: na minha opinião, a paixão é algo que pode ser diagnosticado tal qual uma gripe, através de uma análise específica dos sintomas. E a minha intenção aqui é tentar enumerar alguns destes sintomas para que qualquer um possa fazer um auto-exame e descobrir se tem ou não a tal “enfermidade”. É bem provável que o meu intuito seja vão, uma vez que me baseio única e exclusivamente numa cobaia solitária, eu mesmo, enquanto o método científico clama por amostragens maiores a fim de se aproximar ao máximo de resultados verídicos.&lt;br /&gt;Como não sou cientista, tomo a liberdade de quem não pretende ser levado a sério para enumerar, de 1 a 10, os sintomas da paixão. É muito fácil. Você pode ter certeza que está apaixonado se: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1. Você se flagra pensando nela às três da tarde de uma terça-feira repleta de trabalho e tem uma vontade incontrolável de parar tudo que está fazendo só pra telefonar e ouvir aquele jeito de falar que só ela tem e você não entende como é que pode...;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2. O simples fato de saber que na sexta-feira vai ter uma festa e ela vai estar lá já te faz lembrar que suas calças estão muito velhas e que você precisa urgente ir ao shopping pra comprar uma calça nova;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;3. Toda vez que você sabe que vai se encontrar com ela você toma aquele banho com atenção redobrada, gasta quase o sabonete inteiro, usa e abusa do xampu e quando sai do banho faz a barba mais meticulosa da década e passa o perfume em todas as vinte e três partes do corpo que, nas suas fantasias antecipadas, ela cheirou;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;4. Ela chega na festa que você já sabia há muito tempo que ela ia, tanto que passou a semana inteira ensaiando sozinho conversas interessantes, mas mesmo assim bate uma súbita taquicardia e um nervosismo tão besta que ela te fala “oi” e você não consegue responder direito;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;5. Na hora que você vai deixá-la em casa, depois da festa, você pára o carro na porta, mas fica rezando por dentro pra não chegar nunca o momento da despedida, fica ali com ela demorando até o dia nascer e quando ela fala que tem que ir você pergunta: -Mas já?;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;6. Ao acordar de manhã, no exato instante em que o cérebro começa a funcionar, a primeira coisa que você se lembra é que vocês ficaram juntos na véspera e isso te dá vontade de dar um pulo da cama como quem comemora um gol, mas você não pula e fica deitado mesmo, se enrola no cobertor e ri sozinho;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;7. Você fica se policiando o dia inteiro pra não ligar pra ela no dia seguinte, porque você tem medo de ligar e ela te achar muito pegajoso e se desinteressar, mas mesmo assim chega uma hora que você não consegue e acaba ligando;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;8. Deitado na cama, à noite, você se lembra de um livro que ela falou que estava louca pra ler e fica doido pra chegar logo o dia seguinte que é pra você poder comprar o tal livro e deixar na portaria do prédio em que ela mora, com um cartão com seu nome e umas palavras que só você mesmo poderia ter escrito; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;9. Toca uma música no rádio e você logo pensa que essa música é a cara dela, mas aí essa música acaba e começa uma outra música que é tão a cara dela quanto a que acabou de tocar;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;10. Naquele boteco, só você e ela, conversando e comendo aquele tira-gosto manjado com uma cerveja gelada quase banal, você subitamente constata que não existe nenhum outro lugar do mundo em que você preferiria estar naquele momento que não fosse ali mesmo, naquele boteco ordinário, com ela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1096951341.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-109695056865083121?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/109695056865083121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=109695056865083121&amp;isPopup=true' title='79 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109695056865083121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109695056865083121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/10/os-sintomas-da-paixo.html' title='OS SINTOMAS DA PAIXÃO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>79</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-109632730881652601</id><published>2004-09-27T19:08:00.000-03:00</published><updated>2004-09-27T20:21:48.816-03:00</updated><title type='text'>"JOYAHOLICS"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Mais uma dose? É claro que eu tô afim! A noite nunca tem fim. Por que que a gente é assim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo já é conhecido, entre nós brasileiros, o termo inglês “workaholic”, que é empregado para designar aquele cidadão que é viciado em trabalho. Este tipo de sujeito está sempre disposto a uma nova jornada de trabalho, inclusive dedicando a este as horas que deveriam estar reservadas ao lazer e ao descanso. Mas felizmente não estou aqui pra falar deste tipo de indivíduo. Não. O que me move é a possibilidade de debater aqui um outro tipo de comportamento, parecido com o dos workaholics, mas ao mesmo tempo inverso: os joyaholics.&lt;br /&gt;Não sei bem se já existe tal termo, mas se não existe, acabo de inventá-lo e exijo minha patente. Trata-se daquele ser humano insaciável, incansável e de um vigor físico inexplicável, viciado em baladas. Todos conhecemos pelo menos uma pessoa assim. Eu, por exemplo, conheço algumas mas destaco uma em especial: eu mesmo.&lt;br /&gt;Não é difícil identificar um joyaholic, uma vez que suas características principais podem ser facilmente diagnosticadas. Em caso de superposição de programas, o joyaholic será sempre aquele incapaz de escolher um único programa e certamente será visto nas três festas daquela noite, sempre com o copo na mão, demonstrando grande resistência. Além disso, quando a última das três festas acabar, será ele também o último a sair da festa, estando ainda aberto a convites para mais algum evento mesmo naquela hora, às nove da manhã. Esse momento, do fim de festa, é um momento especial pois aí ocorre a confraternização dos joyaholics, uma vez que são sempre os mesmos elementos a desejarem a noite até seu último segundo, já se conhecem de longa data e não raro tornam-se amigos.&lt;br /&gt;O interessante disso tudo é que muitas das pessoas que participaram da noite sem sequer metade do empenho de um joyaholic, no dia seguinte apresentam-se com o dobro da indisposição, pois seu corpo ainda não está preparado, ainda não foi submetido aos tantos acúmulos de excessos superpostos que deixam o corpo do boêmio altamente preparado para a insanidade noturna. Podemos fazer a comparação, por exemplo, com um atleta olímpico que submete seu corpo a treinamentos intensos e dolorosos a fim de alcançar melhor desempenho nas competições. Como todo atleta de ponta, é certo dizer também que o joyaholic não sai ileso dessa absurda maratona.&lt;br /&gt;Assim como jogadores de futebol aposentados apresentam problemas nos joelhos, os de vôlei sentem os ombros e os boxers chegam a apresentar em alguns casos até o Mal de Parkinson, também o boêmio haverá de manifestar um dia alguma seqüela. Resta-nos esperar para ver o que o futuro nos reserva. Mas enquanto o futuro não chega, vamos bebendo.&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1096326716.jpg" /&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-109632730881652601?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/109632730881652601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=109632730881652601&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109632730881652601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109632730881652601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/09/joyaholics.html' title='&lt;em&gt;&quot;JOYAHOLICS&quot;&lt;/em&gt;'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-109210794904340448</id><published>2004-08-10T00:16:00.000-03:00</published><updated>2004-08-10T21:32:58.476-03:00</updated><title type='text'>PAULINHO BONDADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Paulinho Bondade nem é tão bom assim. Tem esse apelido desde os tempos de escola. Não porque fosse bondoso, mas devido à existência, no colégio, de um rapaz notoriamente bandido, que era conhecido na turma pelo singelo apelido de Paulinho Maldade. Apesar do apelido, Paulinho Bondade nunca foi o que se pode chamar de homem exemplar. Sempre foi autor de frases e cenas absurdas e inacreditáveis, que causavam grande espanto em todos, menos nele.&lt;br /&gt;Aos dezessete anos, conheceu uma menina de dezesseis, Nilza, que mudaria de vez a sua vida. Nilza era bonita e gostosa, tinha pele clara e longuíssimos cabelos negros. Mas negra também era sua personalidade. Era dona de um gênio difícil, que misturava autoritarismo com doses cavalares de insegurança. Tratava Paulinho Bondade à base de gritos, unhadas e beliscões. Quanto melhor ele se comportava, mais ela achava que Bondade estava aprontando, e mais gritos e beliscões ele tinha que aguentar. Vivia, por isso, repleto de hematomas.&lt;br /&gt;O problema é que, a partir daí, durante os quase dez anos que se sucederam, desenvolveu-se entre os dois uma relação doentia. Quanto mais Nilza infernizava a vida de Paulinho, mais dependente dela ele se sentia. Alguns defendiam a tese de que Bondade era, no fundo, um masoquista, que sentia um intenso prazer nos maus tratos da moça. Mas quem realmente o conhecia sabia que, a bem da verdade, o que realmente prendia Paulinho àquela louca era outra coisa: o sexo. Eis a verdade: como brigavam todo santo dia, havendo motivo ou não, faziam as pazes diariamente no ato sexual. Era justamente esse ato sexual diário, sempre encharcado de ódios, amores, violência e dor, que parecia indispensável para o Bondade. Ah! E havia ainda um agravante, o golpe fatal de Nilza: no sexo, ela se deixava subjugar por Paulinho. Aquele era, de fato, o momento de glória e redenção do rapaz. Muitas vezes, os amigos o chamavam num canto, na tentativa vã de afastá-lo daquela carrasca. Em coro, apelavam:&lt;br /&gt;-Ô Bondade! Larga essa encrenca, moço! Isso não é vida, não.&lt;br /&gt;E, nessa hora, Paulinho retrucava, eufórico:&lt;br /&gt;-Vocês falam isso porque não fazem idéia do que eu sinto quando pego a Nilza de quatro, seguro no cabelo dela vendo aquela bundinha perfeita e o rosto olhando pra mim com uma carinha de safada que quer ser dominada. Ali, meu filho, é a minha hora! Eu posso sofrer o que for, mas nessa hora eu sou o cara! E é nisso que eu penso o tempo todo. É isso que me tira da cama todo dia de manhã!&lt;br /&gt;Os amigos, perplexos, nem tinham mais o que dizer. Depois dessas declarações palpitantes do Paulinho, havia até quem saísse de lá invejando a situação do rapaz. Outro dia, houve quem balbuciasse:&lt;br /&gt;-Pelo menos ele tem emoção na vida. Pior sou eu que fico enrolando até mais tarde no trabalho, esperando que a minha esposa durma antes de eu chegar, para não precisar comê-la.&lt;br /&gt;E os outros ainda completaram:&lt;br /&gt;-E a minha mulher? Era linda e gostosa e hoje é um bucho impraticável. Passa a vida pensando no que vai comer de sobremesa!&lt;br /&gt;-E uma coisa nós não podemos negar: a Nilza pode ser o que for, mas é gostosa pacas!!&lt;br /&gt;-Ah, isso é verdade. O Bondade que me perdoe, mas que rabo é aquele, hein?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que Nilza era, sim, sob o aspecto do talento sexual, uma mulher incomparável. Desde a sua primeira vez, com o próprio Paulinho, havia evoluído no domínio dos afazeres sexuais de uma maneira que chegava a espantar o namorado. Mas ele, claro, adorava isso e se submetia de forma incondicional aos caprichos inexplicáveis da moça, deixando-se humilhar e humilhando-se publicamente, na frente de quem fosse. A situação era de tal forma desconfortável que até o pai de Paulinho, seu Weber, homem discretíssimo, já não agüentava mais. Após tantos anos vendo o filho sofrer e se humilhar perante todos, não agüentou mais e fez a declaração bombástica: -Preferia ter um filho gay! Assim não dá. É sofrimento demais!&lt;br /&gt;Do outro lado, Dona Isolda, mãe de Nilza e figura manjada nas colunas sociais da cidade, também condenava a relação do casal, esbravejando: “Minha filha, larga esse rapaz enquanto há tempo! Esse sujeito é descontrolado. Qualquer dia acontece uma tragédia daquelas! Ai, que vergonha...”. A aflição de Dona Isolda era tal que se recusava a abrir o portão da casa para Paulinho. Enquanto Nilza não tomasse uma atitude, ele ficava do lado de fora, fizesse chuva ou sol, fosse dia ou noite.&lt;br /&gt;Apesar de todo esforço coletivo contrário ao relacionamento, o fato é que Paulinho e Nilza se aturavam e até se julgavam felizes. Até que...&lt;br /&gt;Até que um dia, sem dar a menor satisfação, Nilza pôs um fim no relacionamento. Bondade, completamente atônito, não sabia o que fazer. Como já era de se esperar, se humilhou como jamais havia feito. Mandava flores, deixava recados, ajoelhava-se na porta do trabalho de Nilza com presentes caríssimos, gritava, esperneava: “Pelo amor de Deus, Nilzinha! Pelo amor de Deus!”. E nada. Nilza estava impassível perante o sofrimento do ex-namorado. Nos momentos da maior degradação de Paulinho, fazia cara de nojo e dizia: “Tenha dó, meu filho. Tenha dó”.&lt;br /&gt;Ele ainda inconsolável ligava para os amigos numa última tentativa de aplacar seu sofrimento. Chorando como uma viúva, tomado por uma constipação monumental, soluçava ao telefone: “Como é que eu faço sem Nilzinha? Como é que eu vivo sem aquela bunda, sem aquele gênio maldito da minha Nilzinha? Me responde!” Os amigos ainda tentavam: “Calma, Bondade. Calminha aí. O que não falta nessa cidade é bunda boa e mulher chata! Aliás, é o que mais tem, viu?” De nada adiantava.&lt;br /&gt;Eis que um dia toca o telefone de Paulinho. Era um amigo de longa data:&lt;br /&gt;-Paulinho! Como vai? Tudo bom aí, filhão?&lt;br /&gt;-Vou levando. Vou levando. – respondeu resignado.&lt;br /&gt;-Vem cá. E aquele namoro antigo com a Nilzinha, como é que anda?&lt;br /&gt;-Tá perguntando por quê, hein?&lt;br /&gt;-Responde, meu filho. Responde.&lt;br /&gt;-Terminou. Levei um baita pé na bunda! Estou que não me agüento mais! Agora me diz: que é que foi?&lt;br /&gt;-É que...&lt;br /&gt;-Desembucha logo, homem de Deus! Anda!&lt;br /&gt;-É que ela está hospedada no mesmo hotel que eu, aqui em Ouro Preto.&lt;br /&gt;-Ouro Preto? Sozinha ou acompanhada? – perguntou apavorado.&lt;br /&gt;-Acompanhada.&lt;br /&gt;-Puta que o pariu! Com quem? Anda, responde! Com quem?&lt;br /&gt;-Com o...&lt;br /&gt;-Fala logo, filho da puta! – gritou babando.&lt;br /&gt;-Com o Taveira.&lt;br /&gt;-Taveira? Que Taveira é esse, diabo?- a essa altura, Paulinho Bondade já estava no último estágio da taquicardia. Achava que nada podia ser pior do que aquilo. Mas podia...&lt;br /&gt;-Taveira. Aquele professor de yoga dela, tá lembrado? –retrucou o amigo.&lt;br /&gt;Paulinho não agüentou a pressão. Desligou o telefone na cara do amigo e deu início a uma crise nervosa. Ficava imaginando o Taveira, um sujeito alto, musculoso e elástico experimentando as mais acrobáticas e impensáveis posições sexuais com a sua pura e imaculada Nilzinha, saciando-a de uma forma que ele nunca fora capaz. Nas fantasias de Bondade, o Taveira, além das qualidades já citadas, possuía ainda um pênis colossal, que parecia partir ao meio sua pobre namoradinha em coitos mais engenhosos que os do Kama Sutra.&lt;br /&gt;Pois bem. Paulinho então tomou a drástica decisão: “Essa humilhação eu não agüento! Tudo, menos isso!”. Como um vingador experiente esperou sem alarde o retorno dos dois e passou a vigiar a rotina do novo casal. Para amigos e familiares, transparecia uma felicidade efusiva e palpitante, deixando muito satisfeitos todos aqueles que dele gostavam. Arranjou até uma namoradinha nova e calmíssima, a Mônica, com quem passeava pra lá e pra cá irradiando um sorriso escancarado. Seu pai, seu Weber, já dizia numa alegria cega e delirante: “Agora sim! Sou um pai felicíssimo. Com a graça de Deus, Paulinho deu um jeito na vida. Livrou-se daquela megera e encontrou essa santa! A Mônica sim é uma mulher com ‘M’ maiúsculo!”.&lt;br /&gt;Mas não era nada disso. Tudo teatro. Todas as noites, e repito: todas as noites Paulinho chorava em silêncio e babava no travesseiro até o dia raiar. De manhã, numa coriza medonha, tomava seu banho e saía para a rua. Mais um dia de teatro.&lt;br /&gt;Comprou um revólver e uma fantasia de florista e foi bater na casa de Taveira, com a arma escondida no meio do buquê de margaridas. Taveira abriu a porta e ouviu-se logo o estampido. O tiro, certeiro, matou o professor de yoga antes que este pudesse dizer ao menos um “olá”. Nilza, que estava na cozinha, correu para a sala e viu a cena dramática: Paulinho com o revólver na mão e Taveira morto no chão com o queixo dilacerado. Os vizinhos, assustados, correram para o apartamento de Taveira, mas Bondade havia trancado a porta e bloqueado a passagem com a mesa de jantar. Do lado de fora, só o que se ouvia eram os inacreditáveis gritos de pavor de Nilza. De Paulinho, não se ouvia sequer um pio. Os vizinhos tentavam desesperadamente arrombar a porta quando mais dois tiros foram disparados. Tarde demais.&lt;br /&gt;A polícia chegou e conseguiu arrombar a porta. Lá dentro, o que se via era uma cena lamentável: três corpos sem vida estendidos no chão, cada um com um buraco de bala. Em cima da mesa, Bondade deixara um bilhete destinado à Dona Isolda, mãe de Nilza, com os seguintes dizeres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ninguém me humilha mais. Antes de matar, estuprei. Ass.: Paulinho.”&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1092105942.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-109210794904340448?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/109210794904340448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=109210794904340448&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109210794904340448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109210794904340448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/08/paulinho-bondade.html' title='PAULINHO BONDADE'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-109017579305814084</id><published>2004-07-18T15:27:00.000-03:00</published><updated>2004-08-10T21:36:46.636-03:00</updated><title type='text'>PC</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;PC, ao contrário do que possa parecer, não se chama "Paulo César". Seu nome é Duílio, mas ganhou esse apelido por trabalhar por muitos anos na venda de computadores. Entretanto, a grande paixão da vida de PC sempre foi a boemia. Adorava a combinação explosiva de noite, alcoolismo em larga escala e mulheres - todo o tipo de mulheres. &lt;br /&gt;Naquela noite de sexta-feira, a programação já estava sendo combinada no boteco copo sujo em frente à sua loja de computadores, local onde PC e seus amigos sempre se encontravam para um repiáuer. Tomariam uma cerveja ali até umas oito horas e depois cada um iria para sua casa se aprontar para a boate da moda: "Elevador". A "Elevador" era uma boate que se situava no centro da cidade, no terraço de um arranha-céu. Era toda envidraçada e possibilitava uma belíssima vista aérea da cidade, que ia ficando mais bonita e mais poética à medida que os freqüentadores da distinta casa iam se embebedando. &lt;br /&gt;Oito horas e o pessoal já se levantava da mesa quando PC se manifestou, já com a língua trôpega: &lt;br /&gt;-Não vou tomar porcaria de banho nenhum! Podem ir se perfumar que eu vou ficar tomando mais umas por aqui e a gente se encontra direto lá na boate. Bando de frescos, isso sim! &lt;br /&gt;O pessoal já o conhecia bem e sabia que não havia como discutir com PC após o terceiro "Submarino". Para quem não sabe, Submarino é um drinque que consiste de uma dose de Steinhaeger gelado misturada a um copo de cerveja. O resultado dessa mistura é uma bebida muito saborosa que leva o sujeito à inconsciência em minutos, sem dar a ele a chance de perceber ou reagir. E era a bebida preferida de PC. &lt;br /&gt;Quando chegaram à disputada casa noturna, os amigos de PC se depararam com uma cena bizarra: no meio da pista da boate mais badalada do momento, PC se engalfinhava com o ser mais feio que já se teve notícia em toda a história ocidental. Ele beijava, amassava e rodopiava na pista de dança com um bucho unânime e repito: -Não há sequer um ser humano vivo que pudesse classificar como bela aquela pobre que se desmanchava em cenas dignas de carnaval proibido nos braços de PC. Após o susto, rapidamente se aproximaram do casal e ouviu-se a constatação hilária: &lt;br /&gt;-Olhando assim, mais de perto, acho que é mulher! &lt;br /&gt;E o outro amigo retrucou: &lt;br /&gt;-Também acho! Pelo menos não está latindo. &lt;br /&gt;Foi aí então que resolveram abordar PC para averiguar a situação do rapaz. Descabelado, olhos cerrados e vermelhos, camisa desabotoada e cheio de marcas do mais vagabundo batom vermelho, ele balbuciou: &lt;br /&gt;-Já apresentei a vocês o meu docinho-de-leite? Como é seu nome mesmo, amorzinho? &lt;br /&gt;E ela respondeu encantada: &lt;br /&gt;-Vinícias, meu anjo. &lt;br /&gt;Foi o suficiente para que os amigos o puxassem para um canto e dessem a bronca necessária: &lt;br /&gt;-Você está louco, meu filho? Tem noção do que está fazendo? Queimando seu filme aqui no meio da "Elevador" com esse tribufu lamentável? &lt;br /&gt;Mas PC já não conseguia mais se manifestar. Àquela altura, já era impossível para ele concatenar consoantes e vogais a fim de construir uma palavra que fosse. Seus amigos então lhe tomaram o copo de uísque e entregaram uma garrafa d’água. Porém, enquanto bebia a água, aproveitava para beijar com volúpia e ereção aquele bucho inexplicável, sob o olhar atento e estarrecido das mais lindas mulheres da cidade, que se dispunham numa roda em volta do inacreditável casal, como que assistindo a um espetáculo circense. &lt;br /&gt;Foi nesse momento que a água que PC bebia começou a surtir algum efeito positivo, ajudando-o a recobrar os sentidos. Primeiro, começou a ouvir as batidas da música eletrônica que ecoava no local. Depois, começou a enxergar flashes da luz que piscava e parecia se mover, deixando-o nauseado. Até que, de repente, ele retomou parte da consciência e vislumbrou a seguinte cena: em sua frente Vinícias, aquele "e.t." horroroso, mexia no seu cabelo enquanto ele avistava todas aquelas luzes da cidade, bem distantes, lá embaixo. Não conseguia ainda entender muito bem as coisas mas, apavorado, fez a constatação cabível: &lt;br /&gt;-Puta que o pariu! Fui abduzido! &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1090175651.jpg" /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-109017579305814084?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/109017579305814084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=109017579305814084&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109017579305814084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/109017579305814084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/07/pc.html' title='PC'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-108986641983189196</id><published>2004-07-15T01:37:00.000-03:00</published><updated>2004-08-05T17:39:24.593-03:00</updated><title type='text'>O SOLTEIRO</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Narro esta história na primeira pessoa do singular por um motivo muito simples: aconteceu comigo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se você é daqueles que já há algum tempo vive desfrutando da confortável companhia de sua cara metade, talvez tenha se esquecido do quanto é imprevisível o que pode acontecer a um homem solteiro numa madrugada. Existe também a possibilidade de você fazer parte do privilegiado e seleto grupo dos namoradores natos, cujas lembranças mais recentes da época de solteiro se resumem a algumas partidas de tapão no recreio da escola ou até mesmo aquelas deliciosas trocas de figurinhas. De qualquer modo, não interessa. &lt;br /&gt;O que interessa é que era Sábado à noite e haveria uma festa sobre a qual o Cabeça havia dado as melhores referências, com assinatura em baixo de outro amigo: o Modelo (assim apelidado pelo fato de seu principal ganha pão serem os desfiles de moda). Em suas descrições da mesma festa em anos anteriores eles quase babavam ao descrever a farta presença de mulheres, bebida e comida – uma mistura sensacional, se não fosse diarreica. &lt;br /&gt;Como é de costume em eventos deste porte, o nível alcoólico já superava em muito o recomendado no momento em que partimos para a festa eu, Cabeça, Modelo e Grisalho, que levava consigo, além da já habitual e costumeira cabeleira branca, mais uma garrafa do escocês. &lt;br /&gt;A chegada à festa foi animadora, uma vez que, fato raro na vida de um solteiro nato, as grandes expectativas criadas não geraram a decepção quase tradicional. Mas eu me referi ao solteiro nato e preciso explicar. Não se trata de um ser humano qualquer, não. O solteiro nato se destaca dos demais por ser, acima de tudo, um desbravador. Um bandeirante motivado não por esmeraldas, mas pelas curvas de um belo rabicó feminino. Um Borba Gato apaixonado pela possibilidade de encontrar um tesouro ainda intocado (pelo menos por ele próprio). &lt;br /&gt;Voltemos à festa. Algum tempo de amnésia alcoólica se sucedeu, mas quando voltei ao comando, grata surpresa: estava conversando com uma fêmea de boa peitaria e cabelos compridos, personagem de antigos carnavais. O abate era inevitável. Seu nome era Luana. Alguns amigos a apelidaram maldosamente de Luana B.O., em virtude de favores orais que ela habilmente me fornecera numa noite de reveillon no litoral baiano. Boquete de ouro. &lt;br /&gt;Mas vamos deixar de lado a desonrosa descrição da pobre, para que possamos prosseguir. Segui com ela, não consigo me lembrar por quê, para um dos lugares mais movimentados da festa: uma boate a céu aberto para onde a maioria das pessoas havia se dirigido em busca de mais pessoas e música dançante. Foi exatamente nesse local repleto que, sem noção, iniciei com Luana um processo de exploração explícita e mútua de nossos corpos bêbados. Processo este que envolvia a desabotoadura de roupas e eventuais carícias públicas a partes pudendas. O enlace evoluiu de tal forma que resolvemos realizar ali mesmo, perante o olhar esbugalhado dos incautos espectadores, a inadiável conjunção carnal. Perdoe-me o paciente leitor, mas esta última frase é mentirosa. Não há nela uma única afirmação verdadeira, mas não pude resistir e acabei inventando esse desfecho inverídico, porém muito mais atraente. A verdade é que causamos sim um certo estupor, mas contivemos nosso élan antes que o fato se consumasse, quando ela disse que teria que ir embora. &lt;br /&gt;A reação que se espera de alguém numa situação dessas é que esboce, no mínimo, um certo pesar pela partida da parceira, mas não tenho esta decência. Assim que fui informado por Luana da necessidade de sua partida, comecei a vislumbrar a possibilidade de ampliar meu campo de atuação, afinal de contas não faltavam naquela festa mulheres irretocáveis e apetecíveis. E além do mais, àquela altura eu já estava com a confiança natural de um ébrio que já não possui mais o olhar do lobo. &lt;br /&gt;O conceito do olhar do lobo, para quem não sabe, é tão infalível quanto a lei da gravidade. Trata-se de uma verdade matemática e inquestionável: quando um homem deseja muito uma mulher, ele transmite esse desejo através do olhar de forma escancarada e involuntária, assim como um lobo a procura de comida. O problema reside justamente aí. Percebendo-se desejada, a presa, digo, a mulher, sente-se valorizada, e todos sabemos que o acréscimo da auto estima feminina gera aumentos exponenciais na possibilidade de rejeição. &lt;br /&gt;E foi assim, com os olhos confiantes de um lobo saciado, que fui acompanhar Luana até a saída da festa. Durante esse percurso, fui surpreendido por um leve pontapé nas nádegas, que imaginei oriundo de pés amigos. Entretanto, quando me virei para fazer a reverência, deparei com um antigo e flácido desafeto, que me olhava fixamente, convocando-me, pasmem, para uma briga. Não entendi muito bem o que poderia estar motivando aquela adiposa criatura a querer partir para as vias de fato, até que Luana se manifestou, identificando-o como seu ex-namorado. Na certa ele havia passado pela cruel experiência de assistir sua casta e pura amada fazendo par romântico com um antigo desafeto seu num espetáculo libidinoso aberto ao público. Mesmo levando em conta a agudez da situação, não concordo que fosse motivo para realizar ali, no meio de um ambiente festivo, uma disputa corpórea. Mas não consegui dissuadi-lo da idéia, e o que se viu daí em diante foi uma exibição grotesca de golpes, baixos ou não, que só terminou quando meu oponente desfaleceu e pude, enfim, embebedar seu rosto em uísque, ateando fogo na face ensanguentada. Felizmente, ou infelizmente, a passagem em que descrevo a briga é, novamente, mentirosa. Mais uma vez não consegui conter meu ímpeto de dar à história um desfecho que considero ideal, mas não tenho outra intenção senão relatar os fatos da forma como eles realmente se sucederam. Peço desculpas e permissão para continuar a partir do momento em que relatei o último fato verídico. &lt;br /&gt;Não concordo com a resolução física para esse tipo de problema, e também não sou tão valente assim. A verdade é que quando partiríamos para a contenda, Luana intercedeu segurando seu vergonhoso ex-namorado, situação da qual me aproveitei, retirando-me do alcance visual daquele agressor em potencial, em busca da segurança proporcionada pela minha roda de amigos. Aliás, amigos esses que ficaram furiosos ao me ouvir relatar o fato e passaram então o resto da noite, em vão, à procura daquele selvagem que quisera agredir o mais pacato dos cidadãos. &lt;br /&gt;Findado este pequeno melodrama, pude retomar meu plano inicial. Já estava livre daquela putinha, e agora poderia voltar minhas atenções às beldades presentes. Mas, infelizmente, já era tarde demais: o episódio da briga havia tomado, sem que eu percebesse, o tempo que me sobrava de festa, e as tão desejadas beldades haviam partido, deixando a mim e a meus amigos a triste opção da partida. &lt;br /&gt;Eu poderia terminar aqui, mas outras coisas aconteceram e peço que me acompanhem até o final – afinal, não falta muito. &lt;br /&gt;Quando chegamos, Modelo e eu, ao local onde havíamos estacionado, tivemos a triste constatação: nossos “amigos” Cabeça e Grisalho haviam partido, restando-nos apenas a esperança de uma carona salvadora, uma vez que já não havia mais táxis àquela hora. Foi o que aconteceu. Fazíamos o tradicional gesto da carona com o dedão quando um carro estacionou. Era um carro pequeníssimo, quase lotado com três passageiros: um casal ia na frente enquanto uma gordinha se esparramava no banco de trás. Acabou a moleza – ajeitamos a gorda e nos esprememos lá atrás. A partir daí, iniciou-se mais um drama. Modelo dormia e eu tinha o corpo pressionado por dois corpos volumosos, somados ao efeito explosivo da mistura já citada de comida e bebida em excesso. Além disso, a embriaguez me reduzira drasticamente o controle do esfíncter, justamente no momento em que me atacava uma crise de gases. Mas eu tive sorte. Se bem que nem tanta sorte assim. Eu explico: tive sorte porque, no momento da inevitável flatulência, soltei gases inaudíveis. O problema é que, justamente por serem inaudíveis, não eram inodoros. O mau cheiro infestou em poucos segundos aquele pequeno carro, de vidros embaçados, e veio acompanhado de um terrível mal estar que levou os dois do banco da frente a abrirem rapidamente as janelas, fazendo com que uma rajada de vento congelante e desconfortável do alvorecer invadisse o interior do veículo, cumprindo uma missão desinfetante. Consegui contornar a incômoda situação acusando meu amigo que dormia, eximindo-me de qualquer culpa. Mas o bem estar durou pouco, uma vez que emendei outra bomba na sequência – gota d’água para o dono do veículo. Atordoado pelo efeito dos gases e indignado com a falta de respeito ele parou o carro e mandou que descêssemos. O motorista estava certo. Em seu lugar eu provavelmente teria feito o mesmo, por isso descemos sem argumentar. Naquela hora da manhã, voltávamos a pé para casa sob golpes de um vento antártico, quando o Modelo fez a pergunta impensável: &lt;br /&gt;-E amanhã? Qual vai ser a programação? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1089867333.jpg" /&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-108986641983189196?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/108986641983189196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=108986641983189196&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108986641983189196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108986641983189196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/07/o-solteiro.html' title='O SOLTEIRO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-108906866784182809</id><published>2004-07-05T19:53:00.000-03:00</published><updated>2004-08-05T17:40:11.416-03:00</updated><title type='text'>TRAIÇÃO</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;	Vou contar uma coisa sobre o comportamento masculino que, para muitos, talvez não seja novidade. Mas é algo que precisa ser dito. Existem apenas dois tipos de homem: os que traem e os que querem trair. Deve haver, eu imagino, alguns que são fiéis, mas estou aqui para falar apenas dos normais.&lt;br /&gt;	Para mim, esta é uma constatação de um dado obvio, evidente. Se quiser saber se um homem é do tipo que pega outras mulheres ou do tipo que quer pegar, basta prestar atenção no modo como tratam suas esposas. Aqueles que traem as esposas tratam-nas melhor. &lt;br /&gt;O problema é que para este mesmo homem, nascido e criado para trair, foi armada uma arapuca, um script da vida que não condiz com a premissa inicial da infidelidade. Todo mundo sabe que o caminho dito “normal” é o sujeito se casar, ter filhos, criar os filhos, ter netos, blá, blá, bla´... Entretanto, a mesma sociedade que desenhou este caminho não aceita a infidelidade, e é aí que começa toda a podridão.&lt;br /&gt;	O que acontece é o seguinte: se sabemos que o rapaz ou trai ou quer trair, como então conciliar este dado com a vida de casado? Vejo, num primeiro momento, duas respostas a esta pergunta. Uma das soluções mais imediatas é o sexo comprado. Facilita demais a vida do marido, uma vez que este não se sente realmente um infiel, na medida em que está pagando por um serviço que o desobriga a ter qualquer tipo de envolvimento com a prestadora. Isso, para o marido, é uma beleza. Ele sabe que, para a mulher, sentimento é uma coisa muito importante num relacionamento. Se não há sentimento, a traição é menos grave. A prostituta se torna, assim, uma espécie de carregadora de piano. Ela é paga para tirar das costas dos maridos o peso da mochila da traição. Outra opção, talvez mais antiga que a mais antiga das vocações, é a chamada vista grossa. A mulher sabe que está sendo traída, sempre. O que ela faz? Algumas, as mais autênticas, realmente brigam e terminam o casamento. Outras, porém, mesmo sabendo da traição, tentam manter as aparências. São as piores. Às vezes, traem o marido numa forma de vingança que pode acabar se transformando num autoflagelo. A mulher acaba se degradando, se mutilando, se torna capaz de atos incoerentes com seu pensamento. O ser humano sempre procura o caminho da autodestruição. É da sua natureza.&lt;br /&gt;	O leitor deve ter percebido que escrevi o texto deixando clara a participação do homem de forma diferente à da mulher. Entretanto, hoje sabemos que este tratamento diferenciado não precisa mais ser dado. As mulheres, em questões dessa natureza, estão cada vez mais parecidas com os homens, com o agravante de que são melhores em dissimular. Pode-se trocar a palavra “marido” por “esposa”, “homem” por “mulher”, e o que quero dizer ainda assim fará sentido. Mas o que quero realmente dizer?&lt;br /&gt;	É o seguinte: se sabemos, e como sabemos, de tantos casos em que houve a traição, por que não aprendemos a relevá-la? Por que não a tratamos como fato corriqueiro cotidiano? Só para começar, poderíamos parar de denominar “traição” as relações extraconjugais. O conceito de “traição” está diretamente ligado à idéia de deslealdade. Pois vejam: se não houver mentira, não haverá a deslealdade – não é traição. &lt;br /&gt;	O motivo que me induz a levantar essa questão já foi citado acima, mas vale a pena insistir: se há tanta gente traindo seus parceiros, por que então não transformar a relação extraconjugal em algo difundido e aceito pela maioria? Por que não facilitamos as coisas? Será que é necessária a sensação de perigo? Será que precisamos sentir o prazer de transgredir as regras do jogo?&lt;br /&gt;A outra opção seria aprendermos a não querer trair, mas isso, a esta altura do campeonato, eu acho difícil. O que há, na doentia mente humana, que nos faz trair mas abomina a idéia de sermos traídos?&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;IMG SRC="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1089073481.jpg"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-108906866784182809?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/108906866784182809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=108906866784182809&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108906866784182809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108906866784182809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/07/traio.html' title='TRAIÇÃO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-108629509899015017</id><published>2004-06-03T17:32:00.000-03:00</published><updated>2006-09-01T15:39:21.153-03:00</updated><title type='text'>MINHAS MELHORES RISADAS</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Interrompemos o andamento normal do blog para a publicação desta missiva que nada tem a ver com o "Gente que existe".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria que você me conhecesse de um jeito que você não conhece direito. Queria ficar do seu lado um tempo que eu nunca fiquei. Queria fazer as coisas que você faz, te acompanhar. Pegar algumas características minhas que te fazem bem e, a elas, somar outras novas. Pegar minhas características que te fazem mal e esconder, bem escondidinho, num lugar que você nunca ia achar. Queria te olhar do jeito que eu sempre te olhei, só que por mais tempo, até poder te desenhar de olhos fechados, com todos os detalhes.&lt;br /&gt;Pode ser loucura minha, mas comecei a imaginar como seria o futuro do seu lado. Como seria a casa, qual seria o carro, qual seria o bairro e outras bobagens assim. Pensei também em como seria o futuro sem você. Não consegui imaginar direito, só lembro que era em preto e branco.&lt;br /&gt;Pensei em como, mesmo após tanto tempo, tem tanta coisa que a gente ainda não fez juntos. Mas consegui ver nisso uma coisa boa, um lado positivo, que é te conhecer melhor ainda fazendo tudo isso agora. Fazer e refazer e refazer e refazer...&lt;br /&gt;Você é a pessoa que me fez viver as emoções mais intensas. Minhas melhores risadas e meus piores choros foram com você, ou por você. Só isso, pra mim, já significa tudo. Não quero levar uma vida mais ou menos e sei que, com você, não existe mais ou menos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/1600/fe.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7408/405/320/fe.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-108629509899015017?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/108629509899015017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=108629509899015017&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108629509899015017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108629509899015017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/06/minhas-melhores-risadas.html' title='MINHAS MELHORES RISADAS'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-108483837007583871</id><published>2004-05-17T20:52:00.000-03:00</published><updated>2004-08-05T17:42:51.686-03:00</updated><title type='text'>ANANIAS</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ananias era viúvo. Morava sozinho e trabalhava numa repartição da prefeitura. Já era senhor de idade, há muito tempo no serviço público e, por isso, totalmente contagiado pela preguiça e ineficiência de seus colegas de trabalho.&lt;br /&gt;Poderiam dizer que a inoperância da repartição se devia à avançada idade dos funcionários, mas não procede. Quem realmente conhecia os rapazes sabia da grande eficiência e disposição daqueles gentis senhores quando o assunto era a inadiável e semestral “pescaria”. Sim! Fosse  verão ou inverno, fizesse frio ou calor, ou até mesmo se viesse a falecer, numa infelicidade, um ente querido de algum deles, e haveria ainda uma certeza: nada impedirá a pescaria!&lt;br /&gt;De seis em seis meses se organizavam, sob a batuta de Ananias, com pontualidade e eficácia jamais vistas em toda a história do serviço público, e partiam para a tão sonhada viagem ao Pantanal.&lt;br /&gt;É bem verdade que a tal viagem oferecia, além da citada pescaria, outras formas de diversão. Uma delas, entretanto, causava particular furor no grupo: a chamada Torre de Babel. &lt;br /&gt;A Torre de Babel era uma bem estruturada boate, situada no meio do Pantanal. Só se podia chegar até lá de barco, e era isso que faziam. Liderados por Ananias, alugavam uma chalana que os levava direto à “Torre”, onde poderiam contratar belíssimas acompanhantes nativas, que lhes propiciavam toda a sorte de favores sexuais, mediante singela bonificação.&lt;br /&gt;Ah! Como eles se divertiam na Torre! Era como se voltassem no tempo, revivendo os anos permissivos, sem algemas, da juventude.&lt;br /&gt;Certa vez, num desses fantásticos passeios à Torre de Babel, Ananias tivera uma idéia genial. No momento em que o barco partia da boate, agora sim,  rumo à pescaria de fato, ele voltou ao garboso prostíbulo e contratou, para que seguisse viagem com ele, a mais bela de todas as nativas: Capitu! Como era bela! Com esse nome literário e feitio de índia virginal, passeava de biquíni vermelho e salto agulha no coração daqueles coroas.&lt;br /&gt;Com Capitu e Ananias devidamente embarcados, este foi ao encontro de seus colegas. Exibia-a como um troféu, causando em todos grande alvoroço e palpitação. Dizem que havia até aqueles que salivavam intensamente diante da beleza da moça, e pulverizavam espessos perdigotos à medida que tentavam balbuciar algum elogio.&lt;br /&gt;Eis o plano: tendo contratado Capitu por 500 reais pelos cinco dias de pescaria, Ananias a sublocaria aos companheiros por 200 reais cada, recuperando todo o dinheiro investido e ainda lucrando algum. Isso sem mencionar que  continuava sendo ele o “proprietário” da beldade, podendo usufruir como e quando quisesse dos talentos da fogosa índia. Era isso. Ananias acabava de inventar o que ele mesmo chamou de “pescaria dos sonhos”.&lt;br /&gt;Na busca maquiavélica do lucro, Ananias usava de métodos desleais. Distribuía amendoins e, em alguns casos extremos, dava aos amigos até comprimidos antiimpotência. Como se não bastasse, ainda fazia a moça ficar seminua pelo convés. Para aqueles que não se rendiam nem à tropical nudez da índia, Ananias tinha um último e infalível artifício: chamava a todos para assistir à impressionante habilidade da nativa, que o brindava com um irresistível trabalho oral.&lt;br /&gt;Ganhou tanto dinheiro na viagem que chegou à inevitável conclusão:&lt;br /&gt;-Vou levar essa pequena comigo pra casa. Ela é a minha galinha dos ovos de ouro!&lt;br /&gt;Dito e feito. Uma semana depois Ananias chegava em casa com Capitu. Prometera a ela um belo ordenado mensal e tornou-se, por assim dizer, seu cafetão.&lt;br /&gt;O problema era que, cada vez mais extasiado com a competência da moça, tornou-se seu maior cliente. Passava horas com ela no quarto, realizando atividades físicas intermináveis e malabarismos incompatíveis com sua já avançada idade.&lt;br /&gt;Na repartição, os colegas já comentavam:&lt;br /&gt;-É, rapaz! O Ananias não veio trabalhar de novo!&lt;br /&gt;-Deve estar em casa traçando aquele bibiu.&lt;br /&gt;-Qualquer dia desses ele tem um troço...&lt;br /&gt;Não deu outra. Após longo sumiço da repartição, os colegas foram, preocupados, verificar o que havia acontecido. Em seu apartamento, a cena era desoladora: Capitu chorava copiosamente e Ananias estava morto, com a mão na maçaneta da porta e um leve sorriso nos lábios.&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;IMG SRC="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1085148794.jpg"&gt;&lt;p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-108483837007583871?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/108483837007583871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=108483837007583871&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108483837007583871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108483837007583871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/05/ananias.html' title='ANANIAS'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-108457459984544643</id><published>2004-05-14T19:16:00.000-03:00</published><updated>2004-05-28T10:41:53.836-03:00</updated><title type='text'>PADEDÊ II - A SAUNA</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Padedê ia sair mais cedo do trabalho aquele dia. Disse aos amigos  que estava muito tenso e que ia dar uma relaxada numa sauna, no centro da cidade. Foi aí que o pessoal da repartição fez, em coro,  o alerta evidente:&lt;br /&gt;-Mas Padedê! Você tá ficando louco, meu filho? Essas saunas do centro são antros da pederastia! Só dá viado!&lt;br /&gt;-Que nada! Fica tranquilo que eu me viro. Até parece que vocês não me conhecem. Credo...&lt;br /&gt;Pegou seu chevette marrom três volumes apressadamente e partiu rumo à tão sonhada sauna no centro.&lt;br /&gt;Lá chegando, foi atendido por um rapaz que mostrou a ele o vestiário.  Foi logo se estabelecendo por ali. Tirou a roupa toda, menos os óculos ray-ban empenados, e foi para a sauna. Isso mesmo: foi para a sauna nu e de óculos escuros.&lt;br /&gt;Sentou-se no degrau mais alto da sauna e recostou a cabeça na parede azulejada, como se tirasse um cochilo. Até então, Padedê era o único freguês.&lt;br /&gt;Eis que entra pela sauna mais um cliente, também nu. Apesar da abundância de lugares disponíveis, escolheu sentar-se bem próximo de Padedê. Fitou, por alguns segundos, aquela figura bizarra que parecia estar dormindo na sauna, pelado e de óculos escuros. Terminada a averiguação, o franzino moço tentou puxar, com voz bastante sutil, uma conversa:&lt;br /&gt;-Oi! Tudo bem?&lt;br /&gt;Padedê não respondeu.&lt;br /&gt;O rapaz então tentou novamente: -Você vem sempre aqui?&lt;br /&gt;Não adiantava. Padedê parecia hibernar por detrás daqueles óculos ridículos e tortos.&lt;br /&gt;Mas o rapaz não desistia, não. E tentou mais uma vez: -Está quente aqui, né? Entrei há pouco e meu corpo já está todo suado!&lt;br /&gt;Nada causava uma reação em Padedê, até que o rapaz arriscou numa última e corajosa tentativa:&lt;br /&gt;-Posso dar uma chupadinha?&lt;br /&gt;Padedê então, sem se mover ou mudar o semblante, respondeu:&lt;br /&gt;-Pode.&lt;p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-108457459984544643?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/108457459984544643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=108457459984544643&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108457459984544643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108457459984544643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/05/paded-ii-sauna.html' title='PADEDÊ II - A SAUNA'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-108447132757981685</id><published>2004-05-13T13:55:00.000-03:00</published><updated>2004-08-05T17:42:08.103-03:00</updated><title type='text'>PADEDÊ (PAS-DE-DEUX)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Padedê era magro, muito magro, e usava uns óculos estilo ray-ban que transbordavam sua face fina. Ninguém que se tenha notícia sabe, até hoje, a origem de seu apelido. Mas vamos ao que interessa: num dia de semana qualquer, à tarde, ele passeava com seu chevette três volumes marrom pelo centro da cidade. O sinal estava fechado e o sol escaldante já incomodava sua calvície. Nesse momento, Padedê se impressiona com uma morena alta e monumental que, do outro lado da rua, parecia flertar com ele de forma quase agressiva. Não acreditou. Endireitou o ray-ban e olhou para trás, procurando outro cidadão que pudesse ser alvo daqueles olhares hipnóticos e sexuais. Não havia ninguém. O alvo era ele mesmo.&lt;br /&gt;Não titubeou. Seria impensável dispensar uma beldade daquelas. Sem pensar duas vezes, estacionou ao lado do monumento e lançou a pergunta criativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá indo pra onde, broto?&lt;br /&gt;-Pra Pampulha - respondeu.&lt;br /&gt;-Que coincidência boa! Estou indo pra lá também. Quer uma carona?&lt;br /&gt;-Aceito. Claro! Salvou a minha vida! - suspirou animada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminho da Pampulha, os dois conversavam sobre o inacreditável e desagradável calor quando Padedê, lascivo, fez o convite irrecusável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vamos dar uma refrescada, filé? Podíamos tomar um banho de banheira juntos. Aqui mesmo, na Pampulha, tem um motel de excelente nível...&lt;br /&gt;-Será? Mal nos conhecemos!&lt;br /&gt;-Por isso mesmo. Estou louco pra te conhecer todinha!&lt;br /&gt;-Ah! Então vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padedê nem acreditou. Estava indo para o motel com uma morena escultural, malhada e que, como se não bastasse, ainda era maior que ele.&lt;br /&gt;Chegando à requintada espelunca, ele mal esperou que o carro parasse para se atracar com aquela que era, até então, a melhor mulher de sua vida. Ela aderiu ao fogo apaixonado de Padedê e foram, alucinados, para a tão esperada banheira. Ele foi logo tirando toda a roupa, inclusive o ray-ban empenado, enquanto ela, só de biquíni (sim, ela estava de biquíni), entrava na espumosa banheira de hidromassagem. Padedê se jogou sobre a moça e foi tirando, com a boca, as duas peças de seu biquíni. Primeiro a parte de cima, revelando belíssimo silicone (este foi o primeiro contato de Padedê com a cirurgia plástica). Animado, partiu para a parte de baixo. Com uma mordida certeira, arrancou o laço lateral que segurava a delicadíssima tanguinha. Qual não foi sua surpresa quando viu, entre as pernas da moça, um imenso órgão genital masculino, inclusive maior que o dele próprio. A triste visão pôde ser confirmada quando Padedê, agora mais atento às peculiaridades de sua parceira, percebeu o protuberante gogó da moça. Ah! Que pesadelo horroroso era aquele gogó! Ele sabia que moças não têm pomo-de-adão...&lt;br /&gt;Assustado, saiu correndo da banheira, pingando todo o quarto. Pensou, pensou e, olhando mais uma vez para aquele corpo ainda monumental ensaboado na banheira, decidiu:&lt;br /&gt;-Ah! Quer saber? Já estou aqui mesmo...&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;IMG SRC="http://fredmob.flogbrasil.terra.com.br/1085496408.jpg"&gt;&lt;p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-108447132757981685?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/108447132757981685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=108447132757981685&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108447132757981685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108447132757981685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/05/paded-pas-de-deux.html' title='PADEDÊ (PAS-DE-DEUX)'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6971279.post-108439717695895940</id><published>2004-05-12T18:24:00.002-03:00</published><updated>2010-05-26T11:48:10.333-03:00</updated><title type='text'>LUZ QUE NÃO TEM DONO</title><content type='html'>Não se mostra de uma vez.&lt;br /&gt;Aos pedaços, insinua.&lt;br /&gt;Vai crescendo até que um dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia, nua,&lt;br /&gt;aparece tão inteira&lt;br /&gt;e imensa flutua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brilha forte,&lt;br /&gt;ilumina,&lt;br /&gt;mas jamais será só sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu brilho, tão intenso&lt;br /&gt;que impressiona em um segundo&lt;br /&gt;é a luz que não tem dono&lt;br /&gt;tem que ser de todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui resta a escuridão,&lt;br /&gt;lá bem longe o clarão prova.&lt;br /&gt;Minha Lua foi embora,&lt;br /&gt;tudo escuro: Lua Nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/S_00cW0CQqI/AAAAAAAAAxI/nn-y3MMQBVE/s1600/LUA.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 204px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475590383717204642" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/S_00cW0CQqI/AAAAAAAAAxI/nn-y3MMQBVE/s320/LUA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#663300;"&gt;&lt;strong&gt;NILMA GARÔFALO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nilma Garôfalo já é uma senhora de idade avançada. Ganha a vida trabalhando numa repartição pública. Outro dia, eu pedi a ela uma carona, que foi prontamente atendida.&lt;br /&gt;O carro popular de Nilma tinha os bancos todos plastificados e mal-cheirosos, o que me fez pronunciar a pergunta inadiável:&lt;br /&gt;-Nilminha, porque os bancos do seu carro são assim, plastificados?&lt;br /&gt;-Sabe o que é, meu filho? É que moro muito longe da repartição. Hoje em dia, com esse trânsito infernal, às vezes gasto horas para chegar em casa.&lt;br /&gt;-Entendi. Mas o que o plástico nos bancos tem a ver com isso?&lt;br /&gt;-É que... É que eu não sou muito boa para segurar o xixi. Aí, quando estou com vontade e agarrada no trânsito, faço por aqui mesmo, no banco do carro. O plástico é bom porque quando eu chego em casa, basta passar uma aguinha, um paninho e pronto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6971279-108439717695895940?l=gentequeexiste.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/feeds/108439717695895940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6971279&amp;postID=108439717695895940&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108439717695895940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6971279/posts/default/108439717695895940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentequeexiste.blogspot.com/2004/05/nilma-garfalo.html' title='LUZ QUE NÃO TEM DONO'/><author><name>Frederico Bernis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05000598055991069758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/Sx13bxduUKI/AAAAAAAAAqk/FAj_VKrQy8s/S220/fred-blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QIP4svNzcaw/S_00cW0CQqI/AAAAAAAAAxI/nn-y3MMQBVE/s72-c/LUA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
